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Mato Grosso do Sul, 19 de maio de 2024
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Bolsonaro deixa a Polícia Federal após ficar em silêncio durante depoimento sobre tentativa de golpe de Estado

Investigação é baseada em vídeo, mensagens e documentos apresentados no rastro do acordo de delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid

O ex-presidente Jair Bolsonaro não respondeu uma série de perguntas da Polícia Federal. Ele recebeu intimação para depor no âmbito da investigação que o acusa de tentativa de golpe de Estado. Paulo Cunha Bueno, advogado do ex-presidente, justificou a decisão alegando falta de acesso aos autos e classificou o inquérito como “semissecreto”. Contudo, opositores e internautas viram “atestado de culpa” em seu silêncio. Nas redes sociais, a frase “Bolsonaro preso hoje” figurou entre as mais postadas do dia.

Bolsonaro permaneceu no prédio da PF por aproximadamente meia hora. Chegou pouco antes do horário designado, em um comboio de veículos, e partiu sem conceder entrevistas. Logo após a saída do ex-presidente, seus advogados dirigiram-se aos jornalistas presentes. Cunha Bueno afirmou que seu cliente não cometeu nenhum crime, porém, argumentou que não é viável responder às questões da Polícia Federal sem ter acesso aos elementos da investigação.

Bolsonaro em meio a investigações históricas

Existe um certo ineditismo nas oitivas de hoje na PF, como explicou o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). “Em uma situação inédita na história de nossa república, quatro Oficiais-Generais do Exército vão depor hoje, simultaneamente, no inquérito que investiga a tentativa de golpe de estado: Augusto Heleno, Braga Netto, Almir Garnier e Paulo Sérgio Nogueira. Que não fiquem impunes”, disse. De todos investigados, 15 possuem ligações com as Forças Armadas.

Para o dia de hoje, às 14h30, a Polícia Federal agendou o depoimento de 21 investigados sob suspeita de conspirarem um golpe de Estado com o intuito de manter Jair Bolsonaro no poder. Os investigadores têm como objetivo, ao marcar os depoimentos no mesmo horário, evitar a coordenação de versões. Essa estratégia é similar à adotada nos depoimentos do inquérito que investiga a suposta venda de joias, envolvendo Bolsonaro e seus aliados.

Uma das justificativas para um silêncio massivo tem relação com a versão das histórias. No processo penal, não há obrigação de produção de provas contra si. Então, o silêncio é aceito para os investigados (mas não se estende para testemunhas). Os réus acusados de golpismo estão sob medida cautelar que impede o contato de uns com os outros. Então, o silêncio era esperado, uma vez que eles não conseguiram comparar versões de defesa. Vale lembrar que a mentira também é amplamente possível nesses casos.

Confira a lista de intimados

Jair Bolsonaro: ex-presidente
General Augusto Heleno: ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
Anderson Torres: ex-ministro da Justiça
Marcelo Costa Câmara: ex-assessor de Bolsonaro, coronel da reserva
Mário Fernandes: ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral de Presidência, general da reserva
Tércio Arnaud: ex-assessor de Bolsonaro, possível integrante do “gabinete do ódio”
Almirante Almir Garnier: ex-comandante da Marinha
Valdemar Costa Neto: ex-deputado, presidente do PL
General Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa
Cleverson Ney Magalhães: coronel da reserva lotado no Comando de Operações Terrestres
General Braga Netto: ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice de Bolsonaro
Hélio Ferreira Lima: ex-comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros: Tenente-coronel do Exército
Ailton Gonçalves Moraes de Barros: Advogado e ex-major do Exército
Rafael Martins Oliveira: Major do Exército
Amauri Feres Saad: Advogado que teria atuado na minuta do golpe
José Eduardo de Oliveira: Padre bolsonarista, possível assessor da minuta do golpe
Filipe Garcia Martins: ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência
Éder Balbino: especialista em tecnologia que elaborou relatório para questionar urnas eletrônicas
Laércio Virgílio: general-de-brigada reformado
Ângelo Martins Denicoli: major da reserva, ex-diretor do Ministério da Saúde
General Estevam Theophilo: ex-comandante das Forças Especiais

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