O Brasil segue firme na expansão de sua presença no comércio internacional e na proteção de seus exportadores, mesmo diante das recentes tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde o início de agosto. Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, transmitido pelo Canal Gov da Empresa Brasil de Comunicação nesta quarta-feira (17), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, detalhou o conjunto de estratégias adotadas pelo governo federal para enfrentar os desafios impostos pela medida norte-americana.
Segundo Fávaro, a abertura de 437 novos mercados para produtos agropecuários desde 2023, com expectativa de chegar a 500 até o final de 2026, aliada ao Plano Brasil Soberano, que destina R$ 30 bilhões em medidas emergenciais, tem sido decisiva para minimizar os impactos sobre exportadores e preservar empregos em setores estratégicos da economia. O ministro destacou que a iniciativa garante que o país não dependa exclusivamente de um único parceiro comercial, fortalecendo a autonomia e a diversificação do comércio exterior brasileiro.
“O Brasil não apenas reagiu, mas se preparou preventivamente para abrir novos mercados e reestabelecer relações multilaterais, o que reduziu significativamente os efeitos das tarifas americanas”, afirmou Fávaro. Ele ressaltou que as exportações brasileiras atingiram US$ 227,6 bilhões nos oito primeiros meses de 2025, com aumento no volume embarcado mesmo diante da queda nos preços internacionais de algumas commodities.
O ministro destacou o desempenho expressivo do agronegócio, com exportações de US$ 14,29 bilhões apenas em agosto, impulsionadas por produtos tradicionais como soja, milho e carne bovina in natura, além de itens que registraram recordes históricos de vendas, como sebo bovino, sementes de oleaginosas, feijões, rações animais e óleo de amendoim. “Não se trata apenas de grandes culturas e proteínas animais. Estamos ampliando nossa presença global com frutas, gergelim, sorgo e outros produtos, garantindo a segurança alimentar e o acesso internacional a alimentos brasileiros”, afirmou.
Entre os exemplos de novos mercados, Fávaro citou a venda de café para a China e carnes para o México. “Praticamente não vendíamos café para a China e agora superamos a marca de quase um bilhão de dólares em exportações. O México, com uma população de 200 milhões, tornou-se um dos maiores consumidores de proteínas brasileiras, como carne bovina e suína”, explicou.
O ministro reforçou que a política comercial brasileira não se limita à exportação. “O presidente Lula prioriza relações comerciais equilibradas. Comprar e vender é essencial, garantindo estabilidade interna e oportunidades de comércio internacional. Estamos preparados para enfrentar quaisquer novas medidas que possam surgir dos Estados Unidos, mantendo a soberania do país”, afirmou.
O Plano Brasil Soberano também contempla recursos do Fundo Garantidor de Exportações, linhas de crédito com juros acessíveis, suspensão de tributos para empresas exportadoras, aumento de restituições via Reintegra e facilitação na aquisição de alimentos por órgãos públicos. Segundo Fávaro, essas medidas têm permitido reduzir impactos e assegurar a continuidade das operações das empresas afetadas.
“O governo está ao lado de produtores, indústrias e agropecuaristas, oferecendo crédito, renegociação e apoio contínuo. Isso garante a estabilidade da produção nacional, abre novos mercados e protege empregos”, destacou.
Fávaro concluiu lembrando que o sucesso da estratégia brasileira se apoia na liderança internacional do presidente Lula, nos sistemas de sanidade vegetal e animal, e na promoção de práticas sustentáveis, sociais e ambientais que tornam os produtos nacionais competitivos e confiáveis no mercado global.
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