Mato Grosso do Sul, 27 de julho de 2026
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Avião de empresário de Mato Grosso do Sul entra em investigação após apreensão de ouro ilegal de US$ 25 milhões na Bolívia

Aeronave ligada a grupo empresarial sul-mato-grossense foi utilizada em voo fretado interceptado pelas autoridades bolivianas; caso envolve suspeita de contrabando internacional, documentos falsos e possível participação de servidores públicos
Imagem - Lucas Lima
Imagem - Lucas Lima

Uma operação realizada pelas autoridades da Bolívia transformou uma tentativa de transporte clandestino de ouro em um dos maiores escândalos recentes envolvendo mineração ilegal e contrabando internacional na América do Sul. No centro da investigação está uma aeronave pertencente a um empresário de Mato Grosso do Sul, que acabou sendo colocada sob restrição policial após ser utilizada em um voo fretado que transportaria uma carga estimada em 189 quilos de ouro de origem ilegal.

O carregamento, avaliado em aproximadamente US$ 25 milhões, foi interceptado no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, antes de seguir viagem para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A apreensão desencadeou uma ampla investigação sobre uma possível organização dedicada ao comércio clandestino de recursos minerais e levantou suspeitas de participação de agentes públicos responsáveis pela fiscalização das exportações.

A repercussão do caso ganhou dimensão nacional na Bolívia e também passou a chamar atenção no Brasil, principalmente em Mato Grosso do Sul, em razão da ligação da aeronave com um conhecido grupo empresarial sediado no Estado.

Segundo as informações reunidas durante as investigações, o avião identificado como PS-ZRZ pertence ao empresário Valdir Zorzo, proprietário de um grupo empresarial cuja principal base operacional está localizada em Nova Alvorada do Sul. A aeronave, entretanto, teria sido utilizada por meio de um contrato de fretamento firmado com uma empresa boliviana para realizar o voo internacional.

Documentos analisados pelas autoridades apontam que o avião entrou em território boliviano no dia 21 de julho, partindo de Campo Grande com escala em Corumbá antes de seguir para Santa Cruz de la Sierra. O plano de voo estava regularmente registrado, mas a investigação passou a concentrar atenção sobre a carga que seria embarcada posteriormente.

As informações divulgadas pelas autoridades bolivianas indicam que o piloto responsável pela operação aérea era Jim Clark D’Angelo Macedo, profissional que atua na estrutura operacional da empresa pertencente ao empresário sul-mato-grossense e que também mantém residência nos Estados Unidos.

Até o momento, não há indicação oficial de que o proprietário da aeronave ou o piloto tenham sido formalmente acusados de participação direta no esquema investigado. A apuração das autoridades concentra-se, neste momento, na utilização da aeronave e nas circunstâncias em que ela foi contratada para realizar o transporte internacional.

A investigação aponta que o responsável pela carga seria Ádrian Lema Roca, de 22 anos, que acabou preso em flagrante após tentar embarcar levando quatro malas recheadas com barras de ouro.

Durante a fiscalização, os agentes responsáveis pelo controle aduaneiro identificaram inconsistências na documentação apresentada para autorizar a exportação do minério. Após uma análise mais detalhada, foi constatado que os certificados utilizados para liberar a carga eram falsificados.

Com a confirmação das irregularidades, toda a operação foi imediatamente interrompida. As malas foram abertas e os agentes localizaram aproximadamente 189 quilos de ouro que, segundo a investigação, não possuíam origem legal comprovada.

Após audiência de custódia, a Justiça boliviana determinou a prisão preventiva do jovem pelo período inicial de 150 dias. Ele foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Palmasola, considerado o maior estabelecimento prisional da Bolívia e um dos maiores da América do Sul.

Além do principal investigado, outras cinco pessoas chegaram a ser detidas durante o desenrolar da operação. Entre elas estavam três servidores públicos que ocupavam cargos estratégicos ligados ao controle das exportações minerais e ao funcionamento do aeroporto internacional.

As autoridades investigam se esses funcionários facilitaram deliberadamente a tentativa de embarque da carga ilegal ou se houve falhas graves na fiscalização documental.

Também foram conduzidos um primo e um amigo do principal investigado. Ambos prestaram esclarecimentos e acabaram liberados, permanecendo, entretanto, à disposição da Justiça para novos depoimentos conforme o avanço das investigações.

O Ministério Público boliviano abriu um procedimento específico para apurar possíveis crimes de contrabando internacional, comercialização ilegal de recursos minerais, falsificação documental, enriquecimento ilícito e associação criminosa.

A linha principal da investigação busca identificar toda a cadeia responsável pela extração, transporte, documentação e tentativa de exportação do ouro apreendido.

As autoridades também trabalham para descobrir qual seria a origem exata do minério e se o carregamento fazia parte de um esquema permanente de envio clandestino para mercados internacionais.

O destino final da carga seria Dubai, um dos maiores centros mundiais de comercialização de ouro, metais preciosos e pedras preciosas. O emirado concentra intensa movimentação internacional desse mercado e frequentemente aparece em investigações envolvendo ouro extraído ilegalmente em diversos países.

Especialistas em segurança pública destacam que organizações criminosas costumam utilizar aeronaves fretadas para reduzir o tempo de transporte e minimizar riscos durante deslocamentos internacionais, principalmente em operações envolvendo cargas de alto valor agregado.

A apreensão dos quase 200 quilos de ouro representa um duro golpe financeiro para o grupo responsável pela operação, já que o valor estimado ultrapassa a marca de US$ 25 milhões.

Além da carga milionária, a própria aeronave passou a integrar o conjunto de bens analisados pelas autoridades bolivianas, permanecendo sob restrições enquanto a investigação procura esclarecer todas as circunstâncias do voo.

A análise inclui documentos de fretamento, registros de manutenção, autorizações de entrada e saída do país, plano de voo, identificação da tripulação e eventuais comunicações realizadas antes da decolagem.

O caso também chama atenção por envolver uma complexa operação logística internacional, demonstrando que organizações criminosas vêm utilizando estruturas sofisticadas para tentar driblar os sistemas de fiscalização existentes nos aeroportos sul-americanos.

Com a investigação em andamento, novas diligências deverão ser realizadas tanto na Bolívia quanto em outros países que possam ter ligação com a tentativa de exportação do ouro.

As autoridades continuam reunindo provas, analisando documentos, ouvindo testemunhas e rastreando possíveis conexões internacionais que possam esclarecer toda a estrutura utilizada para movimentar uma carga milionária que acabou sendo interceptada antes de deixar definitivamente o território boliviano.

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