Mato Grosso do Sul, 19 de junho de 2026
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Mulher morre após ataque com marreta dentro de casa e caso se torna o quinto feminicídio em 2026

Crime ocorreu na residência da família em Ponta Porã e tem como acusado um subtenente do Corpo de Bombeiros que foi preso logo após a agressão
Crime ocorreu dentro da casa da família, na tarde de terça-feira, em Ponta Porã
Crime ocorreu dentro da casa da família, na tarde de terça-feira, em Ponta Porã

A morte de Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, confirmada nesta sexta-feira, transformou um caso de violência doméstica em mais um feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano. A vítima havia sido brutalmente agredida com golpes de marreta dentro da própria casa, na cidade de Ponta Porã, na região de fronteira com o Paraguai. O principal suspeito do crime é o marido dela, o subtenente do Corpo de Bombeiros Elianderson Duarte, de 45 anos, que foi preso pouco tempo depois da agressão.

O caso ocorreu no fim da tarde de terça-feira, na residência onde o casal vivia com os filhos, localizada na Rua Cacique, na região da Vila Reno. A violência foi descoberta após vizinhos ouvirem movimentação e perceberem a gravidade da situação dentro do imóvel. Quando chegaram ao local, encontraram Liliane caída no chão, inconsciente, com ferimentos graves na cabeça e no rosto, além de intenso sangramento.

Moradores da região tentaram prestar os primeiros socorros enquanto acionavam a Polícia Militar e equipes de resgate. Pouco tempo depois, o Corpo de Bombeiros realizou o atendimento inicial e encaminhou a vítima em estado gravíssimo para o Hospital Regional de Ponta Porã, onde ela permaneceu internada sob cuidados intensivos.

Apesar dos esforços da equipe médica, o quadro clínico da vítima se agravou nos dias seguintes. O protocolo de morte cerebral foi iniciado na quarta-feira e, nesta sexta-feira, a morte foi oficialmente confirmada. Com a confirmação do óbito, o caso passou a ser tratado como feminicídio consumado, elevando para cinco o número de mulheres assassinadas por violência de gênero em Mato Grosso do Sul em 2026.

Enquanto a vítima era socorrida, o suspeito tentou fugir do local. De acordo com as informações apuradas, o subtenente Elianderson Duarte deixou a residência e tentou escapar a pé pelas ruas próximas ao imóvel. Moradores perceberam a tentativa de fuga e avisaram rapidamente as autoridades.

Policiais civis que estavam na delegacia da cidade foram alertados e iniciaram imediatamente as buscas pelo suspeito. Ele foi localizado na Rua Humaitá, nas proximidades do bairro onde ocorreu o crime. Quando os agentes chegaram ao local, encontraram o militar caído no chão, já contido por moradores da região.

No momento da abordagem, Elianderson Duarte se identificou como integrante do 4º Grupamento de Bombeiros Militar. Ele afirmou que teria agido em legítima defesa e declarou aos policiais que a esposa teria tentado atacá-lo com duas facas de serra. Mesmo com a alegação apresentada, o militar recebeu voz de prisão e foi encaminhado para a delegacia.

Durante o depoimento prestado posteriormente às autoridades, o suspeito optou por permanecer em silêncio. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do crime e analisar todos os elementos encontrados no local.

A cena encontrada pelos investigadores revelou sinais claros de violência. Dentro da residência, os policiais localizaram uma marreta com marcas de sangue, apontada como a possível arma utilizada na agressão. Também foram apreendidas duas facas de serra que estavam próximas ao suspeito no momento da prisão.

Além da vítima fatal, os três filhos do casal também foram atingidos pela violência ocorrida dentro da casa. Um adolescente de 15 anos e uma jovem de 17 apresentavam lesões na região da cabeça e sinais de sangramento. Ambos foram levados para atendimento médico após serem socorridos por moradores da vizinhança.

O filho mais novo, de 13 anos, não sofreu ferimentos físicos, mas apresentou forte abalo emocional diante da situação presenciada dentro da própria casa. Ele também recebeu atendimento médico e psicológico após o episódio.

Inicialmente, quando a ocorrência foi registrada pela Polícia Militar, o caso havia sido classificado como lesão corporal grave e tentativa de feminicídio, já que a vítima ainda estava internada e seu estado de saúde era considerado extremamente delicado.

Com a confirmação da morte de Liliane e a avaliação das lesões sofridas pelos filhos, a tipificação do caso foi atualizada pelas autoridades responsáveis pela investigação. Agora o processo envolve feminicídio consumado em relação à esposa, tentativa de feminicídio contra a filha e tentativa de homicídio qualificado contra o filho do meio.

No momento da detenção, o subtenente também apresentava escoriações pelo corpo e reclamava de dores nos pés. Ele afirmou que teria sido agredido por moradores antes da chegada da polícia. Diante da situação, foi encaminhado para atendimento médico no hospital da Cassems de Ponta Porã, onde permaneceu sob escolta policial.

O oficial de dia do 4º Grupamento de Bombeiros Militar acompanhou o encaminhamento do militar para a unidade de saúde e também as medidas adotadas pelas autoridades policiais.

Ainda nos primeiros dias após o crime, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul divulgou posicionamento oficial sobre o caso envolvendo um integrante da corporação. A instituição manifestou repúdio a qualquer forma de violência contra mulheres e informou que está colaborando com as investigações conduzidas pelas autoridades responsáveis.

Também foram adotadas medidas administrativas internas para apurar a conduta do militar e acompanhar o andamento do processo judicial. O suspeito permanece preso e deverá responder pelos crimes apontados na investigação, enquanto o caso segue sob análise das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos.

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