O Brasil encerrou janeiro de 2026 com o melhor resultado da história nas exportações de carne bovina. Foram 264 mil toneladas enviadas ao exterior, alta de 26,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. A receita chegou a US$ 1,404 bilhão, crescimento de 40,2%, segundo números oficiais compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes. Esse desempenho coloca o país como gigante do setor, mesmo diante de desafios globais como tensões comerciais e menor produção em concorrentes.
A China dominou as compras, levando 123,2 mil toneladas por US$ 657,2 milhões, ou 46,6% do volume e 46,8% do faturamento total. As vendas para o gigante asiático subiram 32,7% em quantidade e 45,4% em dólares, apesar de uma nova cota anual de 1,1 milhão de toneladas imposta por Pequim. Essa cota, que começou neste mês, corta 35% do que o Brasil mandou em 2025, mas o país ainda se mantém forte graças à qualidade e ao preço competitivo da carne brasileira. Roberto Perosa, presidente da Abiec, destacou que o resultado mostra a força do setor em um ano de incertezas geopolíticas.
Os Estados Unidos vieram logo atrás, importando 29,9 mil toneladas por US$ 193,7 milhões, saltos de 57,3% no volume e 81,6% na receita. Juntos, China e EUA absorveram 60% do total exportado. Outros compradores importantes incluem Emirados Árabes Unidos, com 7,4 mil toneladas por US$ 38,9 milhões; Egito, 8,7 mil toneladas e US$ 35,7 milhões; Rússia, 7,8 mil toneladas por US$ 33 milhões; Hong Kong, 8 mil toneladas e US$ 32,3 milhões; Arábia Saudita, 5,7 mil toneladas por US$ 30,6 milhões; e Israel, 3,7 mil toneladas e US$ 25,1 milhões. Esses mercados diversificados blindam o Brasil de solavancos em um só destino.
China impõe cota mas Brasil mantém liderança no fornecimento global
A cota chinesa surgiu de uma investigação de salvaguarda para proteger produtores locais de importações excessivas. Apesar da redução, o Brasil se adapta rápido, com plantas frigoríficas ajustando volumes e buscando cortes premium que escapam da limitação. Fazendeiros do Mato Grosso e do Paraná, maiores polos exportadores, comemoram o recorde, que impulsiona empregos em abatedouros e caminhoneiros que rodam milhares de quilômetros com carcaças refrigeradas. A carne in natura e processada, de cortes suculentos a hambúrgueres, sustenta famílias em cidades do interior onde o boi é rei da economia.
O sucesso vem num momento em que rivais como Austrália e Argentina enfrentam secas e enchentes, cortando sua oferta. O Brasil, com pastos vastos e gado saudável, preenche o vazio, enviando contêineres lotados de picanha, contrafilé e costela para churrascos orientais e grelhados americanos. Esse fluxo de dólares fortalece o real e baixa o preço da carne no supermercado interno, beneficiando o consumidor comum que enche a panela no fim do mês.
Preços do suíno vivo despencam em janeiro pelo menor consumo pós-festas
Enquanto o boi brilha no exterior, o suíno vivo sofre no mercado brasileiro. Em São Paulo, a cotação média caiu para R$ 8,24 por quilo em janeiro, baixa de 6,9% ante dezembro de 2025. É a desvalorização mais forte desde janeiro de 2025, quando o preço tombou 13,3% em termos reais. O motivo é clássico: após o Natal e o Ano Novo, o consumo interno despenca, com famílias apertando o cinto depois dos gastos extras.
A demanda externa também fraquejou, com embarques médios de 4,9 mil toneladas na parcial do mês, contra 5,4 mil em dezembro. A oferta de porcos abatidos ficou estável, criando um descompasso que pressiona os preços para baixo. Produtores do Sul e Sudeste, regiões líderes na suinocultura, enfrentam o baque: suínos engordados a grão caro agora valem menos na balança. Muitos optam por estocar ou vender para indústrias de embutidos, mas o prejuízo aperta, especialmente para pequenos criadores sem reserva financeira.
Desafios do suíno contrastam com força do boi no agro brasileiro
Janeiro sempre traz essa ressaca para o porco, mas este ano a retração chinesa e europeia piorou o quadro. Enquanto isso, o boi segue imbatível, com frigoríficos como JBS e Marfrig acelerando turnos extras para atender pedidos recordes. O contraste reflete o agro brasileiro: exportador nato no bovino, mas dependente do mercado interno no suíno, onde o poder de compra baixo limita ganhos.
Produtores de suínos esperam reação em fevereiro, com a volta das aulas e o Dia das Mães no horizonte. Já o boi mira volumes ainda maiores, apostando em certificações de sustentabilidade que abrem portas em mercados exigentes. Esses números de janeiro provam que o Brasil segue como celeiro mundial de proteína, gerando renda para milhões e prato cheio para o mundo todo.
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