Mato Grosso do Sul, 8 de junho de 2026
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Justiça mantém liberdade de acusado por duplo homicídio e decisão provoca repercussão em Campo Grande

Tribunal nega pedido de prisão preventiva e mantém medidas cautelares contra homem que confessou mortes de casal na Vila Taquarussu
Ademar Spacino Júnior, de 38 anos ao lado da companheira, Natália dos Anjos Molina, de 33 anos (Foto Rede Social)
Ademar Spacino Júnior, de 38 anos ao lado da companheira, Natália dos Anjos Molina, de 33 anos (Foto Rede Social)

A decisão da Justiça de manter em liberdade um homem que confessou ter matado um casal na Vila Taquarussu, em Campo Grande, continua provocando repercussão e acompanhamentos jurídicos em Mato Grosso do Sul. O caso, que ganhou destaque devido à gravidade dos fatos e às circunstâncias apresentadas durante a investigação, avançou para uma nova etapa após o Tribunal de Justiça negar o pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público.

O acusado, de 30 anos, admitiu ter efetuado os disparos que resultaram na morte de Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, e de Ademar Spacino Júnior, de 38 anos. O crime ocorreu na última sexta-feira em uma residência localizada na Vila Taquarussu, bairro da região sul da Capital.

Durante o interrogatório realizado após a prisão em flagrante, o investigado afirmou ter agido em uma situação que, segundo sua versão, colocaria sua própria vida em risco. A declaração passou a integrar os autos do processo e será analisada ao longo da instrução criminal.

Após ser preso logo depois dos fatos, o acusado foi apresentado em audiência de custódia. Na ocasião, a Justiça entendeu que a manutenção da prisão preventiva não era necessária naquele momento processual, optando pela aplicação de medidas cautelares consideradas suficientes para garantir o andamento das investigações e do processo judicial.

Entre as determinações impostas estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica por período determinado, recolhimento domiciliar em horários específicos, comparecimento periódico perante a Justiça, acompanhamento junto aos serviços de atendimento psicossocial e a proibição de qualquer contato ou aproximação com familiares das vítimas.

A decisão provocou reação do Ministério Público, que recorreu ao Tribunal de Justiça buscando reverter a medida. A promotoria sustentou que a liberdade do investigado poderia representar riscos ao andamento da ação penal, especialmente em relação à produção de provas e à proteção de testemunhas que ainda deverão ser ouvidas durante o processo.

No recurso apresentado, também foram levantadas preocupações relacionadas à segurança dos familiares das vítimas e à necessidade de preservação da ordem pública diante da gravidade do crime investigado.

Ao analisar o pedido, o desembargador responsável pelo caso entendeu que os requisitos necessários para a decretação imediata da prisão preventiva não estavam plenamente demonstrados no atual estágio processual.

A decisão destacou que não houve uma simples liberação sem restrições. Segundo o entendimento judicial, o acusado permanece submetido a uma série de medidas cautelares que permitem acompanhamento constante por parte das autoridades responsáveis.

O magistrado ressaltou ainda que a gravidade dos fatos investigados é evidente, uma vez que o caso envolve a morte de duas pessoas por disparos de arma de fogo. Entretanto, observou que a legislação exige a presença de fundamentos concretos para justificar a prisão preventiva, não sendo suficiente apenas a gravidade do delito para autorizar automaticamente a medida cautelar mais severa.

Com isso, o pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público foi negado nesta fase do processo, permanecendo válidas as determinações impostas durante a audiência de custódia.

O caso segue agora para a fase de aprofundamento das investigações e coleta de provas. Testemunhas deverão ser ouvidas e novos elementos poderão ser incorporados ao processo nos próximos meses. Também serão analisados laudos periciais, exames técnicos e demais informações produzidas pelas autoridades responsáveis pela apuração.

A linha investigativa busca esclarecer todos os detalhes que antecederam o duplo homicídio, bem como verificar as circunstâncias exatas que culminaram nas mortes do casal.

Enquanto a defesa sustenta a existência de elementos que justificariam a versão apresentada pelo acusado, os órgãos responsáveis pela acusação trabalham para demonstrar a dinâmica dos fatos e eventual responsabilidade criminal pelos homicídios.

Especialistas na área jurídica observam que a manutenção ou não da prisão preventiva durante o andamento de um processo não representa antecipação de culpa ou absolvição. Trata-se de uma análise cautelar baseada nos elementos disponíveis naquele momento específico da investigação.

O mérito da ação penal, que envolve a definição sobre eventual condenação ou absolvição, será decidido apenas após a conclusão da fase de instrução, quando todas as provas forem produzidas e analisadas pelo Poder Judiciário.

O caso permanece entre os mais acompanhados dos últimos dias em Mato Grosso do Sul devido à repercussão provocada pela confissão dos disparos, pela morte de duas pessoas e pela discussão jurídica em torno da decisão que permitiu ao investigado responder ao processo em liberdade monitorada.

As próximas etapas deverão ser decisivas para o esclarecimento completo dos fatos e para a definição do desfecho judicial do caso que mobilizou autoridades, familiares das vítimas e a sociedade sul-mato-grossense.

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