Mato Grosso do Sul, 14 de junho de 2026
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Execução em frente a tabacaria expõe histórico criminal e amplia investigação sobre assassinato de jovem em Campo Grande

Morto a tiros no Jardim Leblon, Guilherme Soares Gomes de Oliveira já havia sido denunciado por participação em homicídio qualificado e possuía antecedentes por tráfico de drogas, roubo e outros crimes
Guilherme foi denunciado pelo homicídio e tem outras passagens pela polícia (Foto: Reprodução)
Guilherme foi denunciado pelo homicídio e tem outras passagens pela polícia (Foto: Reprodução)

Campo Grande voltou a registrar mais um episódio de violência urbana que mobiliza as forças de segurança e chama a atenção para a sequência de crimes ligados a disputas e acertos de contas no meio criminal. A morte de Guilherme Soares Gomes de Oliveira, conhecido pelo apelido de “Garrafinha”, de 24 anos, ocorrida na noite de sábado no Jardim Leblon, trouxe à tona o histórico do jovem, que já figurava como denunciado em um processo por homicídio qualificado e possuía passagens pela polícia por diversos delitos.

O assassinato aconteceu em frente a uma tabacaria localizada nas proximidades do Bar Tortuga, na esquina da Avenida Clineu da Costa Moraes. Conforme os levantamentos iniciais, Guilherme estava no local quando foi surpreendido por um homem armado que se aproximou utilizando capacete com a viseira fechada, dificultando sua identificação.

Ao perceber a aproximação do suspeito, a vítima ainda tentou fugir correndo pela avenida, mas foi perseguida. O criminoso efetuou diversos disparos e continuou atirando mesmo após Guilherme cair ao solo. A violência da execução provocou pânico entre frequentadores da conveniência e moradores da região, que buscaram abrigo enquanto os tiros eram disparados.

Equipes de resgate foram acionadas rapidamente, porém os ferimentos sofridos por Guilherme foram fatais. O médico da Unidade de Resgate e Suporte Avançado do Corpo de Bombeiros constatou o óbito ainda no local. A área foi isolada para o trabalho das autoridades responsáveis pela perícia e investigação.

Durante os levantamentos realizados na cena do crime, peritos recolheram cápsulas de munição de arma de fogo de uso restrito ou proibido, evidenciando o elevado poder de fogo utilizado na ação criminosa. As circunstâncias indicam uma execução planejada, praticada de forma rápida e com características típicas de emboscada.

Testemunhas relataram que o atirador fugiu logo após os disparos e teria contado com o apoio de uma mulher. Informações coletadas pelos investigadores apontam que um veículo utilitário também pode ter sido utilizado na ação. Um dos depoimentos afirma que um homem encapuzado desembarcou do automóvel e iniciou a sequência de tiros contra a vítima, enquanto um comparsa permaneceu ao volante aguardando a fuga.

O cenário ficou ainda mais caótico quando um dos disparos atingiu um jovem que estava nas proximidades do estabelecimento. Segundo o relato prestado às autoridades, a vítima secundária tentou se proteger durante o ataque, mas acabou sendo atingida na coxa. Ele foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e encaminhado para a Santa Casa de Campo Grande. Após atendimento médico, foi informado que seu estado de saúde era estável e que ele não corria risco de morte.

As investigações também analisam uma publicação feita nas redes sociais pouco depois do assassinato. A frase “Vida se paga com vida” chamou a atenção dos investigadores e poderá auxiliar na compreensão da motivação do crime e na identificação de possíveis envolvidos.

Histórico criminal

A morte de Guilherme trouxe novamente à tona sua ligação com um homicídio ocorrido em julho de 2025 no Bairro Iracy Coelho Netto. Na ocasião, ele foi denunciado por participação na execução de Lucas Ribeiro Pastor, crime que teve grande repercussão devido à quantidade de disparos efetuados contra a vítima.

Segundo a denúncia apresentada à Justiça, Lucas estava em uma tabacaria acompanhado de outro jovem quando os autores chegaram ao local. Guilherme teria conduzido a motocicleta utilizada na ação, transportando o principal executor do homicídio. O atirador desembarcou já armado com uma pistola calibre 9 milímetros e efetuou diversos disparos contra o alvo.

Ainda conforme os autos, a vítima foi atingida várias vezes e, mesmo caída ao chão, continuou sendo alvejada para garantir sua morte. Um segundo rapaz também acabou ferido durante a execução. Outros envolvidos teriam fornecido a arma e o veículo utilizados no atentado, sendo igualmente denunciados por participação no crime.

A investigação daquele homicídio apontou que a motivação estaria relacionada a desavenças anteriores entre integrantes de grupos rivais. O nome de Guilherme passou a figurar entre os investigados e posteriormente entre os denunciados pela participação na ação criminosa.

Além dessa acusação, ele acumulava registros por tráfico de drogas, roubo e infrações relacionadas ao trânsito. Em uma das ocorrências mais recentes, registrada neste ano em Água Clara, foi preso durante uma operação policial que apurava atividades ligadas ao comércio de entorpecentes.

Investigação continua

Equipes da Polícia Civil, da Perícia Criminal, do Grupo de Operações Investigativas e da Polícia Militar seguem trabalhando para esclarecer todos os detalhes do assassinato. A ausência de imagens imediatas de câmeras de segurança dificultou os primeiros levantamentos, já que alguns estabelecimentos estavam fechados e outros sistemas de monitoramento encontravam-se desligados.

Mesmo assim, moradores da região informaram possuir equipamentos de vigilância particulares e se comprometeram a fornecer as gravações aos investigadores. O material poderá ser fundamental para identificar a rota de fuga utilizada pelos criminosos e auxiliar na identificação dos responsáveis.

A polícia trabalha com diferentes linhas de investigação, incluindo possível acerto de contas, vingança e conexões com conflitos anteriores envolvendo a vítima. O caso segue registrado como homicídio qualificado, diante das características da execução e da impossibilidade de defesa da vítima.

Enquanto as diligências prosseguem, familiares aguardam respostas sobre a autoria do crime e a motivação da morte de Guilherme Soares Gomes de Oliveira, mais um caso que passa a integrar a extensa lista de homicídios que desafiam as autoridades de segurança pública em Campo Grande.

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