Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Ana Castela e o poder da voz feminina no sertanejo: da fazenda ao topo das paradas

Com discurso empoderado, carisma natural e raízes sul-mato-grossenses, a artista se firma como um dos maiores nomes da nova geração da música brasileira
Como a Boiadeira conquistou espaço com sua voz potente  -  Imagem - Foto: Bia Pinho
Como a Boiadeira conquistou espaço com sua voz potente - Imagem - Foto: Bia Pinho

Com apenas 21 anos de idade e três de carreira profissional, Ana Castela já conquistou o status de fenômeno da música brasileira. Natural de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, a jovem que começou cantando em coral de igreja e montando a cavalo nas estradas de terra do interior, hoje é presença confirmada nos palcos mais cobiçados do país, nas paradas musicais e nas playlists que ecoam pelas festas, celulares e fones de milhares de fãs. Ela é a “Boiadeira”, alcunha que adotou com orgulho, mas também é a representação de um novo tempo: uma mulher que ocupa espaços tradicionalmente masculinos com voz forte, posicionamento firme e sensibilidade à flor da pele.

A virada na vida de Ana começou de forma quase improvisada. Em 2021, aos 17 anos, ela gravou um vídeo caseiro interpretando a canção “Vaqueiro Apaixonado” enquanto cavalgava com naturalidade em sua cidade natal. O timbre potente e a figura da adolescente sobre o cavalo chamaram a atenção. A gravação viralizou, e a moça que sonhava em cursar odontologia viu sua trajetória tomar novos rumos.

Convidada pelo empresário Rodolfo Alessi, mudou-se para Londrina, no Paraná, onde passou a se dedicar integralmente à música. Trancou a faculdade sem olhar para trás e mergulhou de cabeça na carreira artística. “Realizei o sonho que era de minha mãe. Ela sempre acreditou no meu talento, e me incentivava quando eu cantava na igreja”, conta Ana, emocionada.

No repertório que consolidou sua identidade musical, Ana Castela soube unir o estilo sertanejo com elementos pop e discursos empoderadores. Em sucessos como “Dona de Mim”, ela celebra a mulher do campo, independente e dona do próprio destino. “Minha mãe me criou para ser dona de fazenda, dona de gado e dona de mim mesma”, diz a canção, que se tornou um hino entre fãs mulheres. Para elas, Ana tem uma mensagem clara: “Podemos ser quem a gente quiser. Mulherada, nós podemos tudo”.

Apesar do visual despojado e da presença marcante nos palcos, Ana é tímida fora das luzes. “Demorei para me acostumar com tanta gente gritando meu nome, pedindo foto. Foi muito rápido, ainda estou digerindo”, revela. Mesmo assim, se destaca também nas redes sociais, onde publica vídeos dançando, cantando e interagindo com fãs, mas sempre mantendo uma postura discreta sobre sua vida pessoal. “Meu foco é a música. As redes são ferramentas, mas não quero viver em função delas”, afirma.

A carreira da artista sul-mato-grossense segue em franca ascensão. Em 2024, lançou o DVD “Modão”, reunindo sucessos e parcerias com grandes nomes da música brasileira. Em 2025, inovou com o “Navio da Boiadeira”, um cruzeiro temático que reuniu fãs em alto-mar em uma celebração de sua trajetória. Entre os artistas com quem já dividiu os vocais estão Alok, Gusttavo Lima, Luan Santana, Israel e Rodolffo, Zé Felipe, Dilsinho, Melody e até mesmo o mexicano Gabito, com quem gravou em espanhol. Ana, inclusive, já planeja lançar um álbum inteiro no idioma.

A mistura de referências é uma marca registrada da cantora. Apaixonada por funk, pop e sertanejo, ela afirma que sua sonoridade é um reflexo do que consome. “Gosto de tudo isso, então por que não misturar? Está dando certo”, diz, ao lembrar que Beyoncé é uma de suas inspirações — especialmente pela força cênica. No DVD, chegou a entrar montada em um cavalo, gesto que remete à diva americana, mas com o tempero sertanejo do interior do Brasil.

Ana vive atualmente em Londrina, onde mantém sua base profissional. Ainda acompanha o pai em muitas viagens, e afirma que a família continua sendo seu alicerce. “Eles são tudo pra mim. Meu pai me acompanha nos shows, minha mãe cuida do meu emocional, minha irmãzinha é minha paixão. Sem eles, nada faria sentido”.

O caminho até aqui foi trilhado com talento, carisma e muito trabalho. Ana Castela representa uma nova geração de mulheres que cantam, encantam e inspiram. Com voz firme e pés no chão, a Boiadeira deixa um recado que ecoa para além dos palcos: “Não existe um padrão a seguir. Podemos ser quem quisermos — e chegar onde sonharmos”.

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