Mato Grosso do Sul, 2 de julho de 2026
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Careca do INSS omite imóveis e empresas nos EUA e aumenta suspeitas de fraude fiscal

Lobista e empresário Antonio Antunes não declarou apartamento em Sunny Isles e companhias estrangeiras, expondo-se a penalidades e investigação aprofundada
Imagem - Lula Marques
Imagem - Lula Marques

O empresário e lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, voltou ao centro das atenções após constatações de omissão patrimonial na Declaração de Imposto de Renda de 2025. Segundo levantamentos, o lobista não informou à Receita Federal a aquisição de um apartamento de 100 metros quadrados em Sunny Isles, Flórida, nos Estados Unidos, adquirido em fevereiro de 2024 por US$ 610 mil, nem as empresas que mantém no exterior.

O episódio integra uma série de questionamentos sobre a atuação de Antonio Antunes, figura central do esquema investigado pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, e objeto de apurações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. A omissão de bens e empresas fora do Brasil pode configurar crime de evasão de divisas e gerar multas, juros e processos criminais, especialmente quando vinculada a movimentações financeiras internacionais.

Em depoimento à CPMI do INSS, Antonio Antunes admitiu a posse do imóvel em Sunny Isles e explicou que a aquisição foi financiada pela venda de um apartamento em Vicente Pires, Brasília, no valor de R$ 3,5 milhões. No entanto, o lobista não declarou a filial da World Cannabis, empresa de maconha medicinal instalada em Miami, nem a Camilo Comércio e Serviços LLC, fundada por ele e pelo filho Romeu Antunes em Orlando, na Flórida. Ambas permanecem ausentes da declaração entregue à Receita.

A instrução normativa da Receita Federal determina que pessoas físicas devem informar todos os bens e direitos no exterior, incluindo imóveis e participações societárias, sob pena de multas e sanções mais severas. Especialistas em direito tributário alertam que a omissão de bens internacionais, associada a elevados volumes de dinheiro em espécie, aumenta o risco de implicações criminais, podendo caracterizar lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.

Além do imóvel e das empresas estrangeiras, Antonio Antunes declarou valores em espécie consideráveis: R$ 2,5 milhões, 30 mil dólares e 28,5 mil euros. Segundo autoridades, embora a posse de dinheiro vivo não seja crime, operações desse tipo dificultam o rastreio e costumam ser associadas a práticas ilícitas em grandes esquemas financeiros.

O crescimento patrimonial do lobista chamou atenção das autoridades. Documentos enviados à CPMI revelam que Antonio Antunes elevou seu patrimônio de R$ 159 mil, em 2021, para cerca de R$ 9,5 milhões em 2024, período em que atuava no esquema fraudulento do INSS, conhecido como Farra do INSS, que envolvia descontos irregulares de benefícios de aposentados e pensionistas. Esse aumento exponencial refletiu em aquisições de luxo, incluindo 21 veículos de alto valor em dois anos, viagens internacionais, compra de imóvel nos Estados Unidos e construção de mansão no Lago Sul, região nobre de Brasília.

A defesa do empresário informou que ele prestará esclarecimentos nos autos do processo, mas a omissão de bens e empresas no exterior amplia a atenção das autoridades fiscais e policiais, reforçando a gravidade das investigações em curso.

A situação de Antonio Antunes evidencia a complexidade das operações internacionais e os riscos associados à não declaração de patrimônio no exterior, consolidando o caso como um dos mais emblemáticos de fraude fiscal e evasão de divisas no país.

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