Mato Grosso do Sul, 3 de julho de 2026
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União Europeia e Mercosul assinarão acordo comercial histórico no Paraguai no próximo sábado

Tratado criará maior zona de livre-comércio do mundo com 720 milhões de habitantes e impacto bilionário
Medida reduzirá gradualmente as tarifas de importação sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas
Medida reduzirá gradualmente as tarifas de importação sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas

Assunção, capital do Paraguai, sediará no sábado, 17 de janeiro de 2026, a assinatura do tratado de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou o evento, que reunirá ministros das Relações Exteriores dos países sul-americanos sob a presidência rotativa paraguaia do bloco. Esse marco encerrará mais de duas décadas de intensas negociações e pavimentará o caminho para uma zona de comércio integrada que abrange 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a 22 trilhões de dólares.

A aprovação final veio dois dias antes da cerimônia, quando o Conselho da União Europeia votou por maioria qualificada. Vinte e um países manifestaram apoio, enquanto França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria posicionaram-se contra, e a Bélgica optou pela abstenção. Essa decisão reflete divisões internas no bloco europeu, especialmente quanto à abertura de mercados agrícolas, mas garante o avanço do acordo graças ao peso demográfico e econômico dos favoráveis.

A Itália emergiu como peça-chave nessa virada. Inicialmente alinhada à França em dezembro de 2025 para postergar a assinatura, o país alterou sua postura após assegurar proteções extras para seu setor agropecuário e verbas adicionais do orçamento comunitário. Essa manobra estratégica assegurou a maioria qualificada necessária, que exige pelo menos 65% da população da União Europeia representada pelos votos positivos. Sem o apoio italiano, o tratado poderia ter enfrentado mais atrasos.

A oposição francesa, liderada pelo presidente Emmanuel Macron, concentrou-se na defesa dos agricultores locais. Macron argumentou que o influxo de produtos sul-americanos baratos ameaça a competitividade europeia, especialmente em carnes, grãos e laticínios. Protestos eclodiram imediatamente após a votação de sexta-feira, com fazendeiros franceses, poloneses e belgas bloqueando rodovias principais e marchando em praças centrais de Paris, Varsóvia e Bruxelas. Os manifestantes ergueram cartazes contra o “despejo de commodities baratas” e demandaram salvaguardas ambientais e sanitárias mais rigorosas.

Do lado sul-americano, a celebração foi unânime. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva qualificou o momento como histórico para o multilateralismo, fruto de persistente diálogo diplomático. Seu vice, Geraldo Alckmin, enfatizou os benefícios mútuos, prevendo produtos mais acessíveis e de alta qualidade para consumidores europeus, além de estímulo a investimentos cruzados. Estimativas indicam que o Brasil sozinho pode ampliar suas exportações em cerca de 7 bilhões de dólares anuais, com ganhos expressivos em máquinas, equipamentos industriais e autopeças.

O acordo não entrará em vigor com a assinatura. Ainda dependerá de aprovação pelo Parlamento Europeu, agendada para abril de 2026, seguida de ratificações nos parlamentos nacionais dos 27 membros da União Europeia e dos quatro do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Esse processo pode se estender por anos, sujeitando o tratado a escrutínio público e emendas. Países como a França sinalizam possibilidade de referendos nacionais para bloquear a implementação final.

Economicamente, o pacto promete revolucionar fluxos comerciais. Para o Mercosul, abrirá portas para exportações de commodities agrícolas e manufaturados, aliviando dependências de mercados asiáticos voláteis. A União Europeia ganhará acesso preferencial a matérias-primas sul-americanas, como soja, carne bovina e minerais, enquanto exportará bens de alta tecnologia, químicos e veículos. Analistas preveem criação de centenas de milhares de empregos em ambos os lados, com redução média de 90% nas tarifas alfandegárias ao longo de uma década de transição.

Ambientalmente, o tratado incorpora cláusulas vinculantes contra desmatamento e promove padrões sustentáveis, respondendo a críticas iniciais de ongs europeias. No Brasil, por exemplo, compromissos com a preservação da Amazônia e redução de emissões de carbono fortalecerão a imagem verde do bloco sul-americano. Para o Paraguai, anfitrião da assinatura, o evento elevará seu perfil diplomático durante a presidência pro tempore do Mercosul, consolidando laços com a Europa.

Essa aliança transatlântica surge em meio a tensões globais, como guerras comerciais e instabilidades energéticas, posicionando Europa e América do Sul como contrapeso a blocos rivais. Líderes destacam o potencial para diversificar cadeias de suprimentos, mitigar inflação alimentar e fomentar inovação conjunta em energias renováveis. Enquanto a assinatura em Assunção marcará um triunfo diplomático, os desafios de ratificação testarão a resiliência política de ambos os continentes.

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