O bairro da Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, voltou a ter intensos tiroteios — em mais um capítulo das disputas por território entre criminosos. Na última quarta-feira (16), um cachorrinho foi atingido por uma bala perdida.
Duque, um shih-tzu, estava na varanda de casa, na Estrada do Rio Grande, quando um projétil parou na pata traseira direita na última quarta-feira (16). O cãozinho passa bem.
Uma moradora da Estrada do Tindiba, que vive há 27 anos na Taquara, contou que nunca viu o bairro assim. “A Taquara pede socorro, não aguentamos mais a insegurança. Tiroteio não tem hora. De madrugada, de manhã e à tarde”, declarou.
“Temos que nos agachar, ficar deitados no chão, porque a gente nunca sabe de onde que vem a bala porque parece que sai atirando pra tudo quanto é lugar”, emendou.
“Nós queremos paz de poder botar nossa cabeça no travesseiro e dormir tranquilo.”
Marcas de balas podem ser vistas em uma academia e em um hospital, além de janelas de apartamentos e carros em garagens.
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No último domingo (13), Dia dos Pais, moradores foram surpreendidos com 3 horas e meia de tiro.
A região vem sofrendo com confrontos entre traficantes e milicianos que disputam o controle da comunidade.
Entenda o conflito
Desde meados de janeiro, diferentes grupos criminosos que agem na Região Metropolitana do Rio acirraram uma já violenta disputa por territórios.
Em resumo, o Comando Vermelho está atacando rivais, principalmente milicianos, para ampliar seus domínios — e tem conseguido.
A guerra tem efeitos dramáticos sobre a população, que quase diariamente se vê na linha de tiro. Também se reflete na crescente apreensão de armamentos — em 2023, três fuzis são retirados por dia das mãos de bandidos, e na piora dos índices de segurança.
O Jordão é apenas uma de várias comunidades da Grande Jacarepaguá alvo das disputas. O Comando Vermelho e as milícias brigam em Água Santa (Morro do Dezoito), Campinho (Bica e Fubá), Praça Seca (Barão, Baronesa, Chácara Flora, Chacrinha e São José Operário), Quintino (Saçu) e Tanque (Covanca).
Todas essas comunidades circundam o mesmo maciço, a parte noroeste do Parque Nacional da Tijuca, por cujas trilhas na mata criminosos articulam as investidas.
De acordo com as investigações, o Comando Vermelho tomou da milícia todas essas comunidades. Paramilitares tentam reconquistar territórios e focam os contra-ataques em Água Santa e na Praça Seca.