A mais recente rodada da pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta terça-feira, 15 de julho, em parceria com a Bloomberg e a Latam Pulse, revelou um movimento positivo na avaliação popular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a imposição de tarifas comerciais por parte do governo dos Estados Unidos, a resposta articulada da administração brasileira parece ter impactado positivamente a opinião pública. Os dados mostram que a aprovação de Lula subiu 2,6 pontos percentuais, atingindo 49,9%, o melhor índice registrado desde novembro do ano passado.
O levantamento, realizado entre os dias 11 e 13 de julho, ouviu 2.841 brasileiros por meio de questionário online. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O dado mais significativo, no entanto, vai além da simples aprovação: 61% dos entrevistados afirmaram que Lula representa melhor o Brasil no cenário internacional, superando antigos índices de identificação popular com o presidente.
Tensão internacional amplia visibilidade do governo
A escalada das tensões comerciais com os Estados Unidos teve início em 9 de julho, quando o ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi considerada injustificada por 62,2% dos brasileiros consultados na pesquisa. Para muitos, a taxação não se deu por razões econômicas, mas por um gesto unilateral de pressão geopolítica. Ainda assim, 36,8% afirmaram considerar as tarifas justificadas, revelando que o debate segue polarizado.
Em meio à turbulência, o governo brasileiro optou por uma postura assertiva. A reação, liderada por Lula e pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, incluiu apelos diplomáticos, consultas à Organização Mundial do Comércio e articulações com o setor produtivo. Houve ainda a sinalização de que o Brasil pode invocar a chamada Lei da Reciprocidade, abrindo margem para contra-medidas tarifárias.
Essa estratégia foi vista com bons olhos por parcela considerável da população. Segundo os dados da AtlasIntel, 44,8% dos entrevistados classificaram a resposta brasileira como “adequada”. Outros 27,5% a consideraram “agressiva”, e 25,2% a viram como “fraca”. A exposição da crise e a cobertura da atuação governamental podem ter colaborado para que o presidente ganhasse visibilidade e fortalecesse seu capital político em um tema geralmente distante da pauta cotidiana do cidadão comum: o comércio internacional.
Avaliação do governo e percepção sobre a política externa
No recorte sobre a avaliação geral do governo Lula, embora a desaprovação ainda seja maior do que a aprovação, os números apontam para uma trajetória de recuperação. A desaprovação caiu de 51,8% para 50,3% em relação à rodada anterior, enquanto a aprovação saltou de 47,3% para 49,9%. A diferença, que era de 4,5 pontos percentuais no fim de junho, praticamente se anulou.
A gestão petista continua sendo avaliada de forma majoritariamente negativa no aspecto qualitativo: 49,4% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 43,4% consideram a administração ótima ou boa. Apenas 7,2% veem a gestão como regular. Ainda assim, o resultado demonstra uma tendência de recuperação após um período de críticas intensas.
O campo da política externa, no entanto, mostra um cenário mais favorável ao Planalto. Para 60,2% dos entrevistados, o governo conduz bem os assuntos internacionais. A aprovação entre as mulheres é particularmente expressiva: 74,4% avaliam positivamente a atuação diplomática do Brasil sob Lula. Entre os homens, a taxa é de 54,6%.
Alinhamento geopolítico e novas preferências do eleitorado
Outro aspecto abordado pela pesquisa foi a percepção dos brasileiros sobre o alinhamento internacional ideal para o país. Os dados apontam uma mudança significativa. Para 38,1% dos entrevistados, o Brasil deve priorizar alianças com o bloco do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Já 31,1% preferem uma aproximação com os Estados Unidos e 12,9% apontaram a China como principal parceira ideal.
A comparação com os dados da rodada anterior, feita em maio, indica uma rejeição crescente à hegemonia dos Estados Unidos como parceiro estratégico. À época, 36,9% dos brasileiros defendiam o alinhamento com os norte-americanos, e apenas 4% com a China. O salto na preferência pelos chineses mostra uma mudança perceptível na leitura que a população faz do cenário internacional e da atuação brasileira no tabuleiro global.
O impacto político da imagem internacional de Lula
O índice que talvez melhor sintetize o atual momento político do presidente é aquele que mede a percepção de sua representatividade: 61% dos entrevistados disseram que Lula representa o Brasil de forma mais adequada perante o mundo. Esse resultado sugere que, mesmo com desafios domésticos e críticas persistentes, o petista consegue preservar, e até ampliar, sua imagem de estadista no imaginário popular.
O crescimento da aprovação de Lula, ainda que discreto, ocorre em um contexto de tensão e exposição. O episódio do tarifaço demonstrou que o eleitor brasileiro responde positivamente à firmeza institucional e à diplomacia ativa. A julgar pela tendência, o Planalto pode explorar com mais intensidade a agenda internacional como campo de reafirmação política e de reconstrução da imagem presidencial.
#PesquisaAtlasIntel #AprovaçãoDeLula #TarifaDeTrump #LulaNaPolíticaExterna #EconomiaBrasileira #PolíticaComercial #AlinhamentoGeopolítico #BrasilEUA #BRICS #LulaPresidente #OpiniãoPública #CenárioPolítico