Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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Lula amplia agenda internacional e busca novos acordos comerciais em viagem à Índia e à Coreia do Sul

Missão presidencial mira expansão de mercados, atração de investimentos e cooperação em tecnologia, energia e agricultura com duas das maiores economias da Ásia
Imagem - Marcelo Camargo
Imagem - Marcelo Camargo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira, 17, para uma viagem oficial à Ásia com foco no fortalecimento de parcerias comerciais e estratégicas. A agenda inclui compromissos na Índia e na Coreia do Sul, dois importantes parceiros econômicos do Brasil. A missão ocorre em um cenário de busca por novos mercados, ampliação de investimentos e consolidação do país como ator relevante nas discussões sobre tecnologia, energia e desenvolvimento sustentável.

Em Nova Deli, capital da Índia, Lula será recebido pelo primeiro-ministro Narendra Modi. A visita ocorre em reciprocidade ao encontro realizado no Brasil durante a Cúpula do Brics em 2025. Esta é a quarta vez que Lula visita a Índia e a segunda no atual mandato. O objetivo é aprofundar uma parceria estratégica mantida desde 2006 e ampliar o intercâmbio em áreas consideradas prioritárias.

Entre os principais temas da pauta bilateral estão defesa e segurança, segurança alimentar, transição energética, transformação digital, tecnologias emergentes e parcerias industriais. Os dois países estabeleceram um plano de cooperação para a próxima década, estruturado nesses cinco pilares. A expectativa é avançar em acordos concretos que facilitem comércio, investimentos e troca de conhecimento.

A Índia, com mais de 1,4 bilhão de habitantes, é atualmente uma das economias que mais crescem no mundo. O comércio bilateral com o Brasil superou US$ 15 bilhões em 2025. Desse total, US$ 6,9 bilhões correspondem a exportações brasileiras e US$ 8,3 bilhões a importações. Entre os principais produtos enviados pelo Brasil estão óleos brutos de petróleo, açúcar, gorduras vegetais e minério de ferro. A ampliação do acordo comercial entre Mercosul e Índia também está na pauta das negociações.

Outro ponto relevante da visita é a participação de Lula na Cúpula de Inteligência Artificial, marcada para o dia 19 de fevereiro, na capital indiana. O evento deve reunir representantes de cerca de 50 países. Será a primeira vez que um presidente brasileiro participa de um encontro internacional de alto nível com foco exclusivo em inteligência artificial. O governo brasileiro também promoverá um evento paralelo para apresentar a visão do país sobre o uso responsável da tecnologia, com presença de ministros e especialistas.

Após os compromissos na Índia, Lula segue para Seul, onde cumpre agenda oficial entre os dias 22 e 24 de fevereiro. A visita ocorre a convite do presidente Lee Jae Myung e marca a terceira ida de Lula à Coreia do Sul, sendo a primeira em caráter de Estado. Durante a passagem pelo país, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que pretende elevar a relação bilateral ao patamar de parceria estratégica.

A Coreia do Sul é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia. Em 2025, o fluxo bilateral atingiu US$ 10,8 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 5,5 bilhões e importações de US$ 5,3 bilhões. Óleo bruto de petróleo, minério de ferro, farelo de soja, álcool e café estão entre os principais produtos exportados. O governo brasileiro espera atrair novos investimentos sul-coreanos nas áreas de tecnologia, indústria automotiva, energia, agronegócio e cosméticos.

Durante a viagem, Lula participará de fóruns empresariais nos dois países. Em Nova Deli, mais de 300 empresas brasileiras estarão representadas em encontros voltados a setores como minerais estratégicos, saúde, mobilidade, energia limpa, agricultura familiar e inovação marinha. Em Seul, cerca de 230 empresas participarão de debates sobre inteligência artificial, agronegócio, indústrias criativas, indústria farmacêutica e aviação.

A estratégia do governo é fortalecer a presença brasileira em mercados asiáticos, diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados tradicionais. A ampliação de acordos também busca garantir segurança alimentar, estimular a transição energética e impulsionar a transformação digital no país.

A viagem ocorre em um momento de instabilidade econômica global e de reorganização das cadeias produtivas. Ao intensificar laços com Índia e Coreia do Sul, o Brasil sinaliza interesse em ocupar posição mais ativa nas discussões sobre governança internacional e desenvolvimento tecnológico.

A expectativa é que os encontros resultem em acordos práticos, ampliação de prazos de vistos para negócios e turismo, além de compromissos formais para novos investimentos. A missão internacional reforça a estratégia de aproximação com economias asiáticas consideradas essenciais para o crescimento sustentável do Brasil nos próximos anos.

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