Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Ex-secretário de obras de Campo Grande é preso em operação do MPMS e governo decide exonerar diretor da Agesul

Investigação sobre contratos de tapa-buracos e manutenção viária provoca prisão de Rudi Fiorese, cumprimento de mandados em órgãos públicos e amplia pressão sobre contratos de infraestrutura na Capital
Rudi Fiorese foi preso durante operação. (Reprodução, Instagram)
Rudi Fiorese foi preso durante operação. (Reprodução, Instagram)

A manhã desta terça-feira (12) foi marcada por forte movimentação policial em Campo Grande durante uma operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção, ligado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que teve como principal alvo o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos da Capital, Rudi Fiorese. A investigação apura supostas irregularidades em contratos relacionados a serviços de tapa-buracos e manutenção de vias urbanas firmados durante o período em que ele esteve à frente da Sisep.

A ofensiva mobilizou equipes do Gecoc logo nas primeiras horas do dia e resultou no cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes pontos da cidade. Ao todo, sete pessoas foram presas na operação, embora o Ministério Público ainda não tenha divulgado oficialmente a identidade de todos os investigados nem os detalhes completos sobre os crimes apurados.

Rudi Fiorese foi preso em um apartamento localizado no Edifício Solar das Garças, na região central de Campo Grande. Segundo relatos de moradores do condomínio, várias viaturas descaracterizadas chegaram ao local ainda durante a madrugada, acompanhadas de agentes do Ministério Público. A movimentação chamou atenção dos vizinhos devido à entrada silenciosa das equipes e ao grande aparato utilizado durante a ação.

Moradores afirmaram que os agentes permaneceram por várias horas no imóvel realizando buscas e recolhendo documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais considerados importantes para o avanço das investigações. A saída das equipes ocorreu já no período da manhã, quando um veículo entrou na garagem do condomínio para auxiliar na retirada de materiais apreendidos.

Apesar de ter sido preso por fatos relacionados ao período em que ocupava a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese atualmente exercia o cargo de diretor-presidente da Agesul, órgão estadual responsável pela execução e fiscalização de obras públicas estratégicas em Mato Grosso do Sul. Ele havia assumido a função no início deste ano, passando a comandar projetos ligados à infraestrutura rodoviária, drenagem, pontes e obras urbanas em diferentes municípios do Estado.

A repercussão da operação provocou reação imediata do Governo de Mato Grosso do Sul. Horas após a prisão, foi tomada a decisão de exonerar Rudi Fiorese da presidência da Agesul. O desligamento deve ser oficializado por meio de publicação no Diário Oficial do Estado. Nos bastidores políticos, a permanência do engenheiro no cargo passou a ser considerada inviável diante da gravidade das investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística informou que acompanha o desenrolar da operação e ressaltou que os fatos investigados estão relacionados ao período anterior à atuação de Fiorese no governo estadual. O comunicado também destacou o compromisso da administração estadual com a transparência e a legalidade na gestão pública.

Além da prisão do ex-secretário, mandados de busca e apreensão também foram cumpridos na sede da Sisep, localizada no Jardim Monumento. Equipes do Ministério Público recolheram processos administrativos, contratos, documentos internos e arquivos relacionados aos serviços de tapa-buracos e manutenção de vias não pavimentadas executados desde 2019.

A movimentação na secretaria começou ainda antes do expediente, impedindo temporariamente a entrada de servidores enquanto os agentes realizavam as diligências. O trabalho de coleta de documentos durou várias horas e chamou atenção de funcionários e moradores da região.

As investigações giram em torno de contratos milionários firmados para recuperação asfáltica e manutenção urbana em Campo Grande. O Ministério Público apura possíveis irregularidades na execução dos serviços, pagamentos realizados, medições de obras e eventual favorecimento em contratos públicos. Até o momento, porém, os promotores responsáveis pelo caso não divulgaram oficialmente quais crimes são atribuídos aos investigados.

A gestão de Rudi Fiorese na Sisep ocorreu entre os anos de 2017 e 2023, período marcado por grandes contratos de manutenção viária na Capital. Na época, Campo Grande enfrentava críticas constantes da população devido à situação das ruas, principalmente durante períodos chuvosos, quando os problemas com buracos aumentavam em diferentes regiões da cidade.

A operação também lança novos questionamentos sobre a fiscalização de contratos públicos ligados à infraestrutura urbana. Especialistas apontam que os serviços de tapa-buracos costumam movimentar cifras elevadas nas administrações municipais devido à necessidade permanente de manutenção das vias e à contratação contínua de empresas terceirizadas.

Outro ponto que chama atenção dos investigadores é a duração dos contratos analisados e a frequência dos aditivos financeiros realizados ao longo dos anos. O Ministério Público busca entender se houve superfaturamento, pagamentos indevidos ou execução abaixo do previsto em contratos relacionados à manutenção das ruas da Capital.

Até o momento, nem o ex-prefeito Marquinhos Trad nem a prefeita Adriane Lopes comentaram oficialmente o caso. A defesa de Rudi Fiorese também ainda não se pronunciou sobre as acusações investigadas pelo Ministério Público.

Nos bastidores políticos, a operação provocou forte repercussão devido ao peso do cargo ocupado por Fiorese tanto na administração municipal quanto no governo estadual. A prisão de um ex-secretário com atuação em áreas estratégicas de infraestrutura amplia a pressão sobre contratos públicos e reforça o avanço das investigações envolvendo obras urbanas em Campo Grande.

O Ministério Público segue analisando documentos e materiais apreendidos durante a operação. Novas fases da investigação não estão descartadas e outras medidas judiciais poderão ser adotadas nos próximos dias conforme o andamento das apurações.

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