Mato Grosso do Sul, 6 de abril de 2025
Campo Grande/MS
Fuente de datos meteorológicos: clima en Campo Grande a 30 días

China mira carne suína do Brasil em meio à guerra comercial com os Estados Unidos

Subtítulo: Conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo pode abrir caminho para o Brasil assumir papel estratégico na exportação de carnes para o gigante asiático

A tensão entre Estados Unidos e China ganhou novos capítulos nesta semana, e no meio dessa disputa de gigantes, o Brasil pode acabar colhendo frutos principalmente no setor das carnes, com destaque para a suína.

A China anunciou que vai cobrar uma tarifa pesada de 34% sobre os produtos vindos dos Estados Unidos, como resposta direta às medidas do presidente americano Donald Trump, que impôs novos tributos sobre importações de vários países, incluindo a própria China. E com isso, o Brasil pode ganhar espaço no mercado chinês, assumindo uma fatia que antes era dos americanos.

O setor mais promissor é o de carne suína. Os EUA são hoje o terceiro maior exportador desse produto para os chineses, atrás da Espanha e do Brasil. Com a nova barreira tarifária, os americanos devem perder competitividade, e o Brasil pode assumir esse espaço, ou até ampliar sua presença. Para a diretora da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, o cenário é positivo para o agro brasileiro. Segundo ela, “dois gigantes do comércio vão reduzir suas trocas. E como o Brasil já é grande fornecedor de carne, deve sair ganhando”.

Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, também vê com bons olhos o momento. Para ele, é na suinocultura que mora a maior oportunidade. Mas ele lembra que as carnes bovina e de frango também têm chance de crescer na China. Ele destaca que as exportações brasileiras já estavam projetadas para serem recorde em 2025, e essa disputa entre EUA e China pode impulsionar ainda mais os embarques.

A Safras & Mercado já previa, antes da guerra de tarifas, que o Brasil exportaria 1,37 milhão de toneladas de carne suína neste ano, um aumento de 8,8% em relação ao ano passado. Agora, com esse novo cenário, esses números devem ser revisados para cima. Já para as carnes de frango e bovina, as estimativas eram de crescimento de 5,24% e 2,29%, com exportações de 5,43 milhões de toneladas e 4,28 milhões de toneladas, respectivamente.

Mas nem todo mundo está tão empolgado. Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, prefere uma análise mais pé no chão, principalmente no caso da carne bovina. Ele lembra que os Estados Unidos exportam pouca carne bovina para a China se comparado ao Brasil. Em 2024, os americanos venderam cerca de 138 mil toneladas para os chineses. O Brasil, por outro lado, embarcou 1,33 milhão de toneladas, de acordo com dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Para Alves, mesmo que a China pare de comprar carne bovina dos EUA, o impacto no Brasil seria limitado, já que outros países também disputam esse mercado. “Não é uma demanda tão grande assim que vai sobrar para a gente”, explica. Ou seja, o crescimento pode vir, mas talvez não no ritmo que muitos imaginam.

Outro ponto importante é o tempo. Segundo Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria, não dá pra esperar mudanças de uma hora pra outra. “É difícil ver alterações no fluxo comercial tão rapidamente”, aponta ele. Ou seja, a substituição dos fornecedores americanos por brasileiros não deve acontecer de forma imediata.

Mesmo com toda essa expectativa, o cenário exige cautela. O banco BTG Pactual emitiu um relatório alertando que o Brasil já depende muito da China como parceiro comercial. E quando duas potências começam a brigar com tarifas, a economia global pode sentir. Isso inclui o risco de desaceleração na China, o que afetaria a demanda por produtos brasileiros, inclusive as carnes.

O relatório do banco explica que, se o conflito comercial se intensificar, pode haver uma queda no ritmo da economia chinesa. Isso significaria menos consumo, menos compras e, consequentemente, uma redução nos preços internacionais de commodities. Neste caso, o que parecia uma vantagem competitiva para o Brasil pode virar um desafio.

E não para por aí. As tarifas americanas atingem praticamente todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. O chamado “tarifaço” prevê, por exemplo, 10% de sobretaxa para o Brasil, 20% para a União Europeia e 34% para a China. Em resposta, a China determinou que vai taxar todos os produtos vindos dos EUA com os mesmos 34%, começando a partir da próxima quinta-feira, 10 de abril.

Essas medidas podem desencadear uma verdadeira guerra comercial, com retaliações de outros países e impactos negativos no comércio mundial. Isso inclui inflação mais alta, redução no ritmo de crescimento e instabilidade nas exportações.

Mesmo assim, para o setor de carnes brasileiro, o momento pode ser uma oportunidade estratégica. O Brasil já tem estrutura e produção em escala, além de um bom relacionamento comercial com a China. Se souber aproveitar o momento e diversificar mercados, pode se tornar ainda mais forte nesse setor.

O mercado agora observa com atenção os próximos movimentos de Trump, da China e de outros grandes players globais. O agro brasileiro, por sua vez, segue pronto para ocupar espaço, desde que os ventos da diplomacia e da economia soprem a favor.

#BrasilNoMercadoMundial #CarneSuína #Exportações2025 #AgroÉTop #ChinaXEstadosUnidos #MercadoAgro #SuinoculturaForte #AgroBrasileiro #CarneBrasileira #ComércioExterior #GuerraComercial #MercadoInternacional

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.