Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Câmara impõe derrota acachapante em Adriane Lopes e rejeita terceirização da saúde em Campo Grande

Por ampla maioria, vereadores barram proposta da prefeitura, detalham votos e mantêm sob gestão pública unidades estratégicas da Capital
Adriane Lopes, prefeita de Campo Grande: desaprovação à sua gestão segue em alta - Imagem -  Beatriz Feldens
Adriane Lopes, prefeita de Campo Grande: desaprovação à sua gestão segue em alta - Imagem - Beatriz Feldens

A Câmara Municipal de Campo Grande rejeitou, nesta terça-feira (5), o projeto de lei encaminhado pela Prefeitura que previa a terceirização da gestão de unidades de saúde consideradas estratégicas. A proposta foi derrubada por 17 votos contrários e 11 favoráveis, configurando uma derrota política expressiva para a prefeita Adriane Lopes e travando, neste momento, a mudança no modelo de administração da rede municipal.

O projeto autorizava a transferência da gestão dos Centros Regionais de Saúde Aero Rancho e Tiradentes para Organizações Sociais, dentro de um modelo de projeto-piloto defendido pelo Executivo como alternativa para ampliar eficiência, reduzir filas e melhorar a qualidade do atendimento. As duas unidades concentram grande volume de atendimentos e são mantidas exclusivamente com recursos do município, o que reforçou o argumento da prefeitura sobre a necessidade de novas estratégias de gestão.

A sessão foi marcada por plenário cheio, presença de servidores da saúde, sindicatos e representantes do conselho municipal. As manifestações contrárias à proposta ocorreram durante toda a votação, com pressão direta sobre os parlamentares. O clima evidenciou a divisão de opiniões sobre o tema e o impacto direto da medida na rotina da saúde pública da Capital.

Votaram contra o projeto os vereadores Marquinhos Trad, Luiza Ribeiro, Maicon Nogueira, Jean Ferreira, Landmark, André Salineiro, Fábio Rocha, Flávio Cabo Almi, Ronilço Guerreiro, Silvio Pitu, Dr. Lívio, Veterinário Francisco, Otávio Trad, Dr. Jamal, Ana Portela, Delei Pinheiro e Dr. Victor Rocha.

Já os votos favoráveis foram registrados pelos vereadores Professor Juari, Rafael Tavares, Carlão, Beto Avelar, Herculano Borges, Junior Coringa, Neto Santos, Professor Riverton, Clodoilson Pires, Leinha e Wilson Lands.

Durante a discussão, o vereador Victor Rocha, que preside a comissão de saúde, afirmou que qualquer mudança no modelo de gestão precisa ser construída com diálogo amplo, envolvendo servidores, usuários e entidades representativas. A posição foi acompanhada por outros parlamentares que defenderam maior aprofundamento antes de decisões estruturais.

O presidente da Casa, Epaminondas Neto, destacou que o Legislativo cumpriu seu papel ao colocar o tema em debate e permitir a manifestação de diferentes setores da sociedade. Segundo ele, a prioridade deve ser o atendimento à população, com foco na eficiência e na qualidade dos serviços prestados.

A rejeição do projeto foi comemorada por representantes dos trabalhadores da saúde, que apontaram riscos na terceirização e defenderam a manutenção do controle público sobre as unidades. Para esse grupo, a gestão direta garante maior transparência, estabilidade no atendimento e valorização dos profissionais.

Com a decisão, a Prefeitura de Campo Grande fica impedida de avançar com a terceirização dos Centros Regionais de Saúde Aero Rancho e Tiradentes. O resultado amplia a pressão sobre a gestão municipal para apresentar alternativas capazes de enfrentar desafios como alta demanda, tempo de espera elevado e limitações estruturais da rede.

O tema deve continuar em debate, diante da necessidade de melhorias no sistema público de saúde. A discussão sobre modelos de gestão permanece aberta, mas a votação desta terça-feira consolida, por ora, a manutenção das unidades sob responsabilidade direta do município.

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