Na noite da última quarta-feira, a cena no UPA do Leblon retratava o caos: corredores lotados, pacientes em agonia, ausência de médicos especialistas e uma farmácia sem Dipirona, Ibuprofeno ou Ácido Acetilsalicílico. A crise que se espalha pelas unidades de saúde da capital escancara a falência da gestão Adriane Lopes e seu desprezo pelo sofrimento da população.
Campo Grande vive uma crise sanitária profunda e crescente, marcada pelo colapso do sistema público de saúde. Nos corredores de unidades de pronto atendimento, como o UPA do bairro Leblon, a dor da espera se mistura à revolta dos que já não encontram alívio nem nos medicamentos mais simples.
Na noite de ontem, a reportagem presenciou o retrato do abandono: dezenas de pessoas amontoadas em bancos e cadeiras, algumas sentadas no chão, aguardavam por atendimento médico que parecia nunca chegar. O número de profissionais disponíveis era insuficiente. Faltavam médicos especialistas, como clínicos gerais, pediatras e ortopedistas. A demora nos atendimentos gerou clima de tensão, com discussões entre pacientes e servidores que, mesmo esgotados, tentavam manter a ordem diante da negligência da gestão municipal.
O drama se repete em toda a rede pública. A crise não se limita à ausência de profissionais. Em muitas unidades, inclusive na farmácia central, já não há sequer medicamentos básicos à disposição da população. A escassez de dipirona, ibuprofeno e ácido acetilsalicílico remédios baratos e amplamente utilizados tornou-se símbolo do descaso. Famílias que dependem dessas substâncias para controlar febres, dores e inflamações são obrigadas a gastar do próprio bolso, quando conseguem, ou simplesmente ficam sem qualquer tipo de alívio.
Além desses, também faltam medicamentos como paracetamol, amoxicilina e losartana, usados amplamente por pacientes crônicos, hipertensos, crianças e idosos. A ausência desses itens compromete diretamente o tratamento de doenças comuns e agrava o quadro de saúde de milhares de campo-grandenses.

Receita como prova da falta de Dipirona na farmácia do UPA Leblon
A origem do problema está no calote da prefeitura a fornecedores. Empresas responsáveis pela entrega de medicamentos interromperam os contratos por falta de pagamento. Sem licitações ativas e sem estoques, a Secretaria Municipal de Saúde vê-se de mãos atadas enquanto os prontos-socorros funcionam com prateleiras praticamente vazias.
Mesmo diante das denúncias e das evidências, a prefeita Adriane Lopes não assume responsabilidade. Quando questionada, costuma alegar perseguição política, culpando a oposição e até mesmo a gestão passada da qual foi vice-prefeita. Em vez de apresentar soluções, se refugia em discursos repetitivos, ignorando o sofrimento real da população que depende do SUS para sobreviver.
A situação se agrava com a lentidão no agendamento de consultas com especialistas. Moradores relatam que aguardam por meses para serem atendidos por ginecologistas, cardiologistas, neurologistas e outros profissionais. Exames simples, como ultrassonografias e eletrocardiogramas, também estão em fila. O termo “fila da morte” não é exagero. É a descrição de uma realidade em que o tempo se tornou inimigo da vida.
Os funcionários da saúde, por sua vez, estão sobrecarregados. Muitos trabalham em regime de plantão dobrado, sem estrutura, apoio ou reajuste salarial. O estresse diário e a falta de perspectiva têm levado profissionais a pedir exoneração. Enquanto isso, as unidades de saúde seguem com déficit de pessoal, e a demanda não para de crescer.
Moradores, conselhos de saúde e entidades como o Conselho Regional de Medicina já alertaram para o risco de colapso total do sistema. A Prefeitura, no entanto, segue inerte. A ausência de um plano de emergência e de gestão efetiva dos recursos públicos compromete não apenas a saúde, mas a dignidade do povo campo-grandense.
O silêncio da prefeita Adriane Lopes, intercalado por bravatas políticas e desculpas infundadas, é um agravante da tragédia. A cidade está doente. E o diagnóstico é claro: a administração municipal perdeu o controle da saúde pública.
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