Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Polícia Federal prende dono do Banco Master em nova fase de operação contra crimes financeiros e lavagem de dinheiro

Terceira etapa da Operação Compliance Zero cumpre mandados autorizados pelo Supremo Tribunal Federal e determina bloqueio de ativos bilionários para interromper atividades ilícitas do grupo
Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Ana Paula Paiva
Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Ana Paula Paiva

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta feira a terceira fase da Operação Compliance Zero resultando na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro proprietário do Banco Master. A ação militar e investigativa foi devidamente autorizada pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal e tem como objetivo central desarticular uma organização criminosa suspeita de praticar crimes de corrupção lavagem de dinheiro e ameaça. Além da detenção do empresário a justiça determinou o sequestro e o bloqueio de bens no valor astronômico de até vinte e dois bilhões de reais para garantir a recuperação de ativos e interromper a movimentação financeira do grupo investigado.

As equipes policiais cumprem ao todo quatro mandados de prisão preventiva e quinze ordens de busca e apreensão distribuídas entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. O trabalho de inteligência contou com o suporte técnico fundamental do Banco Central do Brasil que auxiliou na identificação de fluxos financeiros atípicos e na análise de balanços patrimoniais. Além das prisões o tribunal determinou o afastamento de indivíduos de cargos públicos e a apreensão de dispositivos informáticos que podem conter provas de invasões de sistemas e manipulação de dados bancários para a obtenção de vantagens indevidas.

O histórico da investigação revela que o esquema criminoso envolvia a suposta fabricação de carteiras de crédito falsas. Títulos forjados no valor de dezessete bilhões de reais teriam sido comercializados com outras instituições financeiras sem a devida avaliação técnica ou lastro real. Na primeira fase da operação ocorrida no final do ano passado o ex presidente do Brb e Daniel Vorcaro já haviam sido alvos de buscas. A tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília por dois bilhões de reais chegou a ser anunciada mas foi prontamente rejeitada pelos órgãos reguladores devido às inconsistências fiscais apresentadas.

A prisão de Daniel Vorcaro ocorre em um momento de intensa movimentação nos bastidores políticos de Brasília. Apenas um dia antes da detenção o ministro André Mendonça havia decidido que o comparecimento do banqueiro à Cpi do Crime Organizado seria facultativo permitindo que a defesa optasse pela ida ou não ao depoimento parlamentar. Caso decidisse comparecer Vorcaro teria garantido o direito constitucional ao silêncio para não produzir provas contra si mesmo. A logística de um eventual transporte para o Senado Federal deveria ser realizada obrigatoriamente pela Polícia Federal em aeronaves oficiais ou comerciais sendo proibido o uso de aviões particulares.

A segunda fase da Operação Compliance Zero realizada em janeiro deste ano já havia resultado no bloqueio de quase seis bilhões de reais e no cumprimento de dezenas de mandados em cinco estados diferentes do país. O foco das autoridades agora se volta para a recuperação integral dos valores desviados e para a identificação de novos envolvidos que possam ter facilitado a lavagem de capitais através de empresas de fachada ou holding financeiras. A falência da instituição ligada ao banqueiro já havia sido decretada anteriormente reforçando o cenário de insolvência e práticas de gestão temerária que deram origem ao inquérito policial.

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro ainda não se manifestou oficialmente sobre os novos desdobramentos e sobre a legalidade da prisão preventiva decretada pela suprema corte. Enquanto isso o sistema financeiro nacional observa com atenção os impactos dessa operação na credibilidade do setor bancário privado e na fiscalização exercida pelo Banco Central. A Polícia Federal mantém as diligências em curso e não descarta novas fases da investigação caso os materiais apreendidos nesta quarta feira revelem ramificações do esquema em outras instituições financeiras ou em órgãos da administração pública estadual e federal.

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