O setor de óleos vegetais projeta um 2025 marcado por maior industrialização da soja no Brasil. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou para cima a estimativa de processamento da oleaginosa, agora calculada em 58,5 milhões de toneladas. O número representa um acréscimo de 0,7% em relação ao levantamento anterior, divulgado em agosto, e uma expansão de 5% frente ao volume processado em 2024.
Segundo a entidade, o avanço está diretamente ligado ao aumento da demanda por óleo de soja, impulsionada pela política de biocombustíveis. O B15, que prevê a adição de 15% de biodiesel ao diesel fóssil, vem se consolidando como motor da cadeia produtiva, fortalecendo o papel do biodiesel como alternativa energética sustentável e de baixo impacto ambiental.
“O avanço do B15 reforça o papel do biodiesel como um dos principais motores da cadeia e consolida o produto como o biocombustível mais eficiente e sustentável disponível no mundo”, afirmou Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove.
Além do óleo, a valorização do farelo de soja, tanto no mercado interno quanto nas exportações, também estimula a indústria a ampliar o processamento. A produção de farelo deve alcançar 45,1 milhões de toneladas, alta de 0,7% em relação à previsão de agosto e crescimento de 5,7% frente a 2024. Já a produção de óleo de soja foi estimada em 11,7 milhões de toneladas, avanço de 0,4% na comparação com o levantamento anterior e aumento de 3,1% em relação ao ano passado.
A entidade ainda reduziu a previsão de estoque final da soja para 4,4 milhões de toneladas, queda de 5,4% em relação ao cálculo de agosto, embora o volume ainda seja 6,4% superior ao registrado em 2024. A produção nacional de soja, por sua vez, foi mantida em 170,3 milhões de toneladas, crescimento expressivo de 10% sobre o último ciclo.
No comércio exterior, a expectativa é de que as exportações de soja em grão alcancem 109,5 milhões de toneladas em 2025, aumento de 10,8% sobre o ano anterior. A exportação de farelo foi projetada em 23,6 milhões de toneladas, alta de 2% frente a 2024. O óleo de soja, por outro lado, deve registrar retração de 1,2% nas vendas externas, com embarques estimados em 1,35 milhão de toneladas.
Os números mais recentes reforçam a força do agronegócio brasileiro no cenário internacional. Em julho, as exportações de soja em grão avançaram 17,2% em relação ao mesmo mês de 2024, totalizando 7,3 milhões de toneladas. O farelo somou 2,2 milhões de toneladas, crescimento de 1,2%, enquanto o óleo de soja registrou queda de 3,5%, com 165 mil toneladas embarcadas.
No mercado interno, o ritmo de processamento também foi firme. Em julho, foram 4,7 milhões de toneladas, alta de 3,4% sobre junho e de 6,1% em comparação com julho de 2024. No acumulado de janeiro a julho, o total processado chegou a 30,6 milhões de toneladas, um crescimento de 6,1% frente ao mesmo período do ano anterior.
O comportamento dos preços acompanha o dinamismo da cadeia. Em agosto, as principais praças brasileiras registraram elevação nas cotações da saca de soja. Em Maringá (PR), a média foi de R$ 135,90, alta de 2,57%. Em Mogiana (SP), a saca ficou em R$ 135,80, valorização de 1,72%. Passo Fundo (RS) registrou R$ 135,30, alta de 1,73%, enquanto Rondonópolis (MT) apresentou forte avanço de 5,61%, com a saca cotada a R$ 127,00.
Na Bolsa de Chicago, os preços do farelo de soja subiram 6,63% em agosto, alcançando média de US$ 314,81 por tonelada. O desconto do produto brasileiro em relação a Chicago caiu quase 19%, para US$ 6,61 por tonelada. Em Paranaguá, a tonelada da soja foi negociada a US$ 308,20, alta de 7,35%, enquanto em São Paulo o preço médio ficou em R$ 1.608,40, avanço de 7,12%.
Já no mercado de óleo, a cotação em Paranaguá foi de US$ 1.127,10 por tonelada, recuo de 0,33% frente a julho. Em Chicago, o valor caiu 4,35%, chegando a US$ 1.163,48 por tonelada. No mercado interno, entretanto, o preço do óleo bruto subiu 5,72%, para R$ 7,3 mil por tonelada em São Paulo.
Os números demonstram que o Brasil segue consolidando sua posição como maior exportador mundial de soja e derivados, ao mesmo tempo em que fortalece o consumo interno e o papel estratégico da oleaginosa na matriz energética e alimentar. A combinação de preços atrativos, aumento da industrialização e expansão do biodiesel sinaliza que 2025 tende a ser um ano de crescimento robusto para a cadeia da soja, com impactos positivos para a economia, a balança comercial e a sustentabilidade do setor.
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