Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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Brasileiros ainda têm quase R$ 5 bilhões esquecidos em bancos e podem sacar dinheiro pelo SVR

Recursos disponíveis no sistema do Banco Central pertencem a milhões de pessoas e empresas; governo garante que valores transferidos ao Desenrola ainda poderão ser recuperados
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Milhões de brasileiros ainda possuem dinheiro esquecido em bancos, cooperativas, consórcios e instituições financeiras espalhadas pelo país. Mesmo após parte dos recursos do Sistema de Valores a Receber (SVR) ser direcionada pelo governo federal ao programa Desenrola Brasil 2.0, ainda restam cerca de R$ 4,9 bilhões disponíveis para saque por cidadãos e empresas.

O tema voltou a ganhar destaque após a confirmação de que R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo utilizado pelo governo federal para fortalecer renegociações de dívidas e ampliar as garantias do novo Desenrola. Apesar disso, o Ministério da Fazenda informou que os titulares dos valores continuam tendo direito ao ressarcimento do dinheiro.

Os números chamam atenção pelo volume de recursos esquecidos no sistema financeiro brasileiro. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central, os valores disponíveis pertencem a mais de 45 milhões de pessoas físicas e aproximadamente 5 milhões de empresas em todo o país.

Entre os recursos esquecidos estão saldos de contas bancárias encerradas, tarifas cobradas indevidamente, cotas de cooperativas, valores de consórcios finalizados, recursos deixados em corretoras de investimentos e até parcelas cobradas de forma irregular em operações de crédito.

A situação também expõe uma realidade comum entre milhares de brasileiros que, muitas vezes, mudam de banco, encerram contas antigas ou deixam pequenas quantias esquecidas sem perceber. Em alguns casos, os valores podem ser baixos, mas há registros de pessoas que encontraram quantias consideráveis disponíveis no sistema.

Mesmo com a transferência parcial dos recursos para o Fundo de Garantia de Operações, o governo informou que nenhum cidadão perderá automaticamente o direito ao dinheiro. Segundo o Ministério da Fazenda, será publicado um edital de chamamento público regulamentando o procedimento para solicitação dos valores transferidos ao fundo.

Após a publicação oficial, os titulares terão prazo de 30 dias para pedir a devolução dos recursos incorporados temporariamente ao programa de renegociação de dívidas. Caso não haja manifestação dentro do período estabelecido, os valores poderão ser incorporados definitivamente ao FGO.

Enquanto isso, os recursos que continuam disponíveis diretamente no Sistema de Valores a Receber seguem liberados normalmente para consulta e saque imediato, sem necessidade de aguardar novas regras ou regulamentações.

O Banco Central reforçou que o acesso ao sistema é totalmente gratuito e deve ser feito exclusivamente pelos canais oficiais do órgão. O alerta ocorre diante do aumento de golpes envolvendo falsas mensagens, links fraudulentos e contatos telefônicos prometendo liberação de valores esquecidos.

Segundo o BC, o órgão não envia links por aplicativos de mensagens, não faz ligações telefônicas solicitando dados bancários e não cobra taxas para liberar o dinheiro. A recomendação é que os cidadãos desconfiem de qualquer contato oferecendo intermediação para resgate dos valores.

Para acessar o sistema, o cidadão precisa possuir conta Gov.br nível prata ou ouro, além da autenticação em duas etapas ativada. A medida foi reforçada neste ano como forma de aumentar a segurança digital e reduzir riscos de fraudes eletrônicas.

O processo de consulta é considerado simples. Após acessar o portal oficial do Sistema de Valores a Receber, o usuário deve informar CPF ou CNPJ, além da data de nascimento ou abertura da empresa. Em seguida, o sistema apresenta a existência ou não de recursos disponíveis.

Caso existam valores a receber, o titular pode indicar uma chave Pix vinculada ao CPF para receber o dinheiro diretamente na conta bancária. Quem não possui chave Pix também poderá entrar em contato diretamente com a instituição financeira responsável para solicitar a devolução.

Outra novidade implementada pelo Banco Central é o resgate automático. A funcionalidade permite que futuros valores esquecidos sejam depositados automaticamente na conta cadastrada, sem necessidade de novos pedidos manuais.

Essa modalidade está disponível apenas para pessoas físicas que possuam chave Pix vinculada ao CPF e autenticação em duas etapas ativa na conta Gov.br. Segundo o BC, a medida busca facilitar o acesso aos recursos e evitar que novos valores permaneçam esquecidos no sistema financeiro.

O direito ao resgate também vale para herdeiros, inventariantes e representantes legais de pessoas falecidas. Nestes casos, é necessário apresentar documentos específicos e preencher termos de responsabilidade exigidos pelo sistema.

O programa Desenrola Brasil 2.0, que utilizará parte dos recursos transferidos ao FGO, foi criado pelo governo federal com o objetivo de ampliar renegociações de dívidas e combater a inadimplência. O fundo funciona como garantia para os bancos e instituições financeiras participantes das renegociações.

A expectativa do governo é que o mecanismo permita ampliar o acesso ao crédito e facilitar acordos financeiros para milhões de brasileiros endividados. Ainda assim, especialistas orientam que cidadãos façam consultas periódicas ao SVR para verificar possíveis valores esquecidos em seus nomes.

O volume bilionário ainda disponível demonstra que grande parte da população sequer realizou consultas no sistema desde sua criação. Com isso, o Banco Central segue reforçando campanhas de conscientização para estimular o resgate dos recursos antes que novos procedimentos legais sejam implementados.

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