Mato Grosso do Sul, 2 de julho de 2026
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Alexandre de Moraes anula decisão da Câmara e determina perda do mandato de Carla Zambelli

Supremo Tribunal Federal decide que deputada condenada deve perder mandato, e Adilson Barroso assume a vaga de Zambelli
Minsitro do STF Alexandre de Moraes. | Foto: Agência Brasil
Minsitro do STF Alexandre de Moraes. | Foto: Agência Brasil

Em uma decisão de impacto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou, nesta quinta-feira (11), a decisão da Câmara dos Deputados que havia mantido o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Moraes determinou que a parlamentar perca imediatamente sua cadeira, estabelecendo que o suplente Adilson Barroso (PL-SP) tome posse no prazo de 48 horas.

A decisão do ministro reflete uma interpretação clara sobre a competência do Poder Judiciário em questões de perda de mandato de parlamentares. Moraes afirmou que, no caso de um parlamentar condenado por decisão transitada em julgado, cabe ao Judiciário determinar a perda do mandato, sendo a Câmara responsável apenas por declarar essa perda. Esse posicionamento coloca em xeque a autonomia da Câmara em questões que envolvem a cassação de mandatos, principalmente em situações envolvendo crimes cometidos por parlamentares.

Na sua decisão, Moraes destacou que a rejeição da representação que visava à cassação do mandato de Zambelli, promovida pela Mesa Diretora da Câmara, deveria ser considerada nula. Isso se baseia em uma decisão anterior da Primeira Turma do STF, que já havia se manifestado sobre a perda do mandato de parlamentares condenados. “Declaro nula a rejeição da representação nº 2/2025 da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e decreto a perda imediata do mandato parlamentar de Carla Zambelli Salgado de Oliveira”, afirmou o ministro.

Com essa medida, a cadeira de Zambelli será ocupada pelo suplente Adilson Barroso, que deve ser empossado em até 48 horas, conforme determinado por Moraes. A decisão do STF segue um processo jurídico rigoroso que já vinha se desenrolando nos tribunais, refletindo a tentativa de reverter uma situação que muitos consideram uma falha na condução da Câmara em relação à perda de mandato da parlamentar.

Carla Zambelli, que já enfrenta diversas polêmicas e acusações, foi presa em julho deste ano em Roma, na Itália, quando tentava fugir do cumprimento de um mandado de prisão. A deputada, que possui dupla cidadania, havia deixado o Brasil após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. Essa invasão teve como objetivo a emissão de um mandado falso de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes, o que culminou em sua condenação.

O processo de extradição de Zambelli está em andamento. O governo brasileiro solicitou oficialmente à Itália a extradição da deputada, após ela se esconder no país europeu. A decisão sobre o pedido de extradição será tomada na próxima quinta-feira (18), quando uma audiência na Justiça italiana deve ser realizada para decidir se Zambelli será devolvida ao Brasil para cumprir sua sentença.

Essa série de eventos coloca em evidência a tensão entre o Judiciário e o Legislativo, especialmente quando se trata da perda de mandatos de parlamentares envolvidos em ações criminosas. A decisão do ministro Moraes fortalece a interpretação de que, em casos como o de Zambelli, a Câmara dos Deputados não tem autonomia para manter um mandato de um parlamentar condenado judicialmente, especialmente quando o caso é definitivo e sem possibilidade de recursos.

Além disso, a situação de Zambelli serve de alerta para a fragilidade do processo político e jurídico envolvendo figuras públicas e seus comportamentos fora dos padrões éticos exigidos por seus cargos. A deputada, ao tentar escapar para o exterior, ilustra uma tentativa de se esquivar das consequências legais, algo que o sistema de Justiça está claramente tentando corrigir com essa decisão.

O caso ainda está longe de ser concluído, mas a decisão de Moraes representa uma vitória para aqueles que defendem a imparcialidade do Judiciário e a necessidade de garantir que parlamentares, independentemente de sua posição política ou popularidade, respondam legalmente por seus atos.

Agora, com a posse de Adilson Barroso se aproximando, as atenções se voltam para a atuação deste suplente, que assume uma vaga em meio a um cenário político altamente polarizado e carregado de simbolismo. A decisão do STF marca mais um capítulo importante na busca pela transparência e justiça no exercício dos mandatos parlamentares.

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