Mato Grosso do Sul, 19 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Porsche de luxo, codinomes e galpão secreto na Vila Nhanhá: operação desmonta esquema milionário de tráfico em Campo Grande

Prisão de Adryelle Franco Ramos, Thiago Alves de Jesus e João Vitor Aguiar de Souza expõe estrutura criminosa que movimentava drogas, mercadorias ilegais e milhões de reais entre Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo
Imagens - Divulgação/PCMS
Imagens - Divulgação/PCMS

Uma investigação de grande alcance conduzida pelas forças de segurança revelou detalhes de uma sofisticada organização criminosa que operava a partir do Jardim Nhanhá, em Campo Grande, e que, segundo as autoridades, desempenhava papel estratégico no transporte, armazenamento e distribuição de drogas e mercadorias ilegais para diversos estados brasileiros.

A operação, denominada Destroyer, culminou na prisão de Adryelle Franco Ramos, de 32 anos, Thiago Alves de Jesus, de 34 anos, e João Vitor Aguiar de Souza, de 21 anos, apontados como integrantes de uma rede criminosa que movimentava milhões de reais e mantinha uma estrutura logística altamente organizada.

O caso chamou atenção não apenas pelo volume de drogas investigado, mas também pelo padrão de vida atribuído aos suspeitos. Durante as diligências realizadas pelas equipes policiais, um Porsche Macan foi apreendido em um imóvel localizado no Jardim Nhanhá. O veículo de luxo passou a simbolizar o patrimônio acumulado pelos investigados e tornou-se uma das imagens mais marcantes da operação.

A presença do automóvel chamou a atenção de moradores da região, que relatavam ver o veículo estacionado frequentemente na residência alvo das investigações. O imóvel, localizado na Rua do Peixe, tornou-se um dos principais pontos analisados pelos investigadores após o avanço das apurações.

Segundo o inquérito, Adryelle Franco Ramos e Thiago Alves de Jesus ocupavam posição de destaque dentro da organização criminosa. Para evitar identificação, ambos utilizavam codinomes durante as comunicações relacionadas às atividades ilegais. As investigações apontam que os apelidos eram usados em conversas telefônicas, negociações logísticas e orientações repassadas aos demais integrantes da rede.

A estrutura criminosa possuía um funcionamento considerado profissional. As cargas saíam da região de fronteira, eram transportadas por motoristas recrutados especificamente para cada operação e seguiam até Campo Grande. O Jardim Nhanhá aparecia como uma das áreas ligadas aos investigados, enquanto um galpão utilizado pelo grupo servia como centro de armazenamento e redistribuição dos carregamentos.

De acordo com as investigações, Adryelle exercia papel fundamental na contratação de motoristas responsáveis por buscar drogas e mercadorias ilegais na fronteira. A escolha dos horários das viagens era feita de forma estratégica, priorizando períodos noturnos para reduzir o risco de abordagens policiais e fiscalizações rodoviárias.

Após a chegada das cargas à Capital, os materiais eram levados para um galpão utilizado pela organização. No local, ocorria a separação das mercadorias, o armazenamento dos produtos e a preparação para uma nova etapa do transporte. Os investigadores descobriram que parte do material era escondida em um contêiner instalado dentro da estrutura.

A função de vigiar permanentemente esse local teria sido atribuída a João Vitor Aguiar de Souza, preso durante a operação. Conforme os levantamentos realizados, ele permanecia no imóvel monitorando a movimentação e garantindo a segurança das cargas enquanto aguardavam o envio para outros estados.

As apurações também apontaram a existência de um esquema financeiro considerado complexo. Empresas ligadas ao setor de transporte rodoviário aparecem nas investigações como possíveis instrumentos utilizados para movimentar recursos e ocultar a origem do dinheiro.

Policiais durante cumprimento de mandados na operação

O cruzamento de dados financeiros revelou movimentações milionárias consideradas incompatíveis com as atividades formalmente declaradas pelos investigados. Em poucos meses, os valores registrados nas contas vinculadas ao grupo ultrapassaram milhões de reais, despertando a atenção das equipes responsáveis pelo monitoramento financeiro.

O ponto de partida da investigação ocorreu após uma grande apreensão realizada em Goiás. Na ocasião, policiais interceptaram um caminhão carregado com aproximadamente 4,2 toneladas de maconha e mais de 37 quilos de pasta-base de cocaína. O prejuízo estimado para o crime organizado ultrapassou dezenas de milhões de reais.

A partir da apreensão, foi autorizada a quebra de sigilos que permitiu aos investigadores acessar comunicações relacionadas ao transporte da carga. As mensagens encontradas detalhavam rotas, horários, pagamentos, orientações logísticas e contatos utilizados pela organização.

O rastreamento dessas informações levou os investigadores até Campo Grande. Com o aprofundamento das análises, surgiram elementos que apontaram diretamente para Adryelle Franco Ramos e Thiago Alves de Jesus como responsáveis pela coordenação de parte significativa da logística utilizada pela organização.

Além do tráfico de drogas, a investigação também identificou movimentação de mercadorias estrangeiras introduzidas irregularmente no país. Durante as buscas realizadas em endereços ligados aos investigados, equipes encontraram diversos produtos de origem paraguaia que também passaram a integrar o conjunto de provas analisadas.

A operação mobilizou policiais de Mato Grosso do Sul e Goiás em uma ação conjunta que buscou interromper a rota utilizada para abastecer mercados clandestinos em diferentes estados brasileiros. As autoridades acreditam que a organização atuava de forma contínua e possuía uma estrutura consolidada para manter o fluxo das operações criminosas.

Com a prisão dos suspeitos, a apreensão de veículos, equipamentos eletrônicos, documentos e bens de alto valor, os investigadores agora trabalham na análise do material recolhido durante as diligências. A expectativa é que novos desdobramentos possam identificar outros integrantes da rede criminosa e ampliar o alcance das investigações.

O Jardim Nhanhá, bairro que aparece diretamente ligado a uma das principais frentes da operação, tornou-se um dos focos centrais da apuração. A descoberta de veículos de luxo, movimentações milionárias, utilização de codinomes e estruturas clandestinas demonstra a dimensão do esquema investigado e o nível de organização atribuído ao grupo preso durante a Operação Destroyer.

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