Servidor municipal de Campo Grande denunciou o titular da Secretaria da Juventude, integrante da gestão da prefeita Adriane Lopes, por assédio e estupro de vulnerável. Após formalizar queixas administrativas e registrar boletim de ocorrência, ele foi demitido e, dias depois, reconduzido ao quadro da Prefeitura, sendo realocado para outra secretaria. O caso passou a ser investigado nas esferas criminal e administrativa.
Segundo o relato apresentado às autoridades, os episódios teriam começado em julho de 2025, período em que o servidor estava lotado na Secretaria da Juventude e subordinado diretamente ao então secretário. O jovem afirmou que o primeiro episódio ocorreu durante uma carona oferecida pelo chefe. No trajeto, o superior hierárquico teria tocado o servidor sem consentimento, causando constrangimento. O denunciante declarou que não reagiu por medo da relação de poder existente dentro da estrutura pública municipal.
Após esse fato, conforme o boletim de ocorrência, o comportamento do secretário teria se intensificado. O servidor relatou que passou a receber mensagens por aplicativo com conteúdo de conotação sexual, além de insinuações sobre um possível relacionamento. Mesmo após informar que era heterossexual e que não tinha interesse em qualquer envolvimento, as mensagens teriam continuado.
Dentro da Secretaria da Juventude, segundo o depoimento, as investidas também ocorreram no ambiente de trabalho. O jovem afirmou que o secretário fazia comentários de teor íntimo, utilizava frases sugestivas e tentava aproximações físicas quando estavam sozinhos na repartição. O clima, conforme relatado, tornou-se desconfortável e marcado por tensão constante.
O episódio mais grave, de acordo com a denúncia, ocorreu em 12 de dezembro de 2025, após uma confraternização de fim de ano. O servidor declarou que ingeriu bebida alcoólica durante o evento e estava visivelmente embriagado ao término da festa. Segundo afirmou, precisou de ajuda para entrar no veículo do secretário, que ofereceu carona.
Durante o trajeto, ainda conforme o relato, o secretário teria sugerido que ambos poderiam “ficar como casal nas férias”. Diante da recusa, o chefe teria afirmado que conseguiria qualquer coisa por ocupar cargo elevado na administração municipal. O servidor contou que foi levado até a residência do acusado.
No imóvel, segundo a denúncia, teve as roupas retiradas sem consentimento e sofreu ato sexual. Ele relatou que não se lembrava de todos os detalhes por causa do estado de embriaguez. Ao acordar, afirmou que estava sem roupas e que o secretário o abraçava. Disse ainda que se levantou, foi até a cozinha beber água, procurou o celular e as roupas antes de deixar o local.

O acusado é secretário de Adriane / Reprodução CMCG
Após o ocorrido, o servidor afirmou que o comportamento do chefe mudou parcialmente. As mensagens teriam diminuído, mas ele passou a se sentir observado e pressionado dentro da Secretaria da Juventude. Segundo o relato, havia vigilância constante sobre suas atividades, o que aumentou o clima de insegurança no ambiente profissional.
Diante da situação, o jovem decidiu formalizar duas denúncias administrativas dentro da própria Prefeitura. Pouco tempo depois, foi demitido. No mesmo dia do desligamento, procurou uma delegacia da Capital e registrou boletim de ocorrência detalhando todos os episódios.
A demissão levantou questionamentos, já que ocorreu após a formalização das queixas internas. Dias depois, o servidor foi chamado para comparecer a uma pasta municipal e informado de que seria reconduzido ao quadro funcional, porém em outra secretaria, sem qualquer vínculo com a Secretaria da Juventude ou com o secretário denunciado. Também recebeu orientação sobre possibilidade de acompanhamento psicológico.
À época, a Prefeitura informou que aguardaria a apuração dos fatos antes de adotar medidas definitivas e que qualquer providência seria tomada conforme a legislação. Não houve anúncio imediato de afastamento do secretário da Juventude, sob justificativa de que seria necessária investigação prévia.
O secretário denunciado negou as acusações e declarou que apresentaria provas de inocência às autoridades policiais. O caso passou a tramitar na esfera criminal, onde poderão ser analisados depoimentos, mensagens e demais elementos apresentados. Paralelamente, poderá ser instaurado procedimento administrativo disciplinar para avaliar eventual conduta incompatível com a função pública.
A situação gerou forte repercussão interna na administração municipal e levantou questionamentos sobre protocolos de prevenção ao assédio em relações hierárquicas no serviço público. Enquanto as investigações seguem, o servidor permanece exercendo suas funções na nova secretaria para a qual foi designado.
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