Mato Grosso do Sul, 19 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Amazônia registra queda de 35% no desmatamento e país reforça meta de zerar perdas até 2030

Dados apontam redução também no Cerrado, avanço na fiscalização e expectativa de menor taxa da série histórica na Amazônia já em 2026
Imagens - Gaby Lopes
Imagens - Gaby Lopes

A Amazônia Legal apresentou queda de 35% nas áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, em comparação com o mesmo período anterior. No intervalo mais recente, foram registrados 1.324 quilômetros quadrados sob alerta, contra 2.050 quilômetros quadrados no ciclo anterior. Os números reforçam a estratégia nacional de enfrentamento aos crimes ambientais e consolidam uma tendência de redução iniciada nos últimos anos.

No Cerrado, a diminuição também foi registrada, ainda que de forma mais moderada. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, foram identificados 1.905 quilômetros quadrados sob alerta de desmatamento, frente a 2.025 quilômetros quadrados no período anterior, o que representa queda de 6%. O cenário indica controle gradual em dois dos principais biomas do país, considerados estratégicos para o equilíbrio climático e a produção agrícola.

Os dados foram apresentados após reunião da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento, realizada no Palácio do Planalto. O colegiado reúne 19 ministérios e coordena ações integradas voltadas à preservação ambiental, fiscalização e regularização fundiária. A retomada da articulação entre as pastas é apontada como um dos fatores que contribuíram para os resultados recentes.

Além da redução nas áreas sob alerta, os indicadores de degradação florestal na Amazônia apresentaram queda expressiva. No período analisado, 2.923 quilômetros quadrados foram atingidos por degradação, número muito inferior aos 44.555 quilômetros quadrados registrados no ciclo anterior, o que representa redução de 93%. A degradação ocorre quando há danos à vegetação sem corte raso completo, mas que comprometem a integridade da floresta.

O sistema de monitoramento por satélite utilizado para identificar os alertas permite acompanhamento quase em tempo real das áreas afetadas, auxiliando operações de fiscalização em campo. Esse modelo de vigilância orienta ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

De acordo com os dados consolidados, houve aumento significativo nas operações de fiscalização ambiental na Amazônia. Em comparação com 2022, o número de ações do Ibama cresceu 59%, enquanto as operações do ICMBio aumentaram 24%. As áreas embargadas também avançaram, com crescimento de 51% nas autuações do Ibama e de 44% nas do ICMBio.

As operações resultaram em mais ocorrências registradas, saltando de 932 para 1.754, e no aumento do número de veículos abordados, que passou de 13.526 para 28.607. As apreensões de minérios cresceram mais de 170%, enquanto as apreensões de madeira tiveram alta de 65%. As ações incluem ainda embargos remotos de uso do solo e fiscalização sobre cadeias produtivas associadas ao desmatamento ilegal.

No Pantanal, os dados indicaram aumento de 45,5% no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026 em comparação ao ciclo imediatamente anterior, passando de 202 para 294 quilômetros quadrados. Apesar disso, quando comparado ao intervalo entre 2023 e 2024, houve queda de 65,2%, o que demonstra oscilação no bioma, mas dentro de uma tendência de controle a médio prazo.

Outro destaque é o programa União com Municípios, que reúne 70 cidades consideradas prioritárias no combate ao desmatamento e aos incêndios florestais. Entre 2022 e 2025, essas localidades registraram redução de 65,5% nas taxas de desmatamento. A atuação integrada entre União, estados e municípios tem sido apontada como essencial para alcançar resultados mais consistentes.

No campo da regularização, o Governo do Brasil prevê destinar 15 milhões de hectares de florestas públicas federais, com contratos voltados a Povos e Comunidades Tradicionais. A meta é beneficiar 300 comunidades até 2026, fortalecendo a presença do Estado em áreas vulneráveis e garantindo uso sustentável do território.

A reativação e ampliação do Fundo Amazônia também ganharam destaque. Nos últimos três anos, foram destinados R$ 3,642 bilhões para projetos de proteção e fiscalização. Em 2025, R$ 850 milhões foram aprovados para reforçar o controle do desmatamento ilegal. O número de países doadores passou de dois para nove, ampliando o apoio internacional às políticas ambientais brasileiras.

O compromisso assumido pelo país é zerar o desmatamento até 2030. A expectativa, segundo integrantes do governo, é que, mantido o ritmo atual, 2026 possa registrar a menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia. Ao mesmo tempo, autoridades reforçam que a política ambiental não compromete o agronegócio, que segue em expansão e abertura de novos mercados internacionais.

Os números mais recentes indicam que a combinação de monitoramento tecnológico, fiscalização intensiva, articulação entre ministérios e políticas de regularização fundiária tem produzido resultados concretos. A continuidade dessas ações será determinante para consolidar a tendência de queda e garantir que o Brasil avance na proteção de seus biomas sem abrir mão do desenvolvimento econômico.

#Amazonia #Desmatamento #MeioAmbiente #Cerrado #Pantanal #Sustentabilidade #Fiscalizacao #Ibama #ICMBio #FundoAmazonia #GovernoDoBrasil #DesenvolvimentoSustentavel

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.