A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou, nesta quarta-feira, que não existem registros ou evidências científicas no Brasil que relacionem o uso do paracetamol durante a gestação com o desenvolvimento do transtorno do espectro autista (TEA). O posicionamento ocorreu em resposta às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que citou em entrevista uma suposta associação entre o medicamento e o autismo, provocando repercussão internacional e debates em diferentes países.
O anúncio da Anvisa teve como objetivo conter a onda de desinformação que rapidamente se espalhou nas redes sociais e entre grupos de mães de crianças com diagnóstico de autismo. Para muitos familiares, especialmente mães, a fala gerou apreensão e reforçou sentimentos de culpa relacionados ao período da gestação. A agência brasileira reforçou que o paracetamol é classificado como medicamento de baixo risco e, por isso, pode ser adquirido sem a necessidade de receita médica. Ainda assim, o produto segue monitoramento constante para assegurar eficácia, qualidade e segurança.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também se manifestou publicamente, reforçando que não há comprovação científica que sustente qualquer associação entre o medicamento e o transtorno. Segundo ele, esse tipo de desinformação expõe mulheres grávidas e seus bebês a riscos desnecessários, já que pode gerar medo e recusa em relação a um fármaco considerado seguro por agências de saúde de todo o mundo. Padilha destacou ainda que o autismo foi identificado e estudado muito antes da criação e do uso do paracetamol.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência de Medicamentos da União Europeia divulgaram notas semelhantes, reiterando que não existem evidências consistentes que comprovem a ligação entre o consumo do paracetamol na gravidez e o diagnóstico de TEA. Já a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, anunciou que iniciou estudos adicionais e que estuda incluir menções na bula do produto, embora também não haja, até o momento, comprovação científica conclusiva.
No Brasil, a discussão gerou forte repercussão em grupos de apoio a familiares de pessoas com autismo. Muitas mães relataram preocupação com os efeitos da desinformação. Para elas, além da dificuldade de lidar com a rotina de cuidados, discursos sem base científica ampliam o peso emocional e reforçam injustamente o sentimento de culpa materna. Especialistas em saúde reforçam que o autismo é um transtorno multifatorial, com causas ligadas a fatores genéticos e ambientais, e não pode ser explicado por um único elemento, como o uso de determinado medicamento.
A Anvisa destacou que continuará acompanhando os desdobramentos internacionais sobre o tema e reafirmou que qualquer eventual mudança nas diretrizes de uso do paracetamol só será feita com base em dados científicos sólidos. Para a agência, o compromisso é preservar a segurança da população e combater a disseminação de informações falsas que podem comprometer tratamentos e rotinas médicas seguras.
A polêmica trouxe novamente à tona a importância da comunicação responsável em saúde pública. Em um cenário de alta circulação de informações pelas redes sociais, declarações sem respaldo científico podem se transformar em boatos perigosos, afetando diretamente decisões de milhares de pessoas. Autoridades sanitárias alertam que dúvidas sobre medicamentos e seus efeitos devem ser sempre esclarecidas com profissionais de saúde qualificados e a partir de informações oficiais.
#Saúde #Paracetamol #Autismo #Anvisa #Gravidez #Medicamentos #Segurança #Informação #OMS #MinistérioDaSaúde #BemEstar #Brasil