Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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Ministério dos transportes planeja ferrovias para fortalecer Mato Grosso do Sul na logística

Projetos da Suzano, Eldorado, Arauco e leilão da Malha Oeste trazem trilhos, empregos e transporte mais barato de celulose até Santos
Retomada da Suzano e leilão da Malha Oeste garantem ao Estado posição estratégica
Retomada da Suzano e leilão da Malha Oeste garantem ao Estado posição estratégica

O Ministério dos Transportes quer fechar 2026 com uma lista sólida de projetos ferroviários em Mato Grosso do Sul. O plano transforma o estado em centro logístico do Centro-Oeste brasileiro. A retomada ganhou força com o início das obras da Ferrovia Sucuriú, da Arauco Celulose, em Inocência. Os trilhos devem escoar celulose, grãos e outras cargas de forma mais barata e eficiente que os caminhões nas rodovias. Empresas privadas lideram os investimentos, que devem criar milhares de empregos em cidades como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Aparecida do Taboado.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres já autorizou vários projetos no estado. A Suzano retoma dois trechos de 136 quilômetros ligando Ribas do Rio Pardo, Inocência e Três Lagoas, com R$ 2,56 bilhões previstos. As obras estavam paradas há três anos. A Eldorado Brasil Celulose investe R$ 990 milhões em 88 quilômetros entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado. A linha já tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A Arauco constrói uma ferrovia curta de 45 quilômetros mais 9 internos, orçada em R$ 2,4 bilhões, que liga sua fábrica em Inocência à Malha Norte da Rumo, até o Porto de Santos.

O leilão da Malha Oeste, com 1.593 quilômetros, completa o pacote. Marcado para abril, o certame pode atrair R$ 35,7 bilhões em recuperação da linha. O Ministério vê nessas obras a chance de posicionar Mato Grosso do Sul como polo industrial, com menos dependência de estradas e mais economia regional.

Suzano e Eldorado ligam fábricas por trilhos e cortam custos de transporte

A Suzano reconecta suas plantas em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas passando por Inocência. Os 136 quilômetros novos evitam rodovias cheias, reduzindo custos em cerca de 30% por tonelada. Trens substituem caminhões que rodam 700 quilômetros até Santos, liberando as estradas para outros usos e cortando emissões. A empresa ganha força para competir no mercado global de celulose.

A Eldorado já declarou utilidade pública para desapropriar terras. O traçado de 88 quilômetros leva a produção de Três Lagoas a Aparecida do Taboado. Com R$ 1,05 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a obra cria mais de 3 mil empregos diretos e indiretos na construção. Soldadores, operadores de máquinas e engenheiros trabalham na fase inicial. Depois, trens regulares escoam celulose, gerando ICMS para os cofres municipais.

Três Lagoas, com suas três grandes fábricas de celulose, vive o impacto positivo. Famílias locais esperam mais trabalho em depósitos e oficinas ligadas à ferrovia.

Arauco inicia primeira ferrovia curta e conecta Inocência a Santos

A Ferrovia EF-A35 da Arauco é a primeira linha curta do estado sob o novo Marco Legal das Ferrovias. Os 45 quilômetros correm paralelos às rodovias MS-377 e MS-240. Dos R$ 2,4 bilhões totais, boa parte vai para a fábrica de celulose em Inocência. Os trilhos ligam direto à Malha Norte da Rumo, levando cargas a Santos sem transbordo.

A linha opera como ramal privativo, com trens puxando 50 vagões por vez, dia e noite. Para Inocência, de 5 mil habitantes, a obra movimenta a economia. Trabalhadores da construção lotam hotéis e mercados. A prefeitura espera crescimento no PIB local com o projeto.

Leilão da Malha Oeste prevê R$ 35 bilhões em obras e novo corredor de cargas

A Malha Oeste, parada e tomada pelo mato, tem leilão previsto para abril, com disputa na B3 no segundo semestre. Os 1.593 quilômetros exigem R$ 35,7 bilhões em reparos, com dormentes novos, sinalização moderna e pontes recuperadas. O governo estuda dividir em lotes para atrair empresas menores. A linha pode virar rota de celulose, soja, minério e combustíveis.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social facilita com financiamentos de prazos longos e carência ampla, como na chamada de 2025 que liberou R$ 4,3 bilhões. O país planeja oito leilões em 2026, com R$ 140 bilhões iniciais, podendo chegar a R$ 600 bilhões.

Especialistas veem oportunidade, mas exigem demanda firme e acesso garantido

Marcus Quintella, da FGV Transportes, destaca os ganhos da Malha Oeste para Mato Grosso do Sul. Trilhos reduzem custos, tiram milhares de caminhões das rodovias, diminuem acidentes e poluem menos. Ele cobra, porém, carga garantida, como contratos firmes de celulose da Suzano ou Eldorado. Sem demanda constante, o leilão pode fracassar, como concessões passadas devolvidas por falta de lucro.

O direito de passagem pela Malha Paulista, da Rumo, é outro obstáculo. Sem regras claras de tarifas e horários até Santos, os trens enfrentam barreiras. Se a Rumo vencer o leilão, o problema diminui.

Mato Grosso do Sul ganha força como entroncamento ferroviário do Centro-Oeste. Os trilhos trazem empregos, indústrias e exportações mais baratas. De Inocência a Três Lagoas, os trens sinalizam um futuro de crescimento sobre novos dormentes.

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