Mato Grosso do Sul, 21 de junho de 2026
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Agricultura familiar alcança novo patamar em Mato Grosso do Sul com avanço das compras institucionais

Programas públicos movimentam milhões e transformam a realidade de pequenos produtores rurais, revelando um novo ciclo de prosperidade e inclusão no campo sul-mato-grossense
Imagens - SECOM/Divulgação
Imagens - SECOM/Divulgação

O cenário da agricultura familiar em Mato Grosso do Sul passa por uma verdadeira transformação. Amparados por políticas públicas voltadas à aquisição de alimentos diretamente da produção local, pequenos produtores têm visto suas vidas se modificar em ritmo acelerado. O ano de 2025, mesmo ainda em seu segundo semestre, já se consolida como um marco histórico para esse segmento essencial do campo brasileiro, com a projeção de um novo recorde em comercialização.

Dados parciais da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) indicam que, somente no primeiro semestre, a agricultura familiar sul-mato-grossense movimentou mais de R$ 5,1 milhões por meio dos programas PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Esse desempenho já sinaliza um avanço expressivo em relação aos anos anteriores e aponta para um ciclo de crescimento sustentável e contínuo.

Ao todo, foram protocoladas 251 propostas em 2025, evidenciando o interesse e a organização cada vez maior dos agricultores familiares em acessar os mercados institucionais. O que antes era considerado burocrático e distante, hoje se tornou prática comum em dezenas de municípios, graças ao suporte técnico, documental e produtivo das equipes locais da Agraer.

A estruturação dessas políticas não se traduz apenas em números. Ela reverbera diretamente nas comunidades, onde histórias de superação e empreendedorismo florescem junto às plantações. Um exemplo vivo dessa transformação é a agricultora Marlene Azambuja, do Polo Agroecológico Oeste. Produtora orgânica certificada, ela encontrou no apoio institucional uma alavanca para sua autonomia. “Investimos em tecnologia, como o sombrite, para melhorar a irrigação e ampliar a produção. Hoje conseguimos atender melhor o mercado e já pensamos em novos horizontes”, relata.

O desempenho dos municípios sul-mato-grossenses também revela uma articulação sólida entre os produtores e o poder público. Em 2024, cinco cidades concentraram metade do valor total dos projetos apresentados: Sidrolândia, Naviraí, Itaporã, Coronel Sapucaia e Anastácio. O protagonismo dessas localidades decorre diretamente do trabalho de base das equipes da Agraer, que têm atuado na ponta do processo, desde a regularização de documentação até o acompanhamento das entregas.

A gerente de Desenvolvimento Agrário e Abastecimento da Agraer, Izabel Cristina Pereira, destaca que o diferencial está no suporte integral oferecido. “Nosso papel vai além da assistência técnica. Trabalhamos também na parte organizacional, ajudando o produtor a entender o edital, montar sua proposta, planejar a escala de produção e cumprir os prazos. Isso tem sido decisivo para os bons resultados”, afirma.

Somente nos primeiros seis meses de 2025, já foram elaborados ou protocolados 30 projetos do PAA e 221 do PNAE. Os maiores volumes de recursos concentram-se nos contratos do PAA protocolados, que somaram R$ 1,47 milhão, e nas aquisições municipais do PNAE, que chegaram a R$ 1,44 milhão. Isso representa impacto direto e concreto na renda das famílias rurais.

Marlene, por exemplo, participou dos dois programas. “Entrei no PAA em 2023, com apoio da Agraer, após a emissão da CAF, antiga DAP. Em 2025, consegui entrar no PNAE, atuando individualmente, fora de associações. Fui aprovada por duas escolas e forneço hortaliças variadas, todas orgânicas”, conta, com orgulho. Ela destaca ainda que sua certificação orgânica completará três anos em outubro, uma conquista relevante dentro do mercado agroecológico.

Os dados reforçam uma tendência de crescimento: em 2022, a soma dos programas foi de R$ 5,47 milhões; em 2023, subiu para R$ 7,38 milhões; e, em 2024, ultrapassou R$ 11 milhões — mais que o dobro do registrado dois anos antes. Isso evidencia não apenas um volume financeiro crescente, mas também um amadurecimento organizacional da cadeia produtiva da agricultura familiar no estado.

Além dos números, as perspectivas futuras também são animadoras. Um novo edital do PAA estadual, com foco específico nas comunidades indígenas, foi aberto recentemente. A iniciativa busca promover maior inclusão e ampliar o acesso desses grupos às políticas de compras públicas. “Acreditamos que esse movimento aumentará ainda mais os valores investidos e o alcance social dos programas”, projeta Izabel Cristina.

A construção desse novo capítulo da agricultura familiar é, portanto, resultado de um esforço coletivo. Produtores dedicados, políticas públicas efetivas e assistência técnica qualificada se combinam para transformar realidades e renovar esperanças no campo sul-mato-grossense. Mais do que números em uma planilha, o avanço registrado representa comida de qualidade nas escolas, renda nas mãos de quem planta e uma economia local mais justa e sustentável.

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