Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Brics acelera lançamento do Pix Global para reduzir dependência do dólar nas transações internacionais

rics Pay promete transferências instantâneas e seguras entre os países do bloco, reunindo tecnologias de pagamento avançadas e liquidação direta em moedas locais
Brics Pay: novo sistema faz frente à hegemonia do dólar.
 - Imagem  Sergey Bobylev
Brics Pay: novo sistema faz frente à hegemonia do dólar. - Imagem Sergey Bobylev

Os países integrantes do Brics estão avançando na implementação do “Brics Pay”, sistema de pagamentos também chamado de Pix Global, que visa reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais entre as nações do bloco. Previsto para lançamento até o final de 2025, o mecanismo promete simplificar, acelerar e tornar mais seguras as transferências internacionais, ao mesmo tempo em que oferece custos operacionais menores.

A plataforma foi concebida a partir da integração de tecnologias nacionais consolidadas em cada país participante. Entre os sistemas incorporados estão o SBP da Rússia, usado por mais de 200 instituições financeiras para transferências via números de telefone, o IBPS da China, que realiza transações em yuan por múltiplos canais, e o UPI da Índia, interface em operação desde 2010. O Brasil contribuirá com protocolos compatíveis ao Pix, permitindo pagamentos por QR Code e carteiras digitais.

O funcionamento do Brics Pay se dá por meio de um sistema descentralizado de mensagens fronteiriças (DCMS), desenvolvido pela Universidade Estatal de São Petersburgo. Diferentemente do SWIFT, utilizado globalmente e controlado por grandes bancos, o Pix Global não depende de um intermediário central, o que proporciona maior autonomia e segurança nas transações. A integração de blockchain e sistemas de criptografia robusta garante a confiabilidade e a rastreabilidade das operações, promovendo liquidação direta nas moedas de cada país participante.

Na prática, isso significa que um cidadão brasileiro em viagem a um país do Brics poderá realizar pagamentos com o mesmo método que utiliza no Brasil, por meio de QR Code ou aplicativos bancários, sem depender de conversões em dólar ou euro. Da mesma forma, visitantes estrangeiros poderão usar os sistemas de pagamento de seus países ao transitar pelo Brasil, reduzindo custos e complexidade.

Rússia e China lideram os testes do sistema, enquanto o Brasil analisa a viabilidade de utilizá-lo nas operações de exportação agrícola e energética. O bloco também pretende incluir novos membros, como Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia, expandindo o alcance da tecnologia e consolidando o Brics Pay como principal canal de transações comerciais entre os países emergentes.

Especialistas projetam que, até 2030, a plataforma poderá movimentar centenas de bilhões de dólares por ano, sem envolver a moeda americana, alterando a dinâmica do comércio internacional. No entanto, o grupo enfrenta pressões externas, com países não integrantes do bloco considerando o projeto uma ameaça. Declarações de líderes como Donald Trump, que já criticaram iniciativas similares e ameaçaram impor tarifas sobre importações do bloco, ilustram os desafios geopolíticos que a tecnologia terá de superar.

O Pix Global simboliza um movimento estratégico para fortalecer a autonomia econômica dos países emergentes, criar alternativas ao sistema financeiro centralizado e ampliar a competitividade das economias do Brics no cenário internacional. A consolidação dessa iniciativa poderá transformar padrões de comércio global, ao mesmo tempo em que oferece aos cidadãos maior conveniência e segurança nas transações transfronteiriças.

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