Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Fintech desaparece com quase R$ 1 bilhão e deixa milhares de investidores em desespero no Brasil

Clientes da Naskar Gestão de Ativos relatam sumiço de pagamentos, aplicativo fora do ar, falta de respostas dos sócios e medo de perder economias acumuladas ao longo de anos de trabalho
Trio de sócios da Naskar Gestão de Ativos não dá notícias há dias, criando nos clientes a sensação de golpe
Trio de sócios da Naskar Gestão de Ativos não dá notícias há dias, criando nos clientes a sensação de golpe

O desaparecimento repentino da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda. provocou uma onda de desespero entre investidores de várias regiões do Brasil e colocou sob investigação uma movimentação financeira que pode ultrapassar R$ 900 milhões. A empresa, que atuava há mais de uma década no mercado prometendo altos rendimentos mensais aos clientes, interrompeu operações, deixou de efetuar pagamentos previstos e passou dias sem prestar esclarecimentos concretos aos investidores.

O caso ganhou repercussão nacional após centenas de clientes relatarem dificuldades para acessar o aplicativo da empresa, ausência de depósitos mensais e total falta de comunicação por parte dos responsáveis pela fintech. A situação gerou forte temor de um possível golpe financeiro envolvendo milhares de pessoas que confiaram grandes quantias à empresa.

A Naskar tinha atuação concentrada no Distrito Federal e em São Paulo, mas captava recursos em diversas regiões do país. A empresa trabalhava oferecendo rendimento de aproximadamente 2% ao mês, percentual considerado muito acima da média praticada pelo mercado financeiro tradicional. A promessa de retorno elevado acabou atraindo empresários, aposentados, servidores públicos, profissionais liberais e investidores em busca de renda mensal.

Segundo relatos de clientes, os pagamentos referentes aos rendimentos mensais deveriam ter sido feitos na segunda-feira, dia 4 de maio. No entanto, os depósitos não ocorreram. Desde então, investidores passaram a tentar contato com a empresa e com os sócios, mas afirmam que não obtiveram respostas.

A fintech pertence aos sócios Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido nacionalmente como Maurício Jahu, ex-jogador de vôlei e apresentador de televisão. Os três deixaram de atender telefonemas, não respondem mensagens e também não fizeram atualizações recentes nas redes sociais, aumentando ainda mais a preocupação dos investidores.

Além do silêncio dos sócios, outro fator que agravou a crise foi a paralisação do aplicativo utilizado pelos clientes para acompanhar investimentos e movimentações financeiras. O sistema está fora do ar há dias, impossibilitando consultas de saldo, pedidos de resgate e acompanhamento das aplicações.

Na manhã desta sexta-feira, a empresa divulgou uma nota afirmando que enfrentou uma suposta “perda na base de dados” e que realiza um processo interno de auditoria. Segundo o comunicado, equipes técnicas trabalham na reorganização das informações e a expectativa seria iniciar contato com os clientes ao longo da próxima semana.

Mesmo assim, a explicação não reduziu a tensão entre investidores. Muitos afirmam que o desaparecimento dos pagamentos, o bloqueio do aplicativo e a falta de comunicação direta aumentaram a sensação de insegurança e de possível fraude financeira.

O caso ganhou ainda mais repercussão devido aos altos valores envolvidos. Há relatos de investidores com milhões de reais aplicados na plataforma. Um empresário afirmou possuir R$ 3,9 milhões investidos na fintech. Outro cliente relatou ter R$ 2,3 milhões aplicados. Um aposentado declarou ter colocado R$ 1 milhão na empresa acreditando na promessa de estabilidade financeira e rendimento contínuo.

A situação abalou profundamente diversas famílias que dependiam dos rendimentos mensais pagos pela empresa para manter despesas básicas, aposentadoria e investimentos pessoais.

Entre os casos mais dramáticos está o do empresário Wesley Albuquerque, de 40 anos, morador do Distrito Federal. Além de investir recursos próprios na Naskar, ele também atuava na captação de clientes para a fintech por meio de contratos de prestação de serviços.

Segundo Wesley, ao longo dos últimos anos ele ajudou a levar 135 clientes para a empresa. Somados, os investimentos dessas pessoas ultrapassariam R$ 47 milhões. O empresário afirma que acreditava na solidez da fintech devido ao tempo de atuação da empresa no mercado e ao histórico de pagamentos realizados regularmente durante anos.

Ele relatou que a confiança aumentou gradualmente até o ponto de concentrar praticamente todo o patrimônio na plataforma financeira. Wesley também convenceu familiares próximos a investirem na empresa, incluindo a própria mãe, que teria aplicado recursos obtidos com a venda de um imóvel.

O empresário descreveu o momento atual como um dos mais difíceis de sua vida e afirmou que enfrenta problemas emocionais desde o desaparecimento da fintech. Segundo ele, muitas famílias estão em situação de desespero diante da possibilidade de perder todas as economias acumuladas ao longo de décadas de trabalho.

Nas redes sociais e em plataformas de reclamação na internet, clientes relatam dificuldades para acessar valores investidos e afirmam que não conseguem obter qualquer posicionamento concreto da empresa. Alguns investidores dizem que não sabem como irão pagar contas e manter compromissos financeiros nos próximos meses caso o dinheiro não seja devolvido.

Especialistas do mercado financeiro alertam que promessas de rendimento elevado e constante acima da média exigem cautela por parte dos investidores. Retornos muito superiores aos praticados por bancos e fundos tradicionais geralmente envolvem operações de maior risco e exigem fiscalização rigorosa dos órgãos reguladores.

A Polícia Civil do Distrito Federal já iniciou investigações para apurar o caso. A apuração busca identificar a origem dos recursos captados, a movimentação financeira da empresa e verificar se houve crimes contra o sistema financeiro, fraude, estelionato ou gestão irregular de investimentos.

Investigadores também deverão analisar contratos firmados com clientes, fluxo de pagamentos realizados pela fintech e eventual ocultação de patrimônio. O caso pode ganhar dimensão ainda maior devido à quantidade de investidores afetados e aos altos valores envolvidos.

Enquanto a investigação avança, milhares de clientes seguem sem respostas definitivas e vivem dias de incerteza sobre o destino do dinheiro aplicado na empresa. O temor de perdas milionárias transformou a crise da Naskar em um dos casos financeiros mais comentados do país nos últimos dias.

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