Mato Grosso do Sul, 17 de junho de 2026
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Anvisa aprova medicamento de prevenção ao HIV com injeção a cada seis meses

Sunlenca garante alta proteção para adolescentes e adultos em risco, com eficácia comprovada até 100% em estudos e esquema simplificado que facilita a adesão ao tratamento preventivo
Imagem - Divulgação
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A Anvisa anunciou nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, a aprovação de nova indicação para o Sunlenca, medicamento à base de lenacapavir, agora autorizado como profilaxia pré-exposição para prevenir infecção pelo HIV-1 em relações sexuais. A medida vale para adultos e adolescentes a partir de 12 anos com peso acima de 35 kg que correm risco de contrair o vírus, solicitando teste negativo para HIV-1 antes do início do uso. Essa inovação chega para fortalecer a luta contra a Aids no Brasil, onde cerca de 50 mil novos casos surgem todos os anos.

O lenacapavir não é capsídeo do HIV-1, bloqueando vários passos da replicação viral e paralisando a transcrição reversa do vírus. O remédio vem em injeção subcutânea aplicada a cada seis meses e comprimido oral no início do tratamento, oferecendo conveniência muito superior aos esquemas diários. Essa duração longa reduz esquecimentos e visitas constantes a clínicas, beneficiando especialmente jovens, trabalhadores informais e populações em áreas remotas.

A profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, serve para pessoas sem o vírus que enfrentam situações de risco, como sexo sem preservativo ou múltiplos parceiros. Faz parte da prevenção combinada, que une testagem regular, uso de camisetas, tratamento para soropositivos, profilaxia pós-exposição e cuidados com gestantes infectadas. No Brasil, com 1 milhão de pessoas vivendo com HIV, a PrEP já evita milhares de infecções, e o Sunlenca eleva essa proteção com regime semestral.

Testes clínicos confirmam resultados especializados. Entre mulheres cisgêneras, o medicamento atingiu 100% de eficácia na prevenção do HIV-1. Em comparações gerais, foram mostrados 96% de proteção contra taxas normais e 89% de vantagem sobre comprimidos diários. A adesão alta, mesmo em grupos vulneráveis ​​como profissionais do sexo e comunidades pobres, prova que o esquema bianual resolve o problema de falta de disciplina em tratamentos longos.

A recomendação global de julho de 2025 colocou o lenacapavir como uma das melhores opções preventivas, atrás apenas de uma vacina ainda em desenvolvimento. No país, com surtos concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e capitais do Norte, o Sunlenca pode mudar o jogo para jovens de 15 a 24 anos, que atende por 30% dos novos casos. Homens que fazem sexo com homens e mulheres trans, mais expostos, ganham ferramenta prática que se adapta às rotinas reais.

O preço máximo ainda é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, e a entrada no SUS depende de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias e do Ministério da Saúde. Se incorporado, chega aos Centros de Testagem e Aconselhamento, com oferta gratuita em UBS e hospitais de referência, alcançando o interior e periferias onde o diagnóstico vem tarde.

Essa aprovação avançou a meta de acabar com a Aids como problema público até 2030. Médicos alertam para educação: o teste inicial obrigatório detecta casos silenciosos, e consultas semestrais vigiam efeitos leves como dor no local da injeção. As campanhas vão lembrar que o Sunlenca soma a hábitos seguros, não os substitui.

Os primeiros usuários comemoram a liberdade de doses raras, enquanto os especialistas esperam queda em particular de mãe para filho e entre casais. Após 40 anos de combate ao HIV, com mortes reduzidas em 20% na última década por coquetéis diários, o Brasil ganha fôlego novo. A chegada ampla ao mercado decidirá se 2026 vira marco na prevenção em massa.

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