Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Rudi Fiorese e grupo investigado por fraudes milionárias no tapa-buraco são levados algemados para presídio da Capital

Justiça mantém prisão preventiva de sete investigados apontados como integrantes de esquema que teria desviado milhões em contratos de manutenção asfáltica na Capital
Mehdi Talayeh, Erik Valadão, Rudi Fiorese, Edivaldo Pereira e Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa
Mehdi Talayeh, Erik Valadão, Rudi Fiorese, Edivaldo Pereira e Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa

Os sete investigados presos durante a Operação Buraco Sem Fim deixaram a sede policial sob forte esquema de segurança e foram encaminhados algemados ao Centro de Triagem de Campo Grande após decisão da Justiça que manteve as prisões preventivas. O grupo é acusado de participação em um esquema milionário de fraudes em contratos de tapa-buraco ligados à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.

Entre os presos está Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura e um dos principais nomes investigados na operação conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção. Também permanecem presos o ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep, Mehdi Talayeh; o ex-gerente de manutenção viária, Edivaldo Aquino Pereira; os ex-servidores Fernando de Souza Oliveira e Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula; além dos empresários Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa e Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, ligados à Construtora Rial.

A investigação aponta que o grupo teria atuado de forma organizada para fraudar medições de serviços executados em contratos de manutenção de vias públicas firmados desde 2018. Segundo os investigadores, o esquema envolvia manipulação de relatórios técnicos, pagamentos indevidos e liberações financeiras incompatíveis com os serviços realmente executados nas ruas da Capital.

As prisões ocorreram durante a deflagração da Operação Buraco Sem Fim, que mobilizou equipes de combate à corrupção, policiais e promotores em diversos endereços de Campo Grande. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis ligados aos investigados, empresas e residências particulares.

Durante a ação, um dos pontos que mais chamou atenção foi a apreensão de grandes quantias em dinheiro vivo. Somados, os valores encontrados chegaram a pelo menos R$ 429 mil em espécie. Apenas no endereço ligado a Rudi Fiorese foram localizados R$ 186 mil em dinheiro guardado no imóvel.

Em outro endereço alvo da operação, os investigadores encontraram mais R$ 233 mil em notas de real. A origem dos valores agora faz parte das apurações conduzidas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Os investigados passaram por audiência de custódia, procedimento obrigatório previsto pela legislação brasileira para verificar se os presos tiveram seus direitos garantidos no momento da prisão. Após análise judicial, a Justiça decidiu manter todos presos preventivamente diante da gravidade das acusações e dos indícios apresentados pela investigação.

A decisão também considerou o risco de interferência na produção de provas, possível destruição de documentos e eventual influência sobre testemunhas ligadas ao esquema investigado.

Conforme as apurações, os contratos investigados somam mais de R$ 113 milhões entre valores originais e aditivos firmados ao longo dos últimos anos. Parte significativa dos recursos teria sido destinada a serviços de tapa-buraco em diferentes regiões de Campo Grande.

Os investigadores sustentam que havia diferença entre os serviços efetivamente executados e os pagamentos realizados pela administração pública. Em alguns casos, a suspeita é de medições infladas para justificar repasses superiores aos trabalhos realizados nas vias urbanas.

Além do possível prejuízo financeiro aos cofres públicos, a investigação também destaca os impactos diretos na qualidade da pavimentação da cidade. Segundo os promotores responsáveis pelo caso, a população continuava convivendo com ruas deterioradas mesmo diante dos altos valores pagos nos contratos.

A operação provocou forte repercussão política e administrativa em Mato Grosso do Sul, principalmente por envolver nomes conhecidos da administração pública municipal e contratos considerados estratégicos para infraestrutura urbana da Capital.

Após a prisão dos investigados, advogados de defesa afirmaram que ainda aguardam acesso completo ao processo e aos documentos da investigação. A expectativa é de que pedidos de liberdade sejam apresentados nos próximos dias ao Poder Judiciário.

Enquanto isso, os presos seguem custodiados no Centro de Triagem de Campo Grande, onde permanecerão à disposição da Justiça durante o andamento das investigações e possíveis novas etapas da operação.

Nos bastidores políticos e administrativos, o caso aumentou a pressão por fiscalização mais rígida em contratos públicos ligados à infraestrutura urbana, especialmente serviços de manutenção asfáltica, alvo frequente de reclamações da população.

A Operação Buraco Sem Fim também trouxe novamente à tona discussões sobre transparência nos contratos públicos, fiscalização de obras e controle dos recursos destinados à recuperação de vias urbanas na Capital sul-mato-grossense.

A investigação continua em andamento e novas diligências ainda não estão descartadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

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