Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Procon-MS inicia audiências de conciliação após caos no show do Guns N’ Roses e número de reclamações dispara em Campo Grande

Consumidores relatam congestionamentos gigantescos, demora para acessar o evento, falhas na organização e prejuízos durante apresentação internacional realizada na Capital sul-mato-grossense
Trânsito caótico no acesso ao show do Guns N'Roses - (Foto: Reprodução)
Trânsito caótico no acesso ao show do Guns N'Roses - (Foto: Reprodução)

O Procon Mato Grosso do Sul deu início às audiências de conciliação envolvendo consumidores e a empresa responsável pela realização do show da banda Guns N’ Roses, realizado em abril deste ano em Campo Grande. A medida ocorre após o aumento expressivo de reclamações relacionadas aos transtornos enfrentados pelo público durante o acesso ao evento internacional promovido no Autódromo da Capital.

Até o momento, o órgão estadual já contabiliza 232 reclamações formalizadas por consumidores que afirmam ter enfrentado problemas graves de mobilidade, filas extensas, falhas na leitura de ingressos digitais e demora excessiva na entrada do local onde ocorreu o espetáculo.

As audiências acontecem de forma presencial e também por modalidade on-line, com pautas individuais organizadas exclusivamente para atender os consumidores prejudicados. A iniciativa busca promover acordos administrativos entre as partes antes que os casos avancem para outras medidas legais.

A movimentação na sede do Procon-MS aumentou nos últimos dias devido à grande procura de fãs que decidiram formalizar reclamações após os problemas registrados no evento musical, considerado um dos maiores shows internacionais realizados recentemente em Mato Grosso do Sul.

O show do Guns N’ Roses aconteceu no dia 9 de abril e reuniu milhares de pessoas vindas de várias regiões do Estado, além de caravanas organizadas de cidades vizinhas e até de outros estados brasileiros. A expectativa em torno da apresentação histórica da banda mobilizou hotéis, restaurantes, empresas de transporte e o comércio local da Capital.

Entretanto, o que seria uma grande celebração para os fãs acabou marcado por dificuldades operacionais que provocaram revolta entre consumidores. O principal problema ocorreu no acesso ao local do evento, especialmente na BR-262, onde motoristas enfrentaram congestionamentos considerados históricos para eventos na região.

Em alguns trechos, a fila de veículos ultrapassou 14 quilômetros de lentidão. Consumidores relataram que permaneceram presos no trânsito por até sete horas sem orientação adequada, enfrentando dificuldades para avançar até o autódromo.

Diante do congestionamento intenso, muitas pessoas abandonaram carros e ônibus fretados no acostamento e seguiram caminhando por quilômetros até o local do show numa tentativa de conseguir assistir parte da apresentação.

Além da lentidão nas rodovias, consumidores também denunciaram falhas no controle de acesso ao evento. Muitos relataram problemas na leitura dos QR Codes dos ingressos digitais, demora nas catracas e falta de organização nas filas.

Segundo os relatos apresentados ao Procon, parte do público conseguiu entrar somente após o início do show, enquanto outros consumidores afirmam ter perdido músicas importantes da apresentação devido ao atraso provocado pelos problemas operacionais.

A situação gerou forte repercussão nas redes sociais e ampliou o número de reclamações registradas oficialmente. Inicialmente, apenas 17 consumidores haviam formalizado denúncias logo após o evento. Com o passar dos dias e a divulgação dos relatos, o número subiu rapidamente para mais de 160 registros e agora alcança 232 ocorrências.

O Procon informou que os processos seguem as normas previstas pelo Código de Defesa do Consumidor e pela legislação estadual que regulamenta infrações nas relações de consumo em Mato Grosso do Sul.

O órgão explicou que atua na esfera administrativa e tenta construir acordos entre consumidores e empresa promotora do evento. Caso não haja conciliação entre as partes, os processos poderão avançar para análise mais aprofundada, inclusive com possibilidade de aplicação de sanções administrativas.

Outro ponto destacado pelas autoridades envolve as falhas no plano de mobilidade apresentado pela organização do espetáculo. A Polícia Rodoviária Federal também identificou dificuldades operacionais relacionadas ao fluxo de veículos, controle de trânsito e acesso ao local do evento.

Entre os problemas apontados estavam falhas no direcionamento de veículos, ausência de suporte adequado em alguns pontos estratégicos e lentidão excessiva no acesso ao estacionamento.

A empresa organizadora aderiu posteriormente ao sistema eletrônico de Carta de Informação Preliminar, mecanismo que deve permitir respostas mais rápidas para futuras reclamações registradas por consumidores.

Nos bastidores, o episódio passou a ser tratado como um alerta para realização de grandes eventos em Campo Grande, principalmente em relação à necessidade de planejamento logístico, segurança viária e estrutura de atendimento ao público.

Especialistas apontam que eventos internacionais com grande concentração de pessoas exigem planejamento detalhado envolvendo trânsito, estacionamento, controle de acesso, tecnologia de validação de ingressos e integração entre organizadores e órgãos de segurança pública.

Enquanto as audiências de conciliação continuam acontecendo, consumidores aguardam possíveis acordos relacionados a prejuízos financeiros e transtornos enfrentados durante o evento.

A expectativa é que novas sessões ainda sejam realizadas nas próximas semanas diante do alto número de reclamações registradas pelo órgão de defesa do consumidor.

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