Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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UEMS coloca Mato Grosso do Sul no centro da cooperação científica internacional com imersão inédita no Pantanal

Parceria entre universidade sul-mato-grossense e instituição britânica transforma o Pantanal em laboratório vivo global para debates sobre sustentabilidade, bioeconomia, mudanças climáticas e inovação científica
Imagem Capa: Chico Ribeiro/SECOM
Imagem Capa: Chico Ribeiro/SECOM

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul dará um passo estratégico no fortalecimento da internacionalização acadêmica e da produção científica voltada à sustentabilidade ao liderar uma ampla cooperação internacional com a University of Birmingham, uma das mais tradicionais instituições de ensino superior do Reino Unido. A iniciativa marca uma nova etapa para a ciência produzida em Mato Grosso do Sul e projeta o Pantanal como referência mundial em pesquisas ambientais, bioeconomia e desenvolvimento sustentável.

O programa “Immerse Pantanal: Interdisciplinary Transnational Education for Sustainable Bioeconomy” reunirá estudantes, pesquisadores, especialistas e representantes acadêmicos brasileiros e britânicos em uma imersão interdisciplinar dentro do território pantaneiro. A proposta envolve atividades científicas, experiências de campo, intercâmbio cultural e debates sobre soluções sustentáveis para os desafios ambientais enfrentados pelo bioma.

A programação acontecerá em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, passando por Campo Grande, Bonito, Aquidauana, Anastácio e comunidades indígenas localizadas no Pantanal sul-mato-grossense. A ação contará ainda com apoio institucional e logístico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.

O projeto será coordenado pela UEMS por meio do CORAL, Centro Observatório das Rotas Latino-Americanas, em articulação com programas de pós-graduação, pesquisadores, centros de pesquisa e instituições parceiras. A proposta consolida a universidade sul-mato-grossense como protagonista de uma rede internacional voltada à produção de conhecimento científico aplicado à sustentabilidade.

A iniciativa transforma o Pantanal em um verdadeiro laboratório vivo internacional, permitindo que estudantes brasileiros e estrangeiros acompanhem de perto os impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas, pelas secas extremas, pelos incêndios florestais e pela pressão econômica sobre áreas naturais.

Além das atividades acadêmicas tradicionais, os participantes terão contato direto com experiências ligadas à agroecologia, turismo científico, bioeconomia, agricultura familiar, reflorestamento de espécies nativas, conservação ambiental e valorização de saberes tradicionais e indígenas.

A Unidade Universitária da UEMS em Aquidauana terá papel central na programação. O campus é considerado estratégico para pesquisas ligadas à sustentabilidade, manejo ambiental, piscicultura, conservação do solo, zootecnia, engenharia florestal e produção sustentável voltada ao Pantanal.

A estrutura instalada na região permitirá aos participantes conhecer projetos científicos desenvolvidos diretamente no território pantaneiro, com pesquisas aplicadas à preservação ambiental e à construção de alternativas econômicas sustentáveis para as comunidades locais.

A proposta também amplia a inserção internacional de Mato Grosso do Sul em debates globais sobre preservação ambiental, ciência climática e inovação sustentável. A universidade busca consolidar um modelo permanente de cooperação acadêmica internacional envolvendo pesquisa, ensino, extensão e desenvolvimento tecnológico.

Outro ponto considerado estratégico no programa é o diálogo entre conhecimento científico e saberes ancestrais. Comunidades indígenas e populações tradicionais participarão das atividades, permitindo a troca de experiências sobre convivência sustentável com o bioma pantaneiro.

Os estudantes britânicos e brasileiros serão divididos em equipes multidisciplinares para discutir problemas ambientais e apresentar propostas voltadas ao enfrentamento dos desafios climáticos e sociais do Pantanal. Entre os trabalhos previstos estão ensaios científicos, produções audiovisuais e projetos voltados à sustentabilidade regional.

A cooperação também reforça a participação da universidade nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente em áreas ligadas à educação de qualidade, preservação ambiental, redução das desigualdades, inovação tecnológica e ação climática.

O intercâmbio surge em um momento de crescente preocupação internacional com o futuro do Pantanal, considerado a maior área úmida tropical do planeta e um dos ecossistemas mais importantes do mundo em biodiversidade.

