Mato Grosso do Sul, 11 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Fadiga e dores no corpo podem indicar doenças autoimunes em mulheres

Casos como os de Selena Gomez, Selma Blair e Cláudia Rodrigues ajudam a dar visibilidade a condições que ainda passam despercebidas no dia a dia

Cansaço persistente, dores no corpo, alterações de sensibilidade e até mudanças na visão podem ser os primeiros sinais de doenças autoimunes condições em que o sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo. Apesar da ampla ocorrência, essas doenças ainda são frequentemente subdiagnosticadas, especialmente entre mulheres. 

Estimativas de sociedades médicas internacionais indicam que as doenças autoimunes afetam entre 5% e 8% da população mundial. A incidência é maior no público feminino, que concentra a maior parte dos casos e tem risco até quatro vezes superior de desenvolvê-las, sobretudo entre os 30 e 40 anos.

Mais do que uma questão biológica, especialistas chamam atenção para um fator comportamental e social: muitas mulheres tendem a normalizar sintomas como a fadiga e a dor, associando-os à sobrecarga da rotina, ao acúmulo de funções e ao estresse do dia a dia. Esse padrão pode atrasar a busca por atendimento e contribuir para o diagnóstico tardio.

O tema ganhou visibilidade nos últimos anos com figuras públicas no Brasil e no exterior. A cantora Selena Gomez, diagnosticada com lúpus, e as atrizes Selma Blair e Cláudia Rodrigues, que convivem com esclerose múltipla, ajudaram a ampliar o debate sobre doenças que, apesar de relativamente frequentes, ainda têm diagnóstico tardio em muitos casos. 

Segundo a reumatologista do Hospital São Marcelino Champagnat, Ana Cristina Boni Lenci, o início costuma ser marcado por sintomas comuns e pouco específicos, o que contribui para que sejam subestimados. “Observamos com frequência, no consultório, que sinais como fadiga, febre e dores no corpo acabam sendo atribuídos ao estresse ou à sobrecarga da rotina. Com isso, o paciente demora a buscar ajuda e, quando o faz, nem sempre é encaminhado ao especialista adequado”, explica.

Esse atraso na busca por atendimento, aliado à variedade de sintomas, é um dos principais fatores para o diagnóstico tardio. Há ainda um componente biológico relevante: a maior incidência em mulheres está relacionada à influência hormonal sobre o sistema imunológico, especialmente em fases de maior variação hormonal ao longo da vida adulta.

Sinais além do cansaço

Entre as condições sistêmicas, o lúpus é uma das mais conhecidas e também das que mais geram confusão nas fases iniciais, já que os sinais podem ser facilmente atribuídos a situações comuns, como a exposição ao sol ou o desgaste físico.

Estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apontam que a doença afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no país, principalmente mulheres jovens. Em média, o diagnóstico demora de três a seis anos. “Os sinais iniciais do lúpus dependem muito do órgão acometido. Entre os mais comuns, estão lesões de pele no rosto, com vermelhidão que muitas vezes é confundida com rosácea ou com reação ao sol. A dor articular também é frequente, mas, como geralmente não há inchaço ou calor, o paciente tende a atribuí-la ao uso excessivo das articulações”, esclarece a especialista.

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.