Moradores da Sitioca Ouro Fino decidiram transformar o luto em protesto na BR-163. O bloqueio da rodovia, que liga Dourados ao município de Caarapó, travou o fluxo de veículos em um movimento carregado de indignação e pedidos de socorro. A motivação central do manifesto é a trágica perda do jovem motociclista Luiz Henrique de Oliveira Rosa, de 29 anos, que teve sua vida ceifada em um grave acidente ocorrido na noite de segunda-feira durante o feriado de Carnaval.
Luiz Henrique foi atingido por uma caminhonete dirigida pelo empresário Ricardo Boschetti Medeiros, de 40 anos. No momento da colisão, o motorista estava sob efeito de álcool, fato que levou à sua prisão em flagrante pela polícia. No entanto, o sentimento de revolta da vizinhança aumentou quando a justiça determinou a liberdade do empresário apenas dois dias depois, sem a necessidade de pagamento de fiança. Para quem convive diariamente com o perigo da pista, a decisão judicial soou como um desrespeito à memória da vítima e à segurança de todos.
A interdição da pista gerou rapidamente filas quilométricas que ultrapassaram os três quilômetros em ambos os sentidos. Apenas ambulâncias e carros particulares transportando doentes para hospitais em Dourados conseguem passar pelas barreiras humanas e de pneus. A Polícia Rodoviária Federal acompanha a situação de perto, monitorando o clima entre os manifestantes e os motoristas retidos no congestionamento. As lideranças do movimento deixaram claro que a rodovia só será totalmente liberada após uma conversa presencial com algum representante da concessionária Motiva Pantanal, que administra o trecho.
Segundo os residentes da localidade, promessas de melhorias na sinalização e a instalação de redutores de velocidade foram feitas há cerca de um ano, mas a realidade do asfalto permanece a mesma. Eles alegam que o trecho é extremamente perigoso e que a falta de dispositivos que obriguem a redução da velocidade torna a travessia um risco constante para trabalhadores e estudantes. A ausência de passarelas ou lombadas eletrônicas é apontada como a principal causa de acidentes frequentes na região da Sitioca Ouro Fino.
Em contrapartida, a diretoria da concessionária enviou comunicados informando que não pretende enviar representantes ao local enquanto o bloqueio persistir. Em mensagens de áudio, a empresa afirmou que as solicitações feitas pela comunidade no ano anterior já foram atendidas e que a instalação de radares ou quebra-molas depende de autorização e execução de órgãos federais de trânsito. A empresa ressaltou que vem cumprindo o contrato de concessão, realizando manutenções e reforçando a sinalização visual ao longo dos quilômetros que cruzam o estado.
Enquanto o impasse continua, rotas alternativas foram sugeridas para evitar o ponto de conflito. Quem segue para o norte precisa realizar desvios por estradas estaduais como a MS-278 e a MS-156. Já para quem viaja no sentido sul, a orientação é utilizar a BR-463 em direção a Ponta Porã, passando por Laguna Carapã até retomar o trajeto original. A comunidade, entretanto, permanece firme no acostamento, sustentando cartazes e clamando por uma justiça que vá além dos tribunais e que se manifeste em asfalto seguro para que outras famílias não precisem chorar seus mortos.
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