Mato Grosso do Sul, 10 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Polícia Federal realiza operação para desarticular rota de contrabando de cigarro em MS e São Paulo

Ação cumpre mandados em Dourados e cidades paulistas e mira grupo especializado no transporte de produtos ilegais vindos do Paraguai
Policial sobre carreta carregada com 40 mil pacotes de cigarro paraguaio (Foto: PRF/Divulgação)
Policial sobre carreta carregada com 40 mil pacotes de cigarro paraguaio (Foto: PRF/Divulgação)

A ofensiva federal amplia o cerco contra organizações que atuam na fronteira e abastecem o mercado nacional com grandes carregamentos de cigarro contrabandeado

A Polícia Federal desencadeou nesta quinta-feira a Operação Paliteiro, voltada à desarticulação de uma associação criminosa responsável por movimentar carregamentos expressivos de cigarro contrabandeado entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. A investigação atinge diretamente uma das rotas mais antigas e lucrativas do tráfico de produtos ilícitos, percorrida por cargas que deixam o Paraguai, cruzam cidades sul-mato-grossenses e seguem em direção a importantes centros de distribuição no Sudeste.

A operação, conduzida pela delegacia da Polícia Federal em Presidente Prudente, cumpriu mandados de busca e apreensão naquela cidade, em Garça, na região de Bauru, e em Dourados. Os locais vasculhados compõem pontos estratégicos da rota utilizada por caminhões e carretas que transportam o material ilegal até a capital paulista e ao Rio de Janeiro. As ações simultâneas buscaram interromper tanto o fluxo logístico quanto o núcleo financeiro que sustenta a estrutura criminosa.

As investigações revelaram que o grupo alvo da ofensiva se especializou no transporte e na comercialização de cigarros introduzidos irregularmente no Brasil a partir do Paraguai. O esquema opera com veículos de grande porte, motoristas contratados para viagens rápidas e um sistema de comunicação desenvolvido para evitar barreiras policiais. Em algumas localidades paulistas, a distribuição ocorre em garagens adaptadas e depósitos clandestinos, responsáveis por abastecer comércios informais e pontos de venda ligados a outras atividades ilícitas.

Durante o cumprimento dos mandados, agentes federais apreenderam aparelhos celulares e documentos que serão periciados para avançar na identificação da cadeia completa de participantes, incluindo financiadores, transportadores, receptadores e eventuais responsáveis pelo envio direto das cargas no Paraguai. O cruzamento de dados deve auxiliar na identificação de rotas alternativas, estratégias de ocultação de mercadorias e possíveis conexões com outros crimes na faixa de fronteira.

Apesar de o país registrar crescimento no número de fábricas clandestinas de cigarro em áreas metropolitanas, o Paraguai segue como principal origem dos produtos ilegais encontrados no Brasil. A proximidade geográfica, a facilidade de transporte e o custo reduzido favorecem a continuidade do contrabando, que movimenta bilhões de reais por ano e compromete a arrecadação tributária. Organizações baseadas na fronteira são responsáveis por um fluxo permanente de cargas, muitas vezes acompanhadas de violência e corrupção.

A dimensão desse mercado ficou evidente no episódio registrado no dia 12 de novembro. Na ocasião, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu uma carreta bitrem carregada com 40 mil pacotes de cigarro da marca Eight, totalizando 800 caixas, na BR-163, em Caarapó. O motorista do veículo, identificado como Gilvamar dos Santos Lima, tentou fugir ao ser abordado, mas foi capturado. Ele afirmou ter sido contratado para transportar a carga desde Eldorado até Campo Grande e admitiu reincidência no crime, já tendo sido detido por transporte ilegal de cigarros no ano anterior.

A carga apreendida continha cerca de 8 milhões de unidades de cigarro, todos produzidos pela empresa Tabacalera del Este, sediada no Paraguai. A marca Eight é reconhecida como uma das mais distribuídas no mercado irregular brasileiro. A apreensão reforçou o alerta sobre a robustez das operações criminosas e o volume financeiro envolvido, que atrai grupos especializados e motoristas dispostos a correr riscos elevados em troca de ganhos imediatos.

A Operação Paliteiro se insere em um esforço contínuo da Polícia Federal para enfraquecer esse segmento criminoso, que além de causar prejuízos fiscais expressivos, alimenta redes que frequentemente se associam ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção transfronteiriça. As diligências devem prosseguir, com novas análises de dados e possíveis desdobramentos operacionais nas próximas semanas.

A expectativa é de que as informações coletadas permitam identificar o núcleo organizador do esquema e, a partir dele, ampliar o alcance das investigações até fornecedores, financiadores e operadores logísticos. O sucesso da operação pode resultar na interrupção momentânea de uma das rotas mais utilizadas do país para o contrabando de cigarros, embora as autoridades reconheçam que a repressão isolada não elimina completamente um mercado sólido e amparado por forte demanda.

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