Nos últimos anos, o bioma passou a enfrentar ciclos severos de estiagem, incêndios florestais de grandes proporções e impactos provocados pela expansão intensiva de atividades econômicas. A situação elevou o Pantanal ao centro das discussões ambientais globais.

A parceria entre a UEMS e a University of Birmingham foi construída após uma série de articulações acadêmicas e institucionais realizadas ao longo dos últimos anos. O fortalecimento da cooperação ocorreu após mobilidades internacionais, reuniões técnicas e visitas institucionais promovidas entre representantes das duas universidades.

A expectativa da universidade sul-mato-grossense é que o programa deixe resultados permanentes para Mato Grosso do Sul, incluindo o fortalecimento da bioeconomia regional, do turismo científico e da produção de pesquisas voltadas à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável.

O projeto também busca criar uma rede transnacional permanente de pesquisa científica aplicada ao Pantanal, ampliando a participação de Mato Grosso do Sul nos principais debates internacionais sobre mudanças climáticas, sustentabilidade e conservação ambiental.

O programa integra uma série internacional de experiências acadêmicas desenvolvidas pela universidade britânica no Brasil. Após iniciativas anteriores realizadas na Amazônia, a nova edição amplia o foco para o Pantanal, reconhecido internacionalmente por sua riqueza ambiental, diversidade biológica e importância ecológica.

Foto: Saul Schramm/Secom/Arquivo

Além do intercâmbio acadêmico, a iniciativa fortalece a imagem do Estado como referência em ciência, inovação, preservação ambiental e cooperação internacional, aproximando Mato Grosso do Sul de centros globais de pesquisa e desenvolvimento sustentável.

O cronograma do Immerse Pantanal 2026 será realizado entre os dias 31 de maio e 11 de junho de 2026, passando por Campo Grande, Bonito, Aquidauana, Anastácio e comunidades indígenas do Pantanal sul-mato-grossense.

31 de maio (domingo) – Campo Grande: chegada da delegação britânica, recepção institucional e logística de acomodação.

1º de junho (segunda-feira) – Campo Grande e Bonito: abertura oficial na UEMS com palestra magna sobre o bioma pantaneiro, políticas estaduais e sustentabilidade, seguida de deslocamento para Bonito.

2 de junho (terça-feira) – Bonito: experiência de laboratório vivo na Estância Mimosa, com foco em gestão da água, problemas ambientais “glocais” e produção sustentável.

3 de junho (quarta-feira) – Bonito: atividades no Recanto Ecológico Rio da Prata voltadas à bioeconomia sustentável, certificações ambientais e transferência de tecnologias entre universidade e setor empresarial.

4 de junho (quinta-feira) – Aquidauana e Anastácio: deslocamento ao Pantanal, briefing sobre produção sustentável, culinária pantaneira e trilha ecológica no Morro Paxixi.

5 de junho (sexta-feira) – Anastácio: dia de campo com visita à Casa da Farinha, passeio guiado pelo Rio Aquidauana, atividades na feira de agricultura familiar e apresentações culturais pantaneiras.

6 de junho (sábado) – Pantanal: atividades na Fazenda São Francisco, abordando conservação do bioma, produção sustentável, prevenção de incêndios florestais, gastronomia e cultura regional.

7 de junho (domingo) – Aldeia Babaçu: imersão intercultural com a comunidade indígena Terena, incluindo oficinas de cerâmica, saberes tradicionais, medicina natural, etnoturismo e debates sobre adaptação climática e resiliência cultural.

8 de junho (segunda-feira) – UEMS Aquidauana: atividades voltadas à conservação do solo, piscicultura sustentável e soluções aplicadas à preservação ambiental no Pantanal.

9 de junho (terça-feira) – UEMS Aquidauana e Terrua Pantanal: ações sobre agroecologia, reflorestamento de espécies nativas, sistematização de dados, workshops colaborativos e elaboração de soluções sustentáveis e roteiro de documentário.

10 de junho (quarta-feira) – Campo Grande: retorno da delegação, elaboração de relatório final, debates sobre cooperação internacional e jantar de encerramento em estilo pantaneiro.

11 de junho (quinta-feira) – Campo Grande: encerramento logístico e partida da delegação britânica.

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