Mato Grosso do Sul, 3 de julho de 2026
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Comércio bilateral entre Brasil e Irã atinge quase três bilhões de dólares em 2025 e enfrenta ameaça de tarifas americanas

Relação comercial concentrada no agronegócio pode ser impactada por sanções anunciadas pelo presidente Donald Trump
Foto: Reprodução/R7
Foto: Reprodução/R7

O volume de negócios entre o Brasil e o Irã alcançou a cifra expressiva de quase três bilhões de dólares no ano de 2025, consolidando o país persa como um parceiro comercial relevante para a economia brasileira, especialmente para o agronegócio nacional. Dados detalhados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Mdic, revelam que as exportações brasileiras para Teerã somaram 2,9 bilhões de dólares, um número que posiciona o Irã como o quinto principal destino das vendas do Brasil no Oriente Médio, superando mercados tradicionais como Suíça, África do Sul e Rússia no ranking geral de destinos.

A pauta de exportação brasileira para o Irã é fortemente concentrada em commodities agrícolas. Em 2025, milho e soja responderam por 87,2% de todo o valor exportado. Somente o milho representou 67,9% do total das vendas, ultrapassando 1,9 bilhão de dólares, enquanto a soja contribuiu com 19,3%, somando cerca de 563 milhões de dólares. Outros produtos como açúcares e itens de confeitaria, farelos de soja utilizados na alimentação animal e petróleo também figuraram na lista de itens comercializados. Em contrapartida, as importações brasileiras provenientes do Irã foram bem mais modestas, totalizando cerca de 84 milhões de dólares, com destaque absoluto para adubos e fertilizantes, essenciais para a própria produção agrícola brasileira.

A relação comercial bilateral, que já apresentou oscilações nos últimos anos, enfrenta agora um cenário de incerteza geopolítica. A tensão entre os Estados Unidos e o Irã, marcada por ameaças mútuas e questões diplomáticas complexas, ganhou um novo capítulo com o anúncio feito nesta segunda feira pelo presidente americano Donald Trump. O republicano declarou a intenção de impor uma tarifa de 25% sobre países que mantiverem relações comerciais com o Irã. Embora a Casa Branca ainda não tenha formalizado a medida, o alerta acendeu no governo brasileiro e no setor privado, que aguardam a publicação da ordem executiva americana para se manifestar oficialmente sobre os possíveis impactos, especialmente sobre o vital agronegócio brasileiro.

Apesar das ameaças externas, as iniciativas diplomáticas para fortalecer a ponte entre Brasília e Teerã têm avançado. Em abril de 2024, a visita do ministro da agricultura do Irã ao Brasil resultou na concordância para a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral. Esse comitê tem como objetivo principal agilizar pautas de interesse comum, ampliar o intercâmbio técnico e discutir medidas para facilitar o comércio, como a proposta iraniana de instalar uma empresa de navegação no Brasil para reduzir custos logísticos. A entrada do Irã no Brics, bloco do qual o Brasil é membro fundador, desde agosto de 2023, também é vista como um fator que pode solidificar ainda mais a parceria estratégica entre as duas nações no cenário global.

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