Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário de forte preocupação com a chikungunya. O Estado já contabiliza 12.803 casos prováveis da doença em 2026, dos quais 9.686 foram confirmados. O número mostra a força da circulação do vírus e mantém os serviços de saúde em alerta diante do avanço de uma doença transmitida pelo mesmo mosquito responsável pela dengue, o Aedes aegypti.
O quadro também é marcado pela confirmação de 28 mortes provocadas pela chikungunya em diferentes municípios sul-mato-grossenses. Os óbitos foram registrados em Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Ponta Porã e Nioaque. Além disso, uma morte ainda está sendo investigada para verificar se existe relação com a doença.
A situação preocupa especialmente porque a chikungunya pode provocar dores intensas nas articulações, febre alta, cansaço e outros sintomas que, em alguns casos, permanecem por semanas ou até meses. Em determinadas situações, principalmente entre pessoas mais vulneráveis, a infecção pode evoluir para quadros graves e levar à morte.
Entre os registros confirmados no Estado, 114 casos envolvem gestantes. A presença da doença nesse grupo exige atenção especial, devido à necessidade de acompanhamento médico e avaliação cuidadosa de cada caso. O atendimento rápido pode ser importante para evitar complicações e garantir o acompanhamento adequado durante a gestação.
A circulação da chikungunya ocorre em um momento em que a dengue também continua presente em Mato Grosso do Sul. O Estado soma 4.718 casos prováveis de dengue, com 1.815 confirmações. Até o momento, não há mortes confirmadas pela doença em 2026, embora dois óbitos ainda estejam sob investigação.
Nos últimos 14 dias, municípios de diferentes regiões registraram baixa incidência de casos confirmados de dengue. Entre eles estão Praíso das Águas, Santa Rita do Pardo, Jaraguari, Fátima do Sul, Angélica, Dois Irmãos do Buriti, Paranhos, Nioaque, Chapadão do Sul, Sidrolândia, Itaquiraí, Ladário, Três Lagoas, Jardim, Caarapó e Campo Grande.
Apesar da baixa incidência em algumas localidades, o cenário exige atenção permanente. A presença do Aedes aegypti em diferentes áreas do Estado faz com que a transmissão possa voltar a crescer sempre que existirem condições favoráveis para a reprodução do mosquito, principalmente com a presença de água parada em recipientes, quintais, terrenos e imóveis abandonados.
A prevenção continua dependendo de ações simples, mas que precisam ser feitas de forma constante. Caixas d’água, pneus, garrafas, vasos de plantas, calhas, piscinas sem manutenção e qualquer outro recipiente capaz de acumular água podem se transformar em criadouros. Por isso, a limpeza dos imóveis e a eliminação desses pontos são medidas importantes para reduzir a circulação do mosquito.
A vacinação contra a dengue também avança no Estado. Mato Grosso do Sul recebeu 241.030 doses do imunizante e já registrou a aplicação de 223.322 doses. Desse total, 201.349 foram administradas em pessoas que fazem parte do público-alvo definido para a campanha.
O esquema de vacinação é formado por duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A recomendação é voltada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, 11 meses e 29 dias, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A imunização é considerada uma ferramenta importante para reduzir o risco de casos graves e diminuir a pressão sobre os serviços de saúde. A adesão das famílias, no entanto, continua sendo fundamental para que as doses disponíveis sejam aplicadas dentro do público indicado.
No caso de sintomas como febre, dores no corpo, dor intensa nas articulações, manchas na pele, dor de cabeça, náuseas ou forte cansaço, a orientação é procurar atendimento em uma unidade de saúde. A avaliação profissional ajuda a diferenciar os possíveis quadros e permite o acompanhamento correto da evolução da doença.
A automedicação deve ser evitada. O uso de medicamentos sem orientação pode trazer riscos, principalmente quando o paciente ainda não sabe se está com dengue, chikungunya ou outra infecção. A procura por atendimento também é importante em casos de piora dos sintomas, fraqueza intensa, dificuldade para se alimentar ou beber líquidos e sinais de agravamento.
O avanço dos casos mostra que o combate às arboviroses depende de uma ação conjunta. O poder público precisa manter o trabalho de fiscalização, limpeza, orientação e atendimento, enquanto a população tem papel direto na eliminação dos locais onde o mosquito pode se reproduzir.
Com quase 10 mil casos confirmados de chikungunya e dezenas de mortes registradas, Mato Grosso do Sul enfrenta um período que exige atenção redobrada. A doença não deve ser tratada como um problema passageiro, principalmente diante da possibilidade de dores prolongadas e complicações em determinados pacientes.
A eliminação de qualquer ponto de água parada, a busca por atendimento médico diante dos primeiros sintomas e a vacinação contra a dengue continuam entre as principais formas de proteção. A prevenção diária ainda é uma das medidas mais importantes para impedir que o mosquito avance e provoque novos casos em diferentes regiões do Estado.
Confira os boletins:
BOLETIM DA DENGUE
BOLETIM DA CHIKUNGUNYA
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