O fonoaudiólogo Wilson Nonato Rabelo Sobrinho, de 30 anos, foi condenado a 25 anos de prisão em regime fechado por ter estuprado um menino, de 8 anos, durante uma sessão, em Campo Grande. A decisão foi divulgada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), nesta quarta-feira (5), mais de um ano após a primeira denúncia.
A sentença foi assinada pelo juiz de direito Robson Celeste Candeloro. De acordo com a decisão, esta é a primeira decisão da Justiça, de seis denúncias de abuso sexual de vulnerável feitas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Os júris em relação as outras cinco vítimas ainda não foram marcados. Os casos seguem em segredo de Justiça.
O menino, de 8 anos, começou os atendimentos de fonoaudiologia com o suspeito quatro meses antes dos primeiros abusos. Na primeira consulta, a mãe acompanhou a sessão, mas logo foi repreendida pelo fonoaudiólogo, que avisou que o segundo atendimento seria apenas entre ele e o paciente.
A empresária começou a reparar comportamento atípico no filho há um mês. Segundo a mãe da vítima, o garoto teria perguntado ao irmão mais velho se “era normal o tio [fonoaudiólogo] passar a mão no pipi” dele.

Chorando muito, o menino relatou os abusos à mãe. De pronto, a empresária mencionou que tentou abordar a situação com o filho mostrando que a culpa não era dele. Relatando à mãe, o menino disse que o fonoaudiólogo trancava a porta do consultório, colocava música, pedia para a criança subir na maca e iniciava os abusos.
“O fonoaudiólogo pedia para passar a mão no pipi dele. O abusador abaixava o short do meu filho, passava a mão e pedia para que o meu ele fizesse a mesma coisa com o fono, mas a criança disse que não sabia o que estava fazendo”, contou.
Acusações
Wilson Nonato foi preso em flagrante no dia 9 de março de 2022 e teve a prisão convertida em preventiva no dia seguinte, após o menino, de 8 anos de idade, denunciar os abusos sexuais que se repetiram por no mínimo 10 vezes no consultório onde o profissional atendia, localizado no Centro de Campo Grande.
Após este caso ser descoberto, famílias de outros pacientes começaram a procurar a polícia para investigar se os filhos também tinham sido vítimas e outros casos foram confirmados.
As investigações sobre os casos de violência sexual contra crianças cometidos pelo suspeito indicam que ele escolhia as vítimas mais vulneráveis para cometer os abusos em uma tentativa de ficar impune.
Durante as investigações a polícia descobriu imagens de abuso sexual infantil no celular do fonoaudiólogo, não de pacientes dele, mas de outras crianças.