O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta quinta-feira, 25 de junho, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, da assinatura dos contratos que oficializam a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, a UFN-III, da Petrobras. A cerimônia marcou o reinício de um dos projetos industriais mais relevantes do setor químico e energético do país, que estava paralisado há mais de 11 anos e volta a ser tratado como prioridade estratégica para o desenvolvimento econômico nacional.
A retomada do empreendimento ocorre com previsão de investimentos superiores a R$ 5 bilhões, dentro de um cronograma que estabelece início das obras ainda em 2026 e conclusão estimada até 2029. O projeto deve movimentar a economia regional de forma significativa, com a criação de cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos durante o período de execução, além de impulsionar setores ligados à construção civil, logística e indústria pesada.
Durante o anúncio, representantes da Petrobras destacaram que a UFN-III representa um passo importante para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, especialmente a ureia, insumo considerado essencial para a produtividade agrícola. O país, atualmente, importa grande parte desse produto, o que torna o setor vulnerável às oscilações do mercado internacional e aos custos de transporte e fornecimento.
A unidade industrial terá capacidade estimada de produção anual de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia e cerca de 70 mil toneladas de amônia. Esses insumos são fundamentais para o agronegócio brasileiro, sendo amplamente utilizados em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café, que compõem a base da produção agrícola nacional.
A localização da planta em Três Lagoas é considerada estratégica devido à proximidade com importantes polos produtores do país. Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo devem ser diretamente beneficiados pela redução de custos logísticos e maior oferta de fertilizantes no mercado interno.
A história da UFN-III é marcada por paralisações e mudanças de planejamento. As obras começaram em 2011, mas foram interrompidas em dezembro de 2014 após o encerramento do contrato com o consórcio responsável pela construção, em meio a descumprimentos contratuais. Desde então, o projeto passou por revisões administrativas e decisões que incluíram tentativas de venda e reestruturação dentro da estratégia da estatal.
Em 2017, a Petrobras incluiu a unidade em um plano de desinvestimentos, como parte de uma política de reavaliação de ativos. No ano seguinte, houve negociações com investidores estrangeiros interessados no empreendimento, mas o processo acabou suspenso após entraves jurídicos e mudanças nas regras envolvendo a venda de estatais e subsidiárias.
Com a retomada oficial, o governo federal e a Petrobras voltam a apostar na reindustrialização do setor de fertilizantes, com foco na segurança produtiva do campo e no fortalecimento da cadeia do agronegócio. A expectativa é de que a nova fase do projeto contribua para estabilizar preços, ampliar a oferta interna e reduzir a dependência externa em um segmento considerado estratégico para a economia brasileira.
A assinatura dos contratos em Três Lagoas também reforça o papel do Mato Grosso do Sul como um dos principais polos industriais em expansão no país, com potencial de atrair novos investimentos e consolidar a região como referência na produção de insumos para o agronegócio.
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