Mato Grosso do Sul, 5 de julho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Brasil resiste à ofensiva tarifária dos EUA e reforça compromisso com a diplomacia e o equilíbrio fiscal

Ministro Fernando Haddad diz que governo permanecerá na mesa de negociação e garante planos de contingência para proteger setores afetados por possível tarifa de 50% sobre produtos brasileiros
Imagem -  Washington Costa
Imagem - Washington Costa

O Brasil não recuará diante da ameaça de um tarifaço por parte dos Estados Unidos e continuará empenhado no caminho do diálogo diplomático. Foi essa a principal mensagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista concedida à Rádio CBN, nesta semana, em meio ao acirramento das tensões comerciais entre os dois países. A partir do dia 1º de agosto, pode entrar em vigor a taxação de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano, medida anunciada pelo ex-presidente Donald Trump, caso reassuma o cargo.

O governo brasileiro, segundo Haddad, já está preparado para responder com responsabilidade institucional, sem se afastar da mesa de negociações. De acordo com o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que os canais diplomáticos e técnicos sejam mantidos abertos. “A determinação do presidente Lula é de que nós não demos nenhuma razão para sofrer esse tipo de sanção”, pontuou o ministro, reforçando que tanto o vice-presidente Geraldo Alckmin, como o Itamaraty e o Ministério da Fazenda estão engajados de forma permanente nas tratativas.

O Brasil já encaminhou duas cartas oficiais aos Estados Unidos, uma em maio e outra na semana passada, demonstrando disposição em negociar. Até o momento, nenhuma resposta foi obtida. Haddad, contudo, afirma que o governo se mantém firme e trabalha em vários cenários, inclusive o da ausência de diálogo até o prazo final. “Podemos chegar no dia primeiro [de agosto] sem resposta? Esse é um cenário que nós não podemos desconsiderar neste momento. Mas ele não é o único”, explicou.

Em paralelo, um grupo de trabalho interministerial desenvolve planos de contingência voltados à proteção de setores brasileiros que possam ser diretamente afetados pelo eventual aumento do imposto de importação. Essas medidas, entretanto, ainda não foram apresentadas formalmente ao presidente Lula. Entre as possibilidades está a aplicação da chamada “lei da reciprocidade”, embora Haddad tenha deixado claro que o governo brasileiro não pretende adotar retaliações automáticas contra os EUA ou empresas americanas. “Temos um grupo de trabalho se preparando para apresentar alternativas, tanto em relação à lei da reciprocidade quanto a formas de apoio aos setores mais prejudicados”, revelou.

O ministro da Fazenda destacou também que essas medidas não necessariamente significam aumento de gastos públicos. Como exemplo, citou a resposta do governo federal às enchentes no Rio Grande do Sul, em que a maior parte da ajuda à economia local foi feita por meio de instrumentos financeiros como linhas de crédito, e não por elevação de despesas primárias.

Fernando Haddad apontou ainda que, apesar de a proposta tarifária de Donald Trump afetar diversos países, o Brasil enfrenta uma situação particular, em razão do relacionamento direto e ideológico entre a família Bolsonaro e o ex-presidente norte-americano. Segundo o ministro, essa relação pode estar influenciando decisões que extrapolam os interesses comerciais. “Nesse momento, é hora de unidade nacional na defesa do interesse brasileiro. Há uma força política de extrema direita concorrendo contra os interesses nacionais”, afirmou.

Haddad criticou o salto inesperado da proposta tarifária, que passou de 10% para 50% em poucos meses, e atribuiu a mudança a interferências de ordem política. “Do que sobra para justificar essa tarifa de 50%? A relação de Trump com o ex-presidente Bolsonaro”, argumentou.

Durante a entrevista, o ministro também manifestou surpresa diante da declaração de Trump de que investigaria o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Haddad ressaltou que o Pix é uma inovação tecnológica de sucesso, comparável ao surgimento dos celulares frente aos telefones fixos, e que sua adoção poderia beneficiar outros países. “O Pix é um modelo exitoso de transações a custo zero. Como isso pode representar uma ameaça a um império?”, questionou.

No campo fiscal, o ministro reafirmou o compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas e rejeitou a ideia de rever metas fiscais, apesar da pressão do mercado. Haddad assegurou que o governo Lula entregará “o melhor resultado fiscal dos últimos 12 anos”. Ele ainda antecipou que a atual administração deverá registrar os melhores índices de emprego, distribuição de renda e crescimento econômico médio desde 2015.

“A obsessão do Ministério da Fazenda e da equipe econômica, junto à ministra do Planejamento, Simone Tebet, é entregar um legado sólido e equilibrado. E isso vai ser entregue”, garantiu o ministro, encerrando a entrevista com confiança e serenidade diante de um cenário ainda incerto, mas que exige firmeza, estratégia e diálogo.

#BrasilNaMesaDeNegociação #GovernoLula #FernandoHaddad #TarifasDosEUA #DiplomaciaEconômica #ExportaçõesBrasileiras #PixNoMundo #UnidadeNacional #JustiçaFiscal #PlanejamentoEstratégico #EconomiaResponsável #RelaçõesInternacionais

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.