Mato Grosso do Sul, 6 de junho de 2026
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Chuvas intensas elevam níveis dos rios na bacia do Paraguai e Imasul aponta recuperação após seca histórica

Período chuvoso 2024/2025 ultrapassou médias históricas em diversos pontos de monitoramento e trouxe alívio hídrico ao Pantanal sul-mato-grossense
Imagem - Rio Paraguai/Imasul
Imagem - Rio Paraguai/Imasul

As chuvas intensas que marcaram o ciclo climático entre outubro de 2024 e abril de 2025 trouxeram alento para os rios da bacia do Paraguai, em Mato Grosso do Sul. Após uma das secas mais severas dos últimos anos, o volume de precipitações superou as médias históricas em grande parte das estações de monitoramento, permitindo a recuperação dos níveis d’água em importantes trechos hidrográficos da região.

A análise da Sala de Situação do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) revela que, em 8 dos 11 pontos avaliados na bacia, o índice pluviométrico foi superior ao esperado. As medições, realizadas com base em plataformas automáticas de coleta de dados, abrangem os rios Paraguai, Aquidauana, Miranda, Taquari, Cuiabá e Piquiri todos de relevância estratégica para o ecossistema pantaneiro e para atividades econômicas da região, como a navegação, o turismo e a agropecuária.

Em locais como Ladário, Miranda e Palmeiras, os índices de chuvas ultrapassaram significativamente as médias históricas. Em Ladário, por exemplo, foram registrados 1.082,8 mm de precipitação 412,2 mm a mais do que o padrão usual para o período. Miranda acumulou 1.034,2 mm, superando em 236,2 mm a média esperada. Já em Palmeiras, na sub-bacia do Aquidauana/Miranda, o total de chuvas chegou a 1.091,8 mm 139,1 mm além da média.

Outros pontos, como Aquidauana, São Francisco e Coxim, também apresentaram desempenho superior, ainda que com variações menos acentuadas. Na contramão, a estação de Porto Esperança, em Corumbá, registrou o menor índice pluviométrico da temporada, com apenas 468,4 mm um déficit de 257,9 mm em relação à média histórica, o que representa uma redução de 35,5%. As estações de Porto Murtinho e Pousada Taiamã também tiveram volumes abaixo do esperado, mas sem desvios extremos.

A distribuição das chuvas ao longo do período não foi linear. Houve meses de forte anomalia positiva, como abril de 2025, quando foram registrados 1.609,8 mm um aumento de 685,9 mm em relação à média histórica de 923,9 mm para o mês. Março também apresentou bons índices, com 1.384,8 mm superando a média em 279,1 mm. Por outro lado, os meses de janeiro e fevereiro apresentaram déficits relevantes, com 982,2 mm e 1.341,6 mm respectivamente volumes bem abaixo do padrão esperado.

Com a intensificação das chuvas, os níveis dos rios reagiram. Pela primeira vez desde 2023, nenhum dos pontos monitorados apresentou cota de estiagem durante o trimestre pós-chuva (abril a junho de 2025). O contraste com o ano anterior é evidente: em 2024, mesmo com o avanço do período chuvoso, diversos trechos permaneceram em situação crítica de escassez hídrica.

O Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA), em seu relatório de junho de 2025, classificou a bacia do rio Paraguai como área sem seca ou com seca fraca. A recuperação foi sentida não apenas em áreas historicamente resilientes, mas também em trechos mais vulneráveis, conforme aponta o técnico do Imasul, Leandro Neri Bortoluzzi.

“O aumento do volume pluviométrico entre março e abril foi determinante para que, pela primeira vez desde 2023, todos os pontos monitorados na bacia do rio Paraguai tenham se mantido fora da condição de estiagem durante o trimestre pós-chuva”, afirma o especialista.

Com o fim do período chuvoso, iniciado em maio, os níveis dos rios voltaram a apresentar tendência de queda. Em julho, a estação do rio Aquidauana já entrou em cota de estiagem, e a previsão é de que o comportamento se repita em outros trechos da bacia até setembro, quando se encerra oficialmente o período seco no estado.

Apesar disso, a expectativa é otimista para o novo ciclo. Segundo a equipe técnica do Imasul, o regime climático regional deverá se manter dentro da normalidade, com o retorno das chuvas previsto para outubro. O monitoramento contínuo será fundamental para o planejamento hídrico de áreas produtivas, urbanas e ribeirinhas.

O mapa interativo com os dados atualizados pode ser acessado no site do Monitor de Secas da ANA:
https://monitordesecas.ana.gov.br/mapa?mes=6&ano=2025

Com um Pantanal ainda sensível aos efeitos das mudanças climáticas e à pressão das atividades humanas, o equilíbrio hídrico da bacia do Paraguai segue como tema central nas políticas de conservação e desenvolvimento sustentável em Mato Grosso do Sul.

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