Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Acusado de esfaquear dois homens em conveniência é preso e alega legítima defesa contra suposto cerco de grupo criminoso

Luan Carlos Palando Torres de vinte e oito anos nega ter atingido duas vítimas durante confusão no Bairro Estrela do Sul e afirma que utilizou canivete para se proteger após ser ameaçado na madrugada
Morador acionou o socorro, mas a ligação caiu e as equipes não localizaram a testemunha
Morador acionou o socorro, mas a ligação caiu e as equipes não localizaram a testemunha

A tranquilidade da madrugada no Bairro Estrela do Sul, em Campo Grande, foi rompida por uma confusão generalizada em uma conveniência que resultou em dois homens feridos a golpes de faca e na prisão de um jovem de vinte e oito anos. Luan Carlos Palando Torres foi localizado por investigadores do Grupo de Operações e Investigações horas após o incidente, ocorrido nas primeiras horas do dia. Em seu depoimento oficial, o rapaz apresentou uma versão de legítima defesa, afirmando que agiu sob forte pressão e medo após ser cercado por um grupo de pessoas que, segundo ele, seriam integrantes de uma facção criminosa que atua na região.

O episódio teve início após Luan e sua companheira deixarem um bar na Rua quatorze de Julho, onde haviam consumido bebidas alcoólicas. Segundo o relato do suspeito, o casal parou na conveniência apenas para a compra de cigarros antes de seguir para casa. Foi nesse momento que um homem teria se aproximado e proferido ameaças, alegando ter agredido o irmão de Luan anteriormente e que ele seria o próximo alvo. Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento registram o momento em que um grupo de pessoas começa a correr atrás do jovem, que buscou refúgio nas ruas adjacentes. Luan admitiu ter sacado um canivete que portava no bolso e atingido um dos perseguidores, mas negou veementemente ter ferido uma segunda pessoa.

Contudo, as informações colhidas na Santa Casa de Campo Grande contam uma história mais complexa e grave. Duas vítimas deram entrada no hospital com ferimentos causados por arma branca. O caso mais crítico é o de um chapeiro de trinta e sete anos, que relatou ter sido atingido no peito ao tentar intervir em uma discussão por volta das três horas da manhã. O golpe foi tão severo que perfurou o pulmão do trabalhador, exigindo procedimentos de drenagem de emergência na ala vermelha da unidade de saúde. A segunda vítima, um homem de trinta e três anos, afirmou ter sido abordado por volta das quatro horas e acusado injustamente de furtar uma motocicleta, sendo atingido por golpes no abdômen e nas costelas.

Luan Carlos Palando Torres contesta os horários e a quantidade de vítimas relatadas. Ele afirma que após o primeiro embate, fugiu correndo e se escondeu no telhado de uma loja, onde permaneceu até avistar uma viatura policial. Segundo o suspeito, ele retornou ao local do conflito apenas para tentar recuperar sua motocicleta, que já não estava mais lá, e nega ter desferido golpes contra o homem que teve o pulmão perfurado. O jovem alegou que perdeu seu canivete durante a fuga e que seguiu para seu local de trabalho, onde acabou sendo capturado pelos policiais civis na manhã seguinte ao crime.

Testemunhas que presenciaram a briga na conveniência relataram uma dinâmica diferente da apresentada pelo acusado. Segundo os relatos, Luan teria iniciado a agressão com um soco antes de correr para a via pública sendo perseguido por populares. Momentos depois, um dos envolvidos foi visto retornando com as mãos nas costelas, indicando que havia sido esfaqueado. O clima de tensão no local era visível e a correria se espalhou pelas calçadas próximas ao estabelecimento. A polícia agora trabalha para confrontar as imagens do circuito interno com os depoimentos das vítimas e das testemunhas oculares para esclarecer se houve de fato um intervalo de uma hora entre os dois ataques ou se tudo ocorreu em um único momento de fúria.

O caso foi oficialmente registrado como tentativa de homicídio e o acusado permanece à disposição da justiça em regime de prisão preventiva. A investigação pretende apurar se as alegações de ameaças por parte de membros de facções criminosas têm fundamento ou se foram utilizadas apenas como estratégia de defesa para justificar a violência empregada. Enquanto isso, o estado de saúde das vítimas continua sendo monitorado, com o chapeiro permanecendo sob cuidados intensivos devido à gravidade da lesão pulmonar. A faca ou canivete utilizado no crime ainda não foi recuperado pelas autoridades, que seguem realizando diligências na região do Bairro Estrela do Sul.

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