Mato Grosso do Sul, 16 de julho de 2026
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Cobrança por conserto de motocicleta pode ter desencadeado execução de dois jovens em Campo Grande

Investigação aponta que vítimas desapareceram após irem a uma oficina mecânica e foram encontradas mortas com marcas de tiros; Polícia Civil apura possível ligação do crime com disputa entre facções criminosas
Equipes da perícia no local (Foto: Paulo Francis)
Equipes da perícia no local (Foto: Paulo Francis)

A investigação sobre a morte de dois jovens encontrados sem vida em uma estrada vicinal próxima à BR-262, em Campo Grande, ganhou novos desdobramentos após a Polícia Civil reunir informações que apontam para uma possível motivação ligada à cobrança pelo conserto de uma motocicleta. As apurações indicam que, poucas horas antes de desaparecerem, Tiago Salles Pereira, de 22 anos, e Lucas Lima de Oliveira, de 24 anos, estiveram em uma oficina mecânica localizada no Jardim Noroeste para exigir a entrega de uma motocicleta que permanecia no estabelecimento havia cerca de três meses, mesmo após o pagamento pelo serviço.

Segundo as investigações, a motocicleta pertencia a outra pessoa, mas Tiago teria sido chamado para acompanhar a cobrança por supostamente possuir influência dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A presença dele no local teria como objetivo pressionar pela conclusão do serviço, que já estava quitado havia vários meses.

Ao chegarem à oficina, os dois jovens não encontraram o funcionário responsável pelo reparo da motocicleta. Ainda assim, permaneceram no local enquanto aguardavam uma solução. Durante esse período, um dos rapazes chegou a enviar uma mensagem para um amigo informando que pessoas presentes na oficina estariam impedindo que ele atendesse ligações telefônicas, levantando suspeitas de que a situação havia se tornado tensa.

As informações reunidas pelos investigadores apontam que, pouco tempo depois, surgiu a informação de que o proprietário da oficina teria saído acompanhado de Tiago e Lucas em um veículo, supostamente para localizar o funcionário encarregado do conserto da motocicleta. Após esse deslocamento, os dois desapareceram e não voltaram a ser vistos.

Quando familiares e amigos perceberam a ausência da dupla, equipes da Polícia Militar foram acionadas. No entanto, pessoas ligadas ao estabelecimento informaram que Tiago e Lucas teriam deixado a oficina caminhando, versão que passou a ser confrontada pelos investigadores durante a apuração dos fatos.

Outro elemento considerado importante pela investigação é a suspeita de que o proprietário da oficina mantenha ligação com integrantes do Comando Vermelho (CV), organização criminosa rival do PCC. Essa informação passou a ser analisada como uma possível peça para esclarecer a motivação do duplo homicídio.

Com o desaparecimento confirmado, o caso passou a ser acompanhado por equipes especializadas da Polícia Civil, incluindo investigadores do Garras, que iniciaram uma série de diligências para localizar os jovens e identificar os últimos contatos realizados antes do desaparecimento.

Durante a continuidade das investigações, os policiais também descobriram que Tiago e Lucas estiveram em outro estabelecimento comercial realizando uma cobrança semelhante. Conforme depoimentos reunidos no inquérito, eles procuravam um funcionário, que também não estava presente no local.

Ainda de acordo com as informações apuradas, após a passagem da dupla pelo estabelecimento, o proprietário, o filho dele e outro funcionário teriam decidido resolver o problema. Horas depois, um dos envolvidos teria afirmado que “os guri já eram”, frase que passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores por indicar possível conhecimento prévio sobre o destino das vítimas.

Pouco tempo depois, os corpos dos dois jovens foram encontrados às margens de uma estrada de terra que liga a BR-262 à MS-040, em uma região afastada da área urbana de Campo Grande.

Uma equipe do Batalhão de Polícia Militar Rural foi acionada por moradores que localizaram os corpos. O local foi imediatamente isolado para o trabalho da perícia técnica e das equipes da Polícia Civil.

Os exames preliminares apontaram que Lucas apresentava uma perfuração provocada por disparo de arma de fogo na região da cabeça. Próximo ao corpo foram encontrados um boné vermelho e um canivete.

Já Tiago foi localizado a cerca de dez metros de distância do companheiro. O jovem apresentava três perfurações causadas por tiros, atingindo o tórax, a cabeça e um dos braços, indicando uma execução com elevado grau de violência.

Após o trabalho pericial, os corpos foram encaminhados para exames necroscópicos, que deverão auxiliar na definição da dinâmica do crime, do horário aproximado das mortes e de outros detalhes importantes para o andamento da investigação.

As diligências seguem sendo conduzidas por equipes do Grupo de Operações e Investigações (GOI) e da 4ª Delegacia de Polícia de Campo Grande, que trabalham para identificar todos os envolvidos na execução e esclarecer a sequência de acontecimentos que terminou com a morte dos dois jovens.

Entre as linhas investigativas analisadas está a possibilidade de que o duplo homicídio tenha sido motivado por disputas entre organizações criminosas rivais, hipótese reforçada pelas informações obtidas ao longo das investigações e pelos antecedentes relacionados aos envolvidos.

Os investigadores continuam reunindo imagens, depoimentos, registros telefônicos e demais provas que possam contribuir para a identificação dos autores intelectuais e executores do crime. A expectativa é de que novas diligências permitam esclarecer completamente as circunstâncias que levaram à execução dos dois jovens e apontem a participação de todos os envolvidos no caso.

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