Mato Grosso do Sul, 17 de junho de 2026
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Servidor denuncia Secretário da Juventude por assédio sexual e estupro de vulnerável após demissão em Campo Grande

Acusação envolve ex-vereador e atual integrante da gestão de Adriane Lopes; fatos teriam ocorrido entre julho de 2025 e janeiro de 2026 e são investigados pela Polícia Civil
Secretário-Executivo da Juventude – Paulo Cesar Lands Filho - Imagem - PMCG
Secretário-Executivo da Juventude – Paulo Cesar Lands Filho - Imagem - PMCG

Um caso de grande repercussão atinge a estrutura da administração municipal de Campo Grande. O secretário executivo da Juventude, Paulo Cesar Lands Filho, de 38 anos, foi denunciado por um ex-servidor de 22 anos por assédio sexual e estupro de vulnerável. A denúncia foi formalizada na 3ª Delegacia de Polícia Civil da Capital e envolve relatos de episódios ocorridos entre julho de 2025 e janeiro de 2026.

De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem trabalhava diretamente subordinado ao secretário. A relação profissional, segundo ele, passou a sofrer mudanças ao longo do tempo, com aproximações que extrapolaram o ambiente de trabalho. O denunciante afirmou que, inicialmente, as interações pareciam comuns, mas evoluíram para atitudes consideradas invasivas.

O primeiro episódio relatado teria ocorrido em julho de 2025. Após o expediente, o secretário ofereceu carona ao servidor. Durante o trajeto pela Avenida Mato Grosso, quando estavam sozinhos no veículo, o secretário teria tocado as partes íntimas do jovem sem consentimento. O denunciante afirma que não reagiu no momento por medo de perder o emprego, já que dependia do cargo e estava sob subordinação direta.

Segundo o registro policial, após esse fato, passaram a ocorrer mensagens de teor sexual enviadas pelo superior hierárquico. O servidor relata que deixou claro não ter interesse em qualquer tipo de relacionamento e que se sentia desconfortável com as abordagens. Mesmo assim, afirma que as investidas continuaram, inclusive dentro do ambiente institucional.

O boletim aponta que, no local de trabalho, o secretário teria adotado comportamentos como abraços sem autorização, toques físicos e frases com conotação sexual. O jovem declarou que se sentia constrangido, mas temia denunciar ou confrontar a situação por receio de represálias administrativas.

Um dos pontos centrais da denúncia diz respeito a uma confraternização realizada em 12 de dezembro de 2025. Conforme relatado, houve consumo de bebida alcoólica durante o evento. O servidor afirma que ingeriu grande quantidade de álcool e ficou em condição de vulnerabilidade. Ao término da confraternização, o secretário teria novamente oferecido carona.

De acordo com o depoimento, em vez de ser levado para casa, o jovem foi conduzido à residência do secretário. Ele declarou que estava muito embriagado, com dificuldade até para entrar no carro, e que não se recorda de todos os detalhes da noite. Segundo o boletim, o denunciante afirma que teve as roupas retiradas sem consentimento e que sofreu ato sexual enquanto estava em condição de vulnerabilidade, sem capacidade de reação plena.

Após esse episódio, o servidor relata que passou a se sentir ainda mais pressionado. Segundo ele, o secretário teria intensificado o envio de mensagens e demonstrado comportamento controlador no ambiente de trabalho. O jovem afirma que se sentia observado e constantemente cobrado, o que aumentava o clima de tensão.

O boletim também registra um novo encontro ocorrido em 16 de janeiro de 2026. O servidor relata que aceitou outra carona após o expediente e que novamente foi levado à casa do secretário. No local, teria ocorrido tentativa de beijo na boca, evitada por ele. O denunciante afirma ainda que foi induzido a deitar na cama e recebeu carícias sem consentimento, além de comentários sobre seu corpo.

Segundo o relato, ao pedir para ir embora com receio de chegar atrasado ao trabalho e sofrer punições, ouviu que o secretário poderia chegar no horário que quisesse por ocupar cargo de chefia. O jovem afirma que se sentiu coagido diante da diferença de poder entre ambos.

Algum tempo depois, o servidor foi demitido. Ele acredita que o desligamento esteja relacionado ao fato de não corresponder às investidas e às reclamações feitas pelo secretário sobre sua atuação profissional.

O caso foi registrado como assédio sexual e estupro de vulnerável. A Polícia Civil deverá ouvir as partes envolvidas, analisar mensagens, possíveis registros de comunicação e verificar se há testemunhas que possam contribuir com as investigações. Como se trata de denúncia formal, o procedimento segue sob sigilo para preservar os envolvidos durante a apuração.

A Prefeitura de Campo Grande informou que a situação está sendo acompanhada e que qualquer medida administrativa será adotada conforme a legislação vigente, respeitando o devido processo legal. O secretário citado foi procurado, mas não apresentou posicionamento até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.

O episódio coloca em evidência a responsabilidade de gestores públicos em manter conduta ética e profissional, especialmente em relações hierárquicas. Especialistas destacam que, em ambientes de trabalho, a diferença de poder pode dificultar a denúncia de comportamentos inadequados, pois a vítima pode temer perda do emprego, perseguição ou danos à carreira.

Casos que envolvem possível abuso de autoridade e violência sexual exigem apuração técnica, respeito ao contraditório e garantia dos direitos de todos os envolvidos. A investigação deverá esclarecer se há elementos suficientes para eventual indiciamento e encaminhamento ao Ministério Público.

Enquanto isso, o caso segue sob análise das autoridades, com expectativa de novos desdobramentos à medida que depoimentos e provas forem incorporados ao inquérito.

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