Mato Grosso do Sul, 5 de julho de 2026
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Aprovação de Lula sobe e atinge melhor índice desde 2023 após tensão comercial com os Estados Unidos

Reação firme do governo ao tarifaço de Donald Trump fortalece imagem de Luiz Inácio Lula da Silva entre brasileiros, aponta pesquisa AtlasIntel

A mais recente rodada da pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta terça-feira, 15 de julho, em parceria com a Bloomberg e a Latam Pulse, revelou um movimento positivo na avaliação popular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a imposição de tarifas comerciais por parte do governo dos Estados Unidos, a resposta articulada da administração brasileira parece ter impactado positivamente a opinião pública. Os dados mostram que a aprovação de Lula subiu 2,6 pontos percentuais, atingindo 49,9%, o melhor índice registrado desde novembro do ano passado.

O levantamento, realizado entre os dias 11 e 13 de julho, ouviu 2.841 brasileiros por meio de questionário online. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O dado mais significativo, no entanto, vai além da simples aprovação: 61% dos entrevistados afirmaram que Lula representa melhor o Brasil no cenário internacional, superando antigos índices de identificação popular com o presidente.

Tensão internacional amplia visibilidade do governo

A escalada das tensões comerciais com os Estados Unidos teve início em 9 de julho, quando o ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi considerada injustificada por 62,2% dos brasileiros consultados na pesquisa. Para muitos, a taxação não se deu por razões econômicas, mas por um gesto unilateral de pressão geopolítica. Ainda assim, 36,8% afirmaram considerar as tarifas justificadas, revelando que o debate segue polarizado.

Em meio à turbulência, o governo brasileiro optou por uma postura assertiva. A reação, liderada por Lula e pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, incluiu apelos diplomáticos, consultas à Organização Mundial do Comércio e articulações com o setor produtivo. Houve ainda a sinalização de que o Brasil pode invocar a chamada Lei da Reciprocidade, abrindo margem para contra-medidas tarifárias.

Essa estratégia foi vista com bons olhos por parcela considerável da população. Segundo os dados da AtlasIntel, 44,8% dos entrevistados classificaram a resposta brasileira como “adequada”. Outros 27,5% a consideraram “agressiva”, e 25,2% a viram como “fraca”. A exposição da crise e a cobertura da atuação governamental podem ter colaborado para que o presidente ganhasse visibilidade e fortalecesse seu capital político em um tema geralmente distante da pauta cotidiana do cidadão comum: o comércio internacional.

Avaliação do governo e percepção sobre a política externa

No recorte sobre a avaliação geral do governo Lula, embora a desaprovação ainda seja maior do que a aprovação, os números apontam para uma trajetória de recuperação. A desaprovação caiu de 51,8% para 50,3% em relação à rodada anterior, enquanto a aprovação saltou de 47,3% para 49,9%. A diferença, que era de 4,5 pontos percentuais no fim de junho, praticamente se anulou.

A gestão petista continua sendo avaliada de forma majoritariamente negativa no aspecto qualitativo: 49,4% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 43,4% consideram a administração ótima ou boa. Apenas 7,2% veem a gestão como regular. Ainda assim, o resultado demonstra uma tendência de recuperação após um período de críticas intensas.

O campo da política externa, no entanto, mostra um cenário mais favorável ao Planalto. Para 60,2% dos entrevistados, o governo conduz bem os assuntos internacionais. A aprovação entre as mulheres é particularmente expressiva: 74,4% avaliam positivamente a atuação diplomática do Brasil sob Lula. Entre os homens, a taxa é de 54,6%.

Alinhamento geopolítico e novas preferências do eleitorado

Outro aspecto abordado pela pesquisa foi a percepção dos brasileiros sobre o alinhamento internacional ideal para o país. Os dados apontam uma mudança significativa. Para 38,1% dos entrevistados, o Brasil deve priorizar alianças com o bloco do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Já 31,1% preferem uma aproximação com os Estados Unidos e 12,9% apontaram a China como principal parceira ideal.

A comparação com os dados da rodada anterior, feita em maio, indica uma rejeição crescente à hegemonia dos Estados Unidos como parceiro estratégico. À época, 36,9% dos brasileiros defendiam o alinhamento com os norte-americanos, e apenas 4% com a China. O salto na preferência pelos chineses mostra uma mudança perceptível na leitura que a população faz do cenário internacional e da atuação brasileira no tabuleiro global.

O impacto político da imagem internacional de Lula

O índice que talvez melhor sintetize o atual momento político do presidente é aquele que mede a percepção de sua representatividade: 61% dos entrevistados disseram que Lula representa o Brasil de forma mais adequada perante o mundo. Esse resultado sugere que, mesmo com desafios domésticos e críticas persistentes, o petista consegue preservar, e até ampliar, sua imagem de estadista no imaginário popular.

O crescimento da aprovação de Lula, ainda que discreto, ocorre em um contexto de tensão e exposição. O episódio do tarifaço demonstrou que o eleitor brasileiro responde positivamente à firmeza institucional e à diplomacia ativa. A julgar pela tendência, o Planalto pode explorar com mais intensidade a agenda internacional como campo de reafirmação política e de reconstrução da imagem presidencial.

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