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Mato Grosso do Sul, 17 de abril de 2024
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Casal de cabeleireiros que aplicavam golpe usando nome da Caixa vira réu em outro processo em Dourados

Conforme a ação penal, o produtor rural que foi vítima do grupo perdeu quase R$ 200 mil. Com residência em Cascavel (PR) e dono de fazendas em Mato Grosso do Sul
Francielle Ketelyn de Almeida e Alessandro Soares - Foto: Arquivo/Facebook
Francielle Ketelyn de Almeida e Alessandro Soares - Foto: Arquivo/Facebook

Alessandro Soares, 47, e a mulher dele, Francielle Ketelyn de Almeida, 26, viraram réus em outro processo por estelionato praticado contra produtores rurais em Dourados.

No início de outubro deste ano, os dois foram presos em flagrante quando tentavam aplicar golpe em empresário da cidade usando cédulas de crédito falsas da Caixa Econômica Federal. Alessandro permanece atrás das grades e a mulher cumpre prisão domiciliar.

Neste novo processo, também foi denunciado pelo Ministério Público e virou réu por suposta participação nos golpes o empresário douradense Tiago Camargo Bueno Vitorino, 31. Com quase 30 mil seguidores nas redes sociais, Tiago é bastante conhecido em eventos que reúnem endinheirados da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul.

Fazendeiro

Conforme a ação penal, o produtor rural que foi vítima do grupo perdeu quase R$ 200 mil. Com residência em Cascavel (PR) e dono de fazendas em Mato Grosso do Sul, ele caiu no golpe quando tentava captar dinheiro no mercado financeiro para comprar outras propriedades.

As investigações foram conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia de Dourados, onde estão em andamento vários outros inquéritos tendo Alessandro e Francielle como acusados de estelionato.

Em depoimento à polícia, o produtor rural paranaense contou que inicialmente teve contato com Tiago Vitorino em maio deste ano. Por indicação do dono de uma loja agropecuária de Ponta Porã, onde é cliente há anos e havia comentado a intenção de comprar outras fazendas em MS, ele recebeu Tiago em sua propriedade.

Durante a conversa, Tiago teria apresentado a suposta linha de crédito da Caixa no valor de R$ 498 milhões. O produtor se interessou pela proposta e assinou com Tiago um contrato de “assessoria e consultoria bancária”. Pelo acordo, o empresário douradense receberia 4% do valor do financiamento.

Correspondente Caixa

Como parte da negociação, o produtor rural enviou a Tiago Vitorino cópias dos documentos solicitados para efetuar suposto cadastro bancário, como declarações de imposto de renda, contratos de arrendamento e inscrição estadual.

A partir desse momento, Francielle de Almeida entrou no negócio. Se apresentando como correspondente da Caixa e usando marcas falsas do banco, ela solicitou depósito de R$ 110 mil para dar início ao suposto financiamento bancário. O dinheiro foi depositado pelo produtor rural na conta pessoal de Alessandro Soares.

Depois disso, com a desculpa de que poderia dobrar o valor da cédula de crédito (chegando a R$ 1 bilhão o valor do suposto financiamento), ela convenceu a vítima a transferir mais R$ 75 mil. Conseguiu ainda obter mais R$ 5,9 mil, segundo ela para pagar as passagens aéreas de diretores da Caixa que estariam em Cascavel, cidade onde o produtor rural reside.

Após transferir R$ 190 mil ao casal, o produtor rural percebeu que tinha caído em um golpe. Ao analisar os documentos do suposto financiamento, o advogado dele identificou sinais de fraude. O produtor então procurou a gerência da agência de agronegócio da Caixa em Dourados e descobriu que Francielle não era correspondente da Caixa e que a suposta linha de crédito não existe.

O produtor rural contou à polícia que os golpistas o convenceram a assinar contratos de compra de três fazendas (duas em Paranhos e outra em Sete Quedas), por quase R$ 140 milhões, que seriam pagas com o financiamento. Como o pagamento não foi feito, os vendedores entraram com ação contra o produtor cobrando R$ 2,8 milhões de multa contratual.

“Tudo legal”

Ouvidos na polícia, Francielle e Alessandro negaram os fatos e alegaram que apenas elaboraram projetos para subsidiar financiamentos bancários. Mesmo argumento foi apresentado por eles quando foram presos em Dourados, em outubro.

Tiago Vitoriano negou envolvimento nas práticas ilegais e sustentou ter sido enganado pelo casal. Entretanto, assumiu ter aliciado o produtor rural para celebrar o negócio.

“Havia repartição de tarefas bem delineadas, composta por membro responsável pela escolha dos alvos e idealização da empreitada criminosa, outro que aliciava e contatava inicialmente os clientes, apresentando suposta linha de crédito para aquisição de imóveis rurais e angariando informações através de contatos telefônicos e mensagens/correspondências eletrônicas enganosas (e-mails), e, ainda, aquele que se passavam por correspondente bancário e se apoderava de valores das vítimas, fraudando documentos para enganá-las”, afirmou o promotor de Justiça João Linhares ao denunciar o trio por estelionato e associação criminosa.

No dia 1º deste mês, o juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 1ª Vara Criminal de Dourados, aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Alessandro, Francielle e Tiago réus por estelionato e associação criminosa. Ele também determinou quebra de sigilo dos celulares apreendidos durante as buscas feitas na fase de investigação.

Alessandro Soares está recolhido na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). A defesa dele entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, mas o recurso ainda não foi julgado.

Francielle cumpre prisão domiciliar. O MP pediu a prisão de Tiago Vitorino, mas a Justiça determinou apenas medidas cautelares, entre as quais, ele não pode se ausentar da comarca sem ordem judicial e não pode manter contato com as vítimas.

Outro lado

Em nota o advogado dele, Guilherme Calado, reforçou a tese de que Tiago não possui envolvimento com o golpe e que foi também vítima.

“Infelizmente, aos olhos da defesa, o Ministério Público ignorou que, após ouvido no Inquérito Policial, a autoridade afastou qualquer hipótese de envolvimento de Tiago com os estelionatários, evidenciando ser também uma vítima e fazendo a alteração na classificação dos delitos, sendo excluída, inclusive, a suposta associação criminosa”, afirmou.

O advogado continua: “entendemos que a denúncia se deu de forma genérica e não demonstra qualquer vantagem mínima obtida por Tiago. Foi desconsiderado, ainda, que as vítimas foram incentivadas por Tiago a registrarem a ocorrência o que fora comunicado no inquérito. Infelizmente, a máquina do Judiciário já sobrecarregada foi acionada de maneira equivocada, servindo a denúncia para associar Tiago com prática de conduta que jamais praticou, sendo manchada sua imagem com divulgação tendenciosa de trechos isolados do processo em aplicativos mensagens”.

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