Pesquisar
Close this search box.
Mato Grosso do Sul, 25 de maio de 2024
Campo Grande/MS
Fuente de datos meteorológicos: clima en Campo Grande a 30 días

Agressão a aluna brasileira na porta de escola choca Portugal

Estudante de 14 anos foi espancada do lado de fora do colégio em episódio que reforça petição por mais policiamento diante do aumento da violência

Uma estudante brasileira de 14 anos foi agredida com violência do lado de fora da escola básica onde estuda, em Santarém, na região do Alentejo, em Portugal.

As cenas violentas foram filmadas pelos alunos e disseminadas nas redes sociais. Alguns noticiários reproduziram o vídeo, que se tornou viral e chocou a população.

Uma das pessoas surpreendidas pela violência foi a mãe da vítima, a brasileira Lucélia Marília Oliveira. Segundo disse ao Portugal Giro, ela estava no restaurante onde trabalha quando foi alertada.

— Estava no restaurante e disseram: “Marília, olha a tua filha na TV”. Senti vergonha. Quando vi o vídeo, que já havia recebido sem saber que era minha filha, fiquei desesperada — disse Oliveira.

Segundo Oliveira, a agressora é uma estudante portuguesa de outra escola e também teria 14 anos. A violência começou porque a portuguesa, filha de uma brasileira, teria ouvido um boato sobre a mãe.

— Minha filha diz que inventaram fofoca sobre a mãe da agressora e, por causa disso, ela foi tirar satisfação. Ficou esperando a hora da saída, às 18h30m, com uma amiga, que filmava enquanto ela batia — declarou Oliveira.

No vídeo, a agressora vai atrás da vítima, dá um tapa em seu rosto e, depois, consegue jogá-la na calçada. Imobilizada, a filha de Oliveira recebe uma sequência de socos no rosto.

— Fomos ao hospital e tenho o laudo. Minha filha está com hematomas e não quer sair de casa, com vergonha. A escola sugeriu que fique em casa até quarta-feira. Ela chora direto porque vê na TV, foi noticiado em todos jornais — disse Oliveira.

Oliveira diz que irá hoje à delegacia com a filha. De acordo com ela, uma queixa já foi apresentada na última semana. Também haverá uma reunião na escola.

— Nada teria acontecido se houvesse policiamento na porta das escolas. E se ela estivesse armada? Eu venho de uma favela de Fortaleza e vi muita coisa, mas nunca pensei em ver violência com minha filha em Portugal — afirmou Oliveira.

Oliveira diz que a filha já sofreu ameaças e xenofobia na escola. E o mesmo aconteceu com o filho menor. Os três, há cerca de quatro anos em Portugal, vivem sozinhos em Santarém, porque o marido e pai foi transferido para a França, onde trabalha na construção civil.

— Meus dois filhos sofreram insultos xenófobos e choraram quando ouviram “volta para tua terra”. Minha filha quer ir embora para o Brasil, sofre com o preconceito e pede socorro. Mas não penso em ir embora, penso que as coisas têm que mudar — disse Oliveira.

Para pressionar por mais policiamento nas escolas, a brasileira Juliet Cristino, fundadora do Comitê dos Imigrantes de Portugal (CIP), criou em janeiro uma petição, que pode ser assinada aqui.

— Há muita violência nas escolas e isso não pode acontecer. Temos que colocar policiamento para proteger a nossa nova geração — declarou Cristino.

A imigrante brasileira, que acumula conquistas em nome dos estrangeiros, questiona a estratégia de segurança pública nas cidades.

— Cadê os policiais? Estão nos supermercados. Estou pedindo, na petição, policiamento nas escolas, radar a 30 metros da faixa de pedestres de cada escola, monitoramento por câmera em toda a propriedade escolar e que os pais tenham acesso a esse sistema de vigilância — explicou Cristino.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) mantém desde 1992 o Programa Escola Segura (PES), criado com o objetivo de “melhorar os índices de segurança”, como informa o órgão em sua página.

Em 2017, foi publicado um despacho que define as atuais regras do programa. Entre elas, a “garantia da segurança das áreas envolventes dos estabelecimentos de ensino”.

Ainda segundo a página do programa, os objetivos prioritários são, entre outros, “diagnosticar, prevenir e intervir nos problemas de segurança das escolas e prevenir e erradicar a ocorrência de comportamentos de risco e ou de ilícitos nas escolas e nas áreas envolventes”.

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.