Mato Grosso do Sul inicia uma nova etapa no fortalecimento da agricultura familiar com a implantação de um programa estruturante voltado à expansão da energia elétrica de qualidade no meio rural. O MS Trifásico surge como uma resposta direta a uma demanda histórica de produtores que conviviam com limitações técnicas no fornecimento de energia, fator que restringia o crescimento da produção e dificultava a adoção de tecnologias no campo.
A proposta prevê a instalação de aproximadamente 2 mil quilômetros de rede trifásica até o ano de 2028, alcançando regiões que, por décadas, enfrentaram dificuldades para expandir suas atividades produtivas. O investimento total gira em torno de R$ 172 milhões, resultado de uma parceria entre o governo estadual e a concessionária Energisa, responsável pela execução das obras.
O impacto direto da iniciativa atinge cerca de 15 mil moradores distribuídos em 74 assentamentos rurais localizados em 17 municípios. Já na primeira fase do programa, mais de 7 mil pessoas passam a contar com energia elétrica mais estável e potente, o que abre caminho para modernização das propriedades e aumento da produtividade.
A ampliação da rede trifásica representa uma mudança significativa na realidade do campo. Diferente do sistema convencional, esse modelo permite maior capacidade de carga, garantindo o funcionamento de equipamentos mais robustos, como ordenhadeiras, sistemas de irrigação, resfriadores de leite, agroindústrias de pequeno porte e outras tecnologias essenciais para o desenvolvimento rural.
O avanço da infraestrutura energética também cria condições para diversificação da produção, permitindo que pequenos produtores ampliem suas atividades e agreguem valor aos produtos. Com energia mais eficiente, torna-se viável investir em processamento, armazenamento e comercialização, reduzindo perdas e aumentando a renda das famílias.
Além da implantação da rede, o programa contempla a instalação de cerca de 500 transformadores, ampliando a distribuição e garantindo maior estabilidade no fornecimento. A medida é considerada fundamental para acompanhar o crescimento do consumo de energia no estado, que vem registrando aumento significativo nos últimos anos, impulsionado pela expansão econômica.
A iniciativa tem foco prioritário na agricultura familiar, incluindo assentados da reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas. Esses grupos, historicamente afetados pela falta de infraestrutura adequada, passam a ter acesso a condições mais justas para desenvolver suas atividades e competir no mercado.
O programa também se integra a outras políticas públicas voltadas ao campo, como ações de incentivo à produção, apoio técnico e investimentos em logística. Durante o lançamento, foi autorizada uma nova etapa do Programa Pró-Fertiliza, que destina recursos para o transporte de insumos agrícolas, beneficiando diretamente pequenos produtores e fortalecendo a base produtiva rural.
Outra frente importante envolve a entrega de equipamentos e soluções voltadas à sustentabilidade, como kits fotovoltaicos e veículos para apoio às atividades de extrativismo e sistemas agroflorestais. Essas ações ampliam a capacidade produtiva ao mesmo tempo em que promovem práticas ambientalmente responsáveis.
A expansão da energia trifásica também contribui para fixar o homem no campo, reduzindo o êxodo rural e melhorando a qualidade de vida das famílias. Com acesso a energia confiável, comunidades rurais passam a ter melhores condições de acesso a serviços, educação e conectividade, fatores que influenciam diretamente no desenvolvimento social.
O avanço do programa reforça uma estratégia de longo prazo voltada à modernização do setor rural em Mato Grosso do Sul, consolidando a agricultura familiar como peça fundamental na economia estadual. Ao garantir infraestrutura adequada, o estado cria um ambiente favorável para novos investimentos e para o crescimento sustentável da produção.
Com a execução prevista até 2028, o MS Trifásico se posiciona como um dos principais projetos de transformação do meio rural, ao alinhar desenvolvimento econômico, inclusão social e inovação tecnológica em uma mesma política pública.
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