Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Tragédia das águas castiga cidades da Zona da Mata com dezenas de vítimas e buscas incessantes por desaparecidos

Equipes de resgate enfrentam lama e previsão de novas tempestades para localizar desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá
Imagem - Pilar Olivares
Imagem - Pilar Olivares

O cenário de destruição deixado pelas tempestades que atingiram a Zona da Mata mineira nesta semana revela uma das maiores catástrofes naturais da história recente da região. O balanço das perdas humanas subiu para sessenta e quatro mortos até a manhã desta sexta feira, transformando cidades antes pacatas em focos de uma operação de guerra comandada pelo Corpo de Bombeiros. As buscas concentram se agora na localização de cinco pessoas que permanecem desaparecidas sob toneladas de destroços e sedimentos que deslizaram das encostas, enquanto o tempo instável e a ameaça de novos temporais impõem uma corrida desesperada contra o relógio para os socorristas.

Juiz de Fora concentra a maior parte da tragédia com cinquenta e oito óbitos registrados em diversos bairros atingidos por enxurradas avassaladoras e desmoronamentos de terra. Já no município de Ubá, a fúria das águas provocou outras seis mortes e deixou um rastro de casas destruídas e ruas completamente bloqueadas. A mobilização de ajuda humanitária e técnica conta com o reforço de tropas e caminhões do Exército Brasileiro, que auxiliam na remoção de entulhos e no transporte de mantimentos para áreas que ficaram isoladas após a queda de pontes e o rompimento de estradas. O solo encharcado e a topografia acidentada da região dificultam a entrada de máquinas pesadas, exigindo que muitos dos trabalhos de busca sejam realizados manualmente com o auxílio de cães farejadores.

A preocupação das autoridades locais e da Defesa Civil é agravada pelo alerta de grande perigo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia para as próximas horas. Existe um risco iminente de novos transbordamentos, especialmente em relação ao rio Ubá, que já atingiu níveis críticos e ameaça inundar novamente as áreas baixas das cidades. O apelo para que os moradores de áreas mapeadas como de alto risco abandonem suas residências é constante, visando evitar que o número de vítimas cresça ainda mais. Escolas, igrejas e ginásios foram improvisados como abrigos temporários para acolher milhares de pessoas que perderam tudo e agora dependem da solidariedade pública para sobreviver.

Além do impacto imediato nas vidas humanas, a infraestrutura urbana das cidades da Zona da Mata foi severamente atingida, afetando o fornecimento de energia elétrica e a distribuição de água potável em diversos setores. Equipes de engenharia avaliam a estabilidade de encostas e edifícios que apresentam rachaduras profundas, tentando identificar quais áreas ainda podem ser habitadas e quais precisarão ser interditadas permanentemente. A situação é descrita como devastadora por quem percorre os bairros mais afetados, onde a força da correnteza arrastou veículos e destruiu estabelecimentos comerciais de longa data.

O suporte psicológico às famílias enlutadas e aos desabrigados também se tornou uma prioridade, visto que o trauma causado pela rapidez com que as águas subiram deixou a população em estado de choque. Enquanto as equipes de resgate mantêm a esperança de encontrar sobreviventes nos bolsões de ar sob os escombros, a comunidade regional se organiza em correntes de doações para garantir roupas, alimentos e produtos de higiene aos necessitados. O esforço conjunto entre esferas municipais, estaduais e federais busca estabelecer um plano de reconstrução que possa, a longo prazo, oferecer moradias seguras e sistemas de drenagem capazes de suportar o novo regime de chuvas intensas que assola o sudeste do país.

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