Mato Grosso do Sul, 4 de junho de 2026
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Banco de DNA cresce em Mato Grosso do Sul e fortalece investigações com novas coletas em presídios

Ampliação dos perfis genéticos reforça o combate à criminalidade, aumenta a capacidade de identificação de autores e amplia o alcance das investigações em todo o estado

A utilização da ciência forense como ferramenta de combate à criminalidade ganhou um importante reforço em Mato Grosso do Sul com a ampliação do banco estadual de perfis genéticos. Novas coletas realizadas no Complexo Penitenciário da Gameleira, em Campo Grande, resultaram na inclusão de centenas de amostras genéticas que passarão a integrar os sistemas de identificação utilizados pelas forças de segurança e pelos órgãos responsáveis pelas investigações criminais.

A iniciativa representa mais um avanço na modernização dos mecanismos de produção de provas e na utilização da tecnologia como instrumento de apoio à Justiça. Com a ampliação da base genética, aumenta significativamente a possibilidade de identificação de autores de crimes por meio da comparação entre vestígios biológicos encontrados em cenas criminosas e os perfis cadastrados nos bancos de dados.

Ao todo, 486 novos perfis genéticos foram coletados durante duas etapas realizadas no Complexo Penitenciário da Gameleira. A primeira ação ocorreu no dia 30 de abril, na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, quando foram obtidas 300 amostras. Já a segunda etapa foi realizada no dia 29 de maio, na Gameleira I, resultando na coleta de outras 186 amostras.

As ações fazem parte das metas estabelecidas pelo Contrato de Gestão 2026, firmado entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e o Governo de Mato Grosso do Sul, que prevê o fortalecimento contínuo do Banco de Perfis Genéticos como ferramenta estratégica para a investigação criminal e a produção de provas técnicas.

O trabalho é coordenado pelo Instituto de Análises Laboratoriais Forenses da Polícia Científica, contando com o apoio operacional da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul, responsável pela organização logística, identificação dos custodiados enquadrados nos critérios legais e pela segurança das atividades realizadas dentro das unidades prisionais.

Após a coleta, cada amostra passa por rigoroso processo laboratorial. Os materiais são analisados por especialistas que realizam a extração e o processamento do DNA, seguindo critérios técnicos e legais estabelecidos pela legislação vigente. Somente após a validação dos resultados os perfis são inseridos nos bancos estadual e nacional de perfis genéticos.

Essas informações passam então a integrar uma rede de comparação permanente, permitindo o cruzamento entre vestígios coletados em locais de crime e os dados armazenados no sistema. A tecnologia possibilita identificar autores, estabelecer vínculos entre ocorrências distintas e fornecer elementos que auxiliam investigações em andamento.

Especialistas destacam que a ampliação constante da base genética aumenta consideravelmente a eficiência das análises. Quanto maior o número de perfis cadastrados, maiores são as chances de coincidências genéticas que possam esclarecer crimes ainda sem autoria conhecida.

Na prática, vestígios biológicos coletados em cenas de homicídios, estupros, roubos, furtos qualificados e outros delitos podem permanecer armazenados durante anos até que uma coincidência genética seja identificada. Isso permite que investigações sejam retomadas e solucionadas mesmo após longos períodos.

Dados mais recentes da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos mostram a dimensão desse trabalho em Mato Grosso do Sul. Até o início de maio de 2026, o estado contabilizava 5.471 perfis cadastrados em sua base genética.

Desse total, 4.081 pertencem a pessoas condenadas e submetidas ao procedimento legal de coleta genética. Outros 918 registros correspondem a vestígios biológicos obtidos durante investigações criminais realizadas pelas forças de segurança.

Os números demonstram o crescimento contínuo do sistema e o fortalecimento de uma ferramenta que vem assumindo papel cada vez mais relevante no esclarecimento de crimes complexos.

Os resultados práticos já aparecem nas estatísticas. Mato Grosso do Sul acumula atualmente 88 investigações que receberam auxílio direto da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.

Além disso, foram registradas 59 coincidências genéticas confirmadas, resultado que evidencia a efetividade do sistema no apoio às apurações policiais.

Dessas coincidências, 46 ocorreram entre vestígios biológicos coletados em diferentes locais de crime, permitindo a identificação de conexões entre ocorrências que inicialmente pareciam isoladas.

Outras 13 coincidências foram verificadas entre vestígios encontrados em investigações e indivíduos já cadastrados no banco genético, contribuindo diretamente para a identificação de possíveis autores.

Os especialistas ressaltam que um dos maiores diferenciais da tecnologia genética é justamente sua capacidade de estabelecer relações entre crimes cometidos em locais e momentos distintos. Muitas vezes, uma mesma pessoa deixa vestígios em diferentes ocorrências, permitindo que os investigadores reconstruam padrões de atuação e fortaleçam os elementos probatórios dos processos.

Um caso recente demonstrou essa importância. Material genético coletado durante mutirões anteriores apresentou correspondência com vestígios que permaneciam armazenados sem autoria definida. A coincidência permitiu avançar nas investigações e trouxe novas perspectivas para o esclarecimento do caso.

Esse tipo de resultado reforça a importância da manutenção permanente dos bancos genéticos, uma vez que vestígios sem identificação hoje podem representar provas decisivas no futuro.

Outro fator que impulsiona o crescimento da base genética é a atualização da legislação federal. Com a entrada em vigor da Lei nº 15.295, de 2025, houve ampliação significativa das hipóteses de coleta obrigatória de material genético.

Antes da mudança legislativa, a obrigatoriedade era restrita principalmente a condenados por crimes contra a vida, delitos sexuais e infrações praticadas mediante violência grave.

Com as novas regras, a identificação genética passou a alcançar condenados à pena de reclusão em regime inicial fechado, independentemente da natureza do crime praticado.

A alteração ampliou significativamente o universo de pessoas sujeitas à coleta e fortaleceu os bancos de dados utilizados pelas autoridades de segurança pública em todo o país.

Para especialistas da área forense, a medida representa um avanço importante na utilização de evidências científicas como ferramenta de combate à impunidade e de fortalecimento da produção de provas técnicas.

A expectativa é que novas etapas de coleta sejam realizadas nos próximos meses em unidades prisionais localizadas no interior de Mato Grosso do Sul. A meta é ampliar ainda mais a quantidade de perfis cadastrados e fortalecer uma estrutura considerada fundamental para o esclarecimento de crimes e para o apoio às decisões judiciais.

Com a expansão contínua do banco genético, Mato Grosso do Sul avança no uso de tecnologias modernas de investigação, fortalecendo a integração entre ciência, segurança pública e sistema de Justiça. O objetivo é aumentar a capacidade de resposta das autoridades, acelerar o esclarecimento de crimes e garantir maior efetividade na responsabilização de autores identificados por meio de evidências científicas.

